Dentista condenado por transmitir HIV de propósito é novamente denunciado

Jean José Dunga de Oliveira, de 41 anos, já cumpria pena de cinco anos por infectar uma mulher; MP-RO o denuncia agora por contaminar outras três vítimas e pede nova prisão preventiva

Jean José Dunga de Oliveira, dentista de 41 anos, condenado a cinco anos de prisão por transmitir HIV intencionalmente a uma servidora pública em Porto Velho (RO), foi novamente denunciado pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) por contaminar outras três mulheres. Na terça-feira (8), a Justiça decretou nova prisão preventiva do acusado, que estava em regime semiaberto, após o órgão alegar risco iminente de novas vítimas.

Jean sabe que tem HIV desde 2017, recebeu orientações médicas, interrompeu o tratamento e, mesmo sem acompanhamento regular, manteve relações sexuais sem preservativo sem revelar sua condição às parceiras. A sentença do primeiro caso aponta que ele ignorou pelo menos 16 tentativas de retorno ao tratamento antes de transmitir o vírus à primeira vítima condenada.

Na nova denúncia, o MP-RO o acusa de lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave contra outras três mulheres. Para duas delas, há também acusação de estupro, com incidência da Lei Maria da Penha. O órgão pede que ele arque com todos os custos médicos e psicológicos das vítimas e ressarça o SUS pelos gastos com tratamentos.

A última vítima, relatou que o relacionamento começou em site de encontros e terminou em 30 de abril deste ano. Ela procurou o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do MP-RO em 28 de maio, após descobrir a infecção. A prisão ocorreu em 10 de junho passado. A mulher alertou que, entre o término e a prisão, Jean foi visto com outras duas mulheres, o que reforça o risco de novas contaminações.

Antes da condenação, a defesa afirmou que Jean realizava tratamento antirretroviral e acreditava não haver risco de transmissão sexual do HIV. Após a sentença e a nova denúncia, o advogado optou por não se pronunciar.

Especialistas reforçam que o tratamento correto torna a pessoa indetectável e intransmissível. Qualquer pessoa que desconfie de exposição ao vírus pode fazer teste rápido gratuito e sigiloso em UBS ou UPAs, ou usar autoteste de farmácia. Em Rondônia, vítimas podem procurar o Navit, as Delegacias da Mulher (Deam) ou qualquer unidade da Polícia Civil ou Militar.