Senador cobra dados sobre gastos da Presidência, agenda de Janja, empresas de familiares e assessores do petista antes de apresentar informações dos últimos 20 anos
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quarta-feira (21), que aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas condicionou a entrega dos dados à divulgação de informações sobre familiares, assessores e despesas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na manifestação, a defesa classificou a proposta apresentada pelo adversário como uma “promessa vazia”.
A petição, encaminhada ao ministro André Mendonça, responde ao documento protocolado por Lula na terça-feira (20). O presidente havia autorizado a abertura de seus próprios sigilos, dos de familiares e de sua empresa, relativos aos últimos oito anos, desde que Flávio apresentasse autorização equivalente envolvendo também familiares e negócios.
Flávio propôs ampliar o período de acesso às informações para 20 anos e acrescentou uma série de exigências. O senador afirma que só apresentará os próprios dados depois que Lula entregar a documentação solicitada.
Cartão corporativo e agenda de Janja
Entre as condições apresentadas estão a divulgação integral dos gastos com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023, a agenda da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, anterior a fevereiro de 2025 e os registros de visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada.
O candidato do PL também cobra informações sobre o uso de helicópteros da Presidência e as despesas da residência oficial. Os pedidos ampliam o alcance da discussão: além de informações pessoais protegidas por sigilo, a manifestação exige registros administrativos e gastos do governo federal.
Empresas de familiares e ex-assessor
A petição solicita dados sobre empresas ligadas aos filhos do presidente, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além do Instituto Lula e da L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações.
Flávio também exige a abertura de sigilos do ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Na argumentação apresentada ao TSE, a defesa sustenta que a divulgação apenas das contas pessoais do presidente seria insuficiente para esclarecer as suspeitas levantadas pelo adversário. Trata-se de uma alegação da defesa, e não de uma conclusão judicial.
“O pedido é mais uma promessa vazia de Luiz Inácio Lula da Silva. É mais uma tentativa de ludibriar o eleitorado com palavras bonitas, porém despidas de qualquer substância. A abertura proposta não mostraria nada ao eleitor, e o candidato sabe disso”, afirma a manifestação, segundo o Metrópoles.
Reunião com Daniel Vorcaro entra nas exigências
Outro conjunto de pedidos envolve as relações do governo com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio solicita a identificação dos participantes, dos assuntos tratados e dos registros da reunião entre Lula e o banqueiro realizada em 4 de dezembro de 2024. Segundo a CNN Brasil, a Presidência informou que não foram produzidas atas do encontro.
O senador também pede registros de entradas de Vorcaro e de intermediários nos palácios do Planalto e da Alvorada desde 2023, além de informações sobre encontros do ex-ministro Guido Mantega e de Augusto Lima, ex-presidente do Banco Master, com integrantes do governo.
Na mesma manifestação, Flávio afirma não se opor à divulgação das mensagens que trocou com Vorcaro e inclui na autorização dados de empresas das quais é sócio ou administrador.
Proposta de Lula também prevê reciprocidade
A autorização apresentada por Lula na véspera abrange os dados do presidente, de Janja, dos cinco filhos e de sua empresa de eventos. Como contrapartida, o petista pediu a abertura de informações de Flávio e de familiares, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, a esposa, Fernanda Antunes, e a mãe, Rogéria Bolsonaro.
Assim como a resposta do senador, a iniciativa de Lula foi apresentada de forma condicionada: a divulgação dependeria de autorização correspondente do adversário.
Defesa pede manifestação formal do presidente
Ao final da petição, a defesa de Flávio solicita que o TSE intime a campanha de Lula a responder formalmente às novas condições. Caso o presidente não aceite a ampliação dos pedidos, o senador quer que a recusa seja registrada no processo como uma negativa do candidato que lançou o desafio.




