Registros obtidos pela revista Veja e atribuídos a um inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria realizado viagens de luxo aos Alpes suíço e francês com despesas pagas pela empresária Roberta Luchsinger. Segundo a publicação, apenas as viagens citadas na reportagem somariam mais de R$ 2 milhões.

A reportagem afirma que o material — fotos, vídeos e mensagens — foi encontrado pela Polícia Federal no celular de Roberta Luchsinger, investigada sob suspeita de tráfico de influência no governo Lula. A PF e o STF não foram citados na matéria como fontes que confirmaram oficialmente o conteúdo ou os valores apurados.
Temporada na Suíça
De acordo com a Veja, Lulinha teria se hospedado com a família, nos primeiros meses de 2025, no Ultima, complexo de chalés privativos em Crans-Montana, nos Alpes suíços. A publicação informa que as diárias do local superam 22 mil francos suíços e estima a temporada em cerca de R$ 1,5 milhão.
O complexo ofereceria suítes, piscina externa aquecida, spa de mil metros quadrados, sauna, hammam, academia, cinema particular, salão de bilhar, sala de jogos, lounge para charutos e áreas de convivência com vista para as montanhas. A estadia incluiria, segundo a revista, chef particular com experiência em cozinhas padrão Michelin, mordomo, concierge, motorista por até oito horas diárias e traslados de aeroporto.
As imagens citadas pela reportagem mostrariam jatos privados, motoristas, equipamentos de neve, instrutores particulares de esqui e champagne resfriado na neve. A Veja afirma ainda que Roberta Luchsinger teria revelado, em vídeo publicado nas redes sociais, que Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, indicou o destino ao grupo.
Courchevel, na França
Além da temporada suíça, a revista relata que Roberta teria bancado, em 2024, uma viagem de Lulinha a Courchevel, resort nos Alpes franceses frequentado por turistas de alto poder aquisitivo. Segundo a publicação, fotos em poder da PF mostrariam festas, consumo de bebidas em bares conhecidos, programas na neve e shows.
A reportagem não apresenta documentos fiscais, notas fiscais, contratos ou extratos que comprovem individualmente cada despesa. Os valores e a autoria dos pagamentos são atribuídos a fontes da investigação e ao material apreendido.
Relação sob investigação
Para investigadores citados pela Veja, o principal “produto” da atividade de lobby atribuída a Roberta Luchsinger seria oferecer acesso a Lulinha a empresários interessados em avançar demandas no governo federal. A reportagem afirma que Lulinha “articulava negócios” com a empresária e era procurado por empresários para “abrir caminhos” na gestão do presidente.
A matéria relaciona as viagens à suspeita de que Lulinha teria funcionado como ponte entre empresários e o governo. Não há, no texto, indicação de que ele tenha sido formalmente investigado, indiciado ou denunciado por esses fatos.
Declarações de Lula e Roberta
A reportagem retoma declaração do presidente Lula em que ele negou conhecer Roberta Luchsinger e a chamou de “pilantra”. Segundo a Veja, o presidente disse não ter visto, conversado ou mantido proximidade com a empresária.
Em resposta, Roberta teria classificado a fala de Lula como “covarde”, além de “mentirosa, machista, misógina e canalha”. A revista informa que a empresária estaria disposta a negociar uma delação premiada para relatar o que teria visto e ouvido nos últimos anos do governo Lula.
O que está em apuração
O inquérito mencionado pela reportagem tramita no STF e, segundo a Veja, avança “a passos lentos”. A publicação sustenta que as viagens documentadas reforçam a proximidade entre Lulinha e Roberta Luchsinger, tanto no turismo quanto em supostas articulações empresariais.
Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação pública, nos documentos citados, de que os pagamentos das viagens tenham sido feitos com recursos de origem ilícita ou em troca de atos governamentais. As informações permanecem, portanto, no campo das apurações e das alegações apresentadas pela reportagem.





