Certidão de óbito aponta causa indeterminada; família diz que jovem viajou para trabalhar e ajudar no tratamento do pai
A Polícia Federal investiga a morte de Kathlyn Izabel Becker Pereira, de 28 anos, encontrada sem vida em um quarto de hotel em Zagreb, na Croácia. A brasileira, que morava em Ji-Paraná, em Rondônia, havia viajado para a Europa após receber uma oferta de trabalho.
Segundo a família, a intenção da jovem era trabalhar no exterior para ajudar a pagar o tratamento médico do pai, que tem osteomielite, uma infecção nos ossos. As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas pelas autoridades croatas.
A certidão de óbito emitida pela Embaixada do Brasil em Zagreb, em 4 de setembro, registrou a causa da morte como “desconhecida” ou “indeterminada”. A família aguarda o resultado dos exames periciais para saber o que aconteceu.
Kathlyn perdeu contato com a família
De acordo com a mãe, Geruza Becker, Kathlyn viajou inicialmente para a Sérvia após receber uma proposta de emprego. Ao chegar ao país, a jovem teria descoberto que a vaga já havia sido preenchida.
A família afirma que, depois disso, Kathlyn foi levada para a Croácia por pessoas ainda não identificadas. Os parentes perderam o contato com a jovem em 23 de agosto.
“Desde domingo, dia 23, a Kathlyn não estava mais online. Aí bateu o desespero. Na quarta-feira, 26, a gente já estava totalmente desesperado”, contou a mãe.
No dia 27 de agosto, familiares procuraram a Embaixada do Brasil na Croácia. Depois do contato com a representação diplomática, Geruza recebeu a notícia de que a filha havia sido encontrada morta em um quarto de hotel em Zagreb.
Segundo as informações repassadas à família, a morte ocorreu em 22 de agosto.
Certidão não esclarece causa da morte
A certidão de óbito não apontou uma causa específica para a morte. O documento registrou o motivo do falecimento como desconhecido.
Diante da falta de informações, o advogado da família, Joacir Ferreira da Silva, solicitou à embaixada esclarecimentos sobre o caso e cópia dos documentos produzidos pelas autoridades croatas.
A ocorrência foi registrada formalmente na Polícia de Zagreb. Os pertences pessoais de Kathlyn foram retidos para auxiliar na investigação.
O advogado também pediu ao Instituto Médico Legal de Zagreb uma cópia integral do laudo de necropsia e dos exames laboratoriais realizados no corpo da brasileira.
Segundo a orientação recebida pela família, os resultados dos exames podem levar de três a quatro meses. O documento final deverá ser solicitado diretamente ao Ministério Público de Zagreb.
Exames toxicológicos são aguardados
A perícia croata recolheu material biológico para a realização de exames toxicológicos. Os resultados poderão ajudar a esclarecer se houve consumo ou exposição a alguma substância antes da morte.
Até o momento, não foi divulgada uma causa oficial para o óbito. Também não há informação conclusiva sobre eventual presença de sinais de violência, acidente ou intoxicação.
A família aguarda os laudos antes de formular qualquer hipótese sobre o que pode ter acontecido com Kathlyn.
Família procura acompanhante
Outro ponto investigado pelos familiares é a presença de uma segunda mulher durante a viagem.
Segundo os relatos apresentados à família, Kathlyn teria viajado acompanhada de outra mulher que também havia recebido uma oferta de trabalho no exterior. Depois da morte da brasileira, os parentes afirmam que perderam completamente o contato com essa pessoa.
A identidade e o paradeiro da possível acompanhante ainda não foram esclarecidos. A família quer saber quem intermediou a viagem, quem recebeu as duas brasileiras na Europa e por que Kathlyn foi levada da Sérvia para a Croácia.
PF acompanha o caso
A família pediu a atuação da Polícia Federal diante das circunstâncias ainda não esclarecidas da viagem e da morte. A corporação acompanha os procedimentos relacionados ao translado do corpo e auxilia na busca de informações para esclarecer o caso.
A Embaixada do Brasil presta assistência consular, mas não tem competência para conduzir uma investigação criminal em território croata. A apuração principal cabe às autoridades da Croácia.
Por isso, o advogado da família acionou a Defensoria Pública da União e solicitou assistência jurídica internacional. O objetivo é obter representação legal na Croácia e acesso ao inquérito e aos laudos periciais.
O advogado informou à DPU que atua de forma voluntária no Brasil e que a família não tem condições financeiras de contratar um representante legal no exterior. O pedido ainda está em análise.
Corpo foi levado para Rondônia
Após uma campanha de arrecadação, o corpo de Kathlyn foi trasladado da Croácia para o Brasil. A mobilização conseguiu reunir R$ 84.950 para custear o transporte e os procedimentos necessários.
O corpo foi levado para Ji-Paraná, onde familiares e amigos realizaram o velório em uma igreja localizada na Avenida Amazonas, no bairro Primavera.
O sepultamento ocorreu em 14 de setembro, no Cemitério da Saudade, sob forte comoção.
“Missão cumprida porque a gente conseguiu trazer nossa Kathlyn. Conseguimos fazer o velório com tampa aberta. Agora só agradeço de coração a todo mundo que ajudou, que se empenhou, que postou, que pediu doação. Minha gratidão é imensa”, disse Geruza Becker.
O que ainda falta esclarecer
A investigação ainda depende de documentos e exames que podem ajudar a reconstruir os últimos dias de Kathlyn e apontar a causa da morte.
Entre as principais perguntas sem resposta estão:
- Qual foi a causa efetiva da morte?
- Kathlyn estava sozinha no quarto do hotel?
- Quem a levou da Sérvia para a Croácia?
- Quem intermediou a oferta de trabalho?
- Qual era a identidade da mulher que teria viajado com ela?
- Por que a família não foi avisada imediatamente?
- Houve crime, acidente, intoxicação ou morte natural?
Até a conclusão dos laudos, não é possível afirmar que Kathlyn tenha sido vítima de homicídio ou de qualquer outro crime. A certidão de óbito com causa indeterminada apenas registra que, naquele momento, as autoridades ainda não haviam conseguido estabelecer o motivo do falecimento.
As investigações continuam na Croácia, com acompanhamento da Polícia Federal e assistência da representação diplomática brasileira.




