Imóvel foi arrombado em Santo Amaro
Criminosos invadiram, na noite de domingo (20), um imóvel usado como escritório político ligado ao ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, em Santo Amaro, na Zona Sul da capital paulista.
A invasão ocorreu por volta das 21h15, na Rua General Bráulio Guimarães. O local foi arrombado e encontrado revirado. Segundo informações da polícia, os suspeitos chegaram em um carro branco, forçaram o portão e entraram no imóvel. Depois, fugiram antes da chegada dos policiais.
O caso foi registrado no 11º Distrito Policial, em Santo Amaro. A perícia foi acionada, e a Polícia Civil realiza diligências para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação do crime.
HD com imagens de segurança foi levado
O principal item furtado foi um HD — ou DVR — responsável por armazenar as imagens do circuito interno de câmeras de segurança do imóvel.
A retirada do equipamento dificulta a identificação dos criminosos, já que as gravações poderiam registrar a entrada, a permanência e a fuga dos invasores. Também há relatos de que documentos tenham sido levados.
O imóvel estava sem energia elétrica, e o sistema de monitoramento não funcionava no momento da invasão. Uma vizinha percebeu a movimentação no portão, ouviu o barulho provocado pela entrada dos suspeitos e chamou a Polícia Militar.
Ainda não há confirmação oficial sobre quantas pessoas participaram da ação.
Dinheiro ficou no local
Apesar de levarem o equipamento que armazenava as imagens das câmeras, os criminosos deixaram mais de R$ 19 mil em dinheiro vivo. O valor localizado pela polícia foi de aproximadamente R$ 19,2 mil.
Também foram encontrados cartões bancários, documentos pessoais, cópia de carteira de identidade, cópia da Carteira Nacional de Habilitação, Bilhete Único, celular, chip e outros papéis. Parte desse material foi apreendida.
A presença do dinheiro e de objetos pessoais que não foram levados chamou a atenção dos investigadores. Uma das hipóteses é que os criminosos procurassem documentos ou informações específicas, e não apenas objetos de valor.
Até o momento, a polícia não confirmou a motivação do crime nem estabeleceu relação entre o furto e a investigação que envolve Milton Leite.
Relação com o ex-vereador
Moradores identificaram o imóvel como pertencente a Milton Leite e usado como escritório político. No local, os policiais encontraram documentos que apontavam o ex-vereador como responsável pelo imóvel.
Informações do boletim de ocorrência indicam que Milton Leite aparece como um dos sócios do imóvel, que seria de propriedade da empresa Lesimo — Sonda Projetos e Construção Ltda. O advogado do ex-vereador afirmou que a casa estaria ligada a um construtor relacionado a Leite.
A assessoria de Milton Leite e a empresa foram procuradas, mas não havia manifestação sobre o furto até a publicação das informações.
Furto ocorreu após prisão
A invasão aconteceu dois dias depois de Milton Leite se entregar à polícia. Ele era alvo de um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo.
Depois de não ser localizado inicialmente, Leite se entregou na tarde de sexta-feira (18), em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, acompanhado de um advogado.
O ex-vereador é investigado por suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital, o PCC, no sistema de transporte público da capital paulista e de lavagem de dinheiro por meio de empresas de ônibus.
Segundo os investigadores, Leite seria responsável pela operação de empresas que estariam sob controle da facção e apontado como dono de fato da Transwolff. A defesa da empresa nega que o ex-vereador tenha participação societária, atuação na gestão ou poder de dar ordens na companhia.
Ao se entregar, Milton Leite declarou ser inocente e afirmou que pretende provar sua inocência durante a investigação.
“Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na Justiça e no trabalho da polícia. Temos a oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”, afirmou o ex-vereador.
Polícia apura motivação
A Polícia Civil deverá analisar os vestígios deixados no imóvel, os documentos apreendidos e eventuais imagens de câmeras de segurança existentes nas proximidades. Como o HD do sistema interno foi levado, a investigação dependerá de registros externos e de depoimentos de testemunhas.
As autoridades apuram:
- Se os criminosos sabiam da existência do sistema de câmeras.
- Se o HD foi levado para impedir a identificação dos autores.
- Se documentos específicos eram o alvo da invasão.
- Se o crime tem relação com as investigações envolvendo Milton Leite.
- Quem participou da entrada no imóvel e do furto.
Até o momento, não há confirmação oficial de que a invasão tenha sido ordenada ou executada por pessoas ligadas à Operação Vectura Corrupta.




