Trump anuncia acordo para ampliar controle dos EUA sobre a Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia para ampliar a presença militar americana e garantir a Washington controle permanente sobre a segurança da ilha no Ártico.

Segundo Trump, os Estados Unidos poderão fazer “para sempre” o que considerarem necessário para proteger a Groenlândia e o território americano. O presidente também afirmou que o país começará a desenvolver imediatamente uma grande presença militar na região.

O acordo prevê restrições à atuação de países considerados adversários dos Estados Unidos. China, Rússia e outros países que não integram a Otan não poderão instalar bases, manter presença militar ou realizar investimentos estratégicos na ilha sem autorização de Washington.

O texto ainda não foi divulgado. A previsão é que o pacto seja assinado na próxima semana, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, e depois submetido aos procedimentos parlamentares da Dinamarca e da Groenlândia.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, confirmou o acordo e afirmou que ele fortalecerá a segurança do Ártico, do Atlântico Norte e da Otan. Ela ressaltou, porém, que a soberania da Dinamarca e o direito de autodeterminação dos groenlandeses estão preservados.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, também afirmou que o entendimento respeita os interesses da ilha. A Groenlândia possui governo autônomo desde 2009, mas continua vinculada ao Reino da Dinamarca e pode decidir futuramente se tornar independente.

O pacto não prevê a anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos. Na prática, porém, poderá ampliar o acesso das forças americanas a instalações militares, áreas de operação e rotas aéreas e marítimas do território.

A ilha já abriga uma instalação militar americana no noroeste e é considerada estratégica por sua localização entre a América do Norte, a Europa e o Ártico. A região também é importante para o monitoramento de mísseis, submarinos, rotas marítimas e atividades militares da Rússia.

O anúncio ocorre depois de meses de ameaças de Trump. O presidente chegou a defender que os Estados Unidos assumissem o controle da Groenlândia e mencionou a possibilidade de usar a força para alcançar esse objetivo. Também pressionou a Dinamarca com ameaças de tarifas contra a União Europeia.

O acordo representa uma solução intermediária para a disputa. Trump não conseguiu a anexação da ilha, mas afirma ter obtido controle permanente sobre sua segurança e a exclusão de países adversários de áreas consideradas estratégicas.

Ainda não foram informados o número de militares americanos que poderão ser enviados à Groenlândia, a localização de novas bases, o custo da operação ou quais investimentos dependerão de autorização dos Estados Unidos. Esses detalhes deverão ser conhecidos quando o documento for assinado e encaminhado aos parlamentos na semana que vem.