Celina Leão é reeleita governadora do Distrito Federal

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), 49, foi reeleita no segundo turno das eleições deste domingo, segundo o TSE. Com 92,84% das urnas apuradas, ela tinha 57,21% dos votos válidos, contra 42,79% de Leandro Grass (PT).

A apuração é divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O TSE faz a declaração quando há número suficiente de votos apurados em que o candidato à frente não poderá mais ser alcançado.

Trajetória política

Esta foi a primeira disputa de Celina pelo cargo de governadora. Antes, ela foi deputada distrital e federal e assumiu a vice-governadoria em 2023, na chapa de Ibaneis Rocha (MDB).

Ela passou a comandar o Distrito Federal em março, após Ibaneis deixar o governo para tentar uma vaga no Senado. Em julho, o ex-governador desistiu da candidatura em meio ao desgaste provocado pela tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB, o Banco de Brasília.

Durante a campanha, Celina se afastou de Ibaneis e construiu alianças com principais nomes da direita no DF, como Michelle Bolsonaro (PL), Bia Kicis (PL), Damares Alves (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo turno apertado

A disputa foi levada ao segundo turno por uma margem pequena de votos. No primeiro turno, Celina obteve 49,93% dos votos válidos, contra 34,47% de Leandro Grass.

Também disputaram Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Capelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Professora Samara Mineiro (UP), Professor Robson, Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB).

A eleição foi marcada pela rejeição da candidatura de José Roberto Arruda (PSD), condenado por improbidade no caso da Operação Caixa de Pandora. O ex-governador chegou a aparecer empatado tecnicamente com Celina em pesquisa Datafolha de agosto, mas perdeu força após o TSE indeferir seu registro em 24 de setembro.

Desafios do novo mandato

Reeleita, Celina terá mandato até o fim de 2030 e enfrentará como desafio imediato a crise do BRB decorrente da tentativa frustrada de compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A governadora busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para recompor o caixa do banco.

Durante a campanha, Celina afirmou que não se envolveu na operação e que nunca teve contato com Vorcaro. O ex-banqueiro, porém, afirmou em diálogos revelados pela Folha que a governadora “não ficou de fora” das discussões. Ela classificou a divulgação como fora de contexto e negou as acusações.

O Banco Central rejeitou a compra do Master em setembro de 2025 e liquidou o banco em novembro do mesmo ano, após a prisão de Vorcaro em operação da Polícia Federal. Investigações da PF concluíram que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master, sendo a maior parte em títulos falsos, equivalentes a cerca de R$ 12,2 bilhões.

O tamanho do prejuízo do BRB ainda não foi tornado público. Desde o início do escândalo, nenhum relatório operacional foi apresentado, incluindo as demonstrações de resultados de 2025 e do primeiro semestre de 2026.