Influenciadora é morta a tiros após deixar presídio no Pará; polícia apura execução

A influenciadora digital Evelyn Lima Dantas, de 46 anos, foi morta a tiros na madrugada desta quarta-feira (16), dentro de uma casa na Rua Bernardo Ferreira de Oliveira, bairro São Francisco, em Mãe do Rio, no nordeste do Pará. A Polícia Civil investiga quem cometeu o crime e qual foi a motivação.

Invasão e disparos

Segundo o registro da Polícia Militar, moradores próximos a uma Unidade Básica de Saúde ouviram diversos tiros e acionaram a corporação por volta das 3h57. Conforme relato da família, o ataque teria começado por volta das 3h30.

Dois homens invadiram a residência, renderam o pai da vítima e arrastaram Evelyn até a frente do imóvel. Ali, ela foi atingida por vários disparos. Quando os policiais chegaram, encontraram o corpo na calçada, coberto por um lençol.

Um familiar chegou a lavar a área onde o corpo estava, mas foi orientado pelos militares a interromper a limpeza para preservar a cena do crime e permitir os procedimentos periciais. Os atiradores teriam fugido em um carro, cujo modelo e cor não foram identificados pelo pai de Evelyn.

Antes de deixar o local, os criminosos picharam a sigla “TCP” na fachada do imóvel. A sigla é associada ao Terceiro Comando Puro, facção originária do Rio de Janeiro. Até o momento, porém, a polícia não confirmou se a inscrição tem relação direta com a autoria ou a motivação do assassinato.

Ligação com caso de sargento

Evelyn estava em liberdade provisória havia poucos dias. Ela havia deixado o presídio feminino de Ananindeua no sábado (12), após decisão judicial que impôs medidas cautelares, entre elas monitoramento eletrônico e recolhimento domiciliar.

A decisão apontou que não surgiram novos elementos capazes de reforçar os indícios de envolvimento dela no homicídio do sargento da reserva da Polícia Militar Antônio Anildo Alves.

A influenciadora havia sido presa em 30 de julho, durante uma operação integrada das forças de segurança em Mãe do Rio e Paragominas. Na ocasião, a investigação a tratava como suspeita de fornecer apoio logístico a um grupo investigado pela morte do sargento.

O sargento Antônio Anildo Alves foi morto a tiros em 29 de julho, em frente ao Supermercado Mãe do Rio. Conforme a Polícia Civil, quatro homens encapuzados chegaram em um Citroën C4 Cactus grafite, efetuaram disparos contra o militar — principalmente na cabeça — e fugiram. Alves também havia comandado a Guarda Municipal do município.

Durante a operação que levou à prisão de Evelyn, policiais informaram ter apreendido porções de maconha e cocaína, dois carregadores de pistola e uma balança de precisão. Ela também foi autuada em flagrante sob suspeita de tráfico de drogas.

O que ainda falta esclarecer

Até a publicação desta matéria, não havia confirmação de prisões pela morte de Evelyn. As autoridades também não divulgaram a identidade dos dois invasores, o veículo usado na fuga, imagens de câmeras de segurança ou a dinâmica pericial completa do crime.

A investigação deverá esclarecer:

  • Se a execução tem relação com o assassinato do sargento Antônio Anildo Alves.
  • Se a pichação com a sigla “TCP” foi deixada para reivindicar o ataque, intimidar moradores ou despistar a polícia.
  • Se os atiradores receberam apoio de terceiros ou tinham informações sobre a rotina da vítima.
  • Se havia ameaças anteriores ou outros elementos que indiquem possível retaliação.
  • Qual foi o resultado dos exames periciais e do levantamento de câmeras na região.

Equipes das polícias Civil, Militar e Científica estiveram no local. O corpo foi removido para perícia, e as forças de segurança informaram que realizam diligências para identificar e localizar os envolvidos. Denúncias podem ser feitas de forma sigilosa pelo telefone 181.

Contexto e cautela

A sequência de fatos — a prisão de Evelyn em uma investigação sobre a morte de um policial, a liberdade provisória concedida dias antes e a execução na porta de casa — colocou o caso sob forte atenção pública. Isso, entretanto, não autoriza antecipar conclusões.

A suspeita de participação no homicídio do sargento não equivale a condenação, e a Polícia Civil ainda não estabeleceu ligação oficial entre esse inquérito e a morte da influenciadora. A confirmação da autoria, da motivação e de uma eventual atuação de organização criminosa dependerá da investigação, da perícia e de eventual denúncia do Ministério Público.