O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Com mais de 98% das urnas apuradas, Lula alcançou 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% do adversário, conforme apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A vitória é inédita na história das eleições presidenciais brasileiras: Lula é o primeiro candidato a vencer o segundo turno depois de terminar o primeiro em segundo lugar. Ele também se torna o único presidente eleito quatro vezes pelo voto popular, após as conquistas de 2002, 2006 e 2022.
Virada no segundo turno
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro liderou com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45%. A diferença de mais de 2,2 milhões de votos foi revertida no segundo turno, quando o petista passou a ter vantagem superior a 4 milhões de votos.
A campanha petista mudou de estratégia após a derrota parcial na primeira etapa. A reação incluiu maior presença de Lula nas redes sociais, com vídeos em formato mais direto, e a mobilização de apoiadores por meio do grupo “Exército de Lula”, no WhatsApp, que reuniu mais de 10 milhões de pessoas. Movimentos sociais, estudantes e militantes também promoveram atos em dezenas de cidades.
Quarto mandato e agenda
Lula, de 80 anos, começará o novo mandato em 5 de janeiro de 2027 e não poderá disputar novamente em 2030, por já ter cumprido dois mandatos consecutivos. Será seu quarto período à frente do Executivo federal: governou de 2003 a 2010 e reassumiu a Presidência em 2023.
Entre as principais promessas do plano de governo estão a manutenção da política de valorização real do salário mínimo, a modernização do SUS, a expansão da rede federal de ensino, o combate ao crime organizado e a criação de um ministério dedicado à Segurança Pública. O programa também prevê ampliação de políticas de alfabetização infantil, enfrentamento da violência contra mulheres e investimentos no tratamento oncológico.
Desafios no Congresso
Apesar da reeleição, Lula deverá enfrentar um cenário de negociação intensa no Legislativo. Sem maioria própria na Câmara dos Deputados e no Senado, o governo dependerá de acordos com partidos do Centrão para aprovar medidas econômicas, reformas e pautas institucionais.
A vitória também foi recebida com destaque pela imprensa internacional, que ressaltou a reversão do resultado do primeiro turno e a derrota de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Publicações como The New York Times, The Guardian e Le Monde destacaram o resultado como um freio ao avanço da direita na América Latina.
Próximos passos
O TSE decretou oficialmente a eleição às 21h08 deste domingo. Lula deve ser diplomado e empossado em janeiro de 2027, iniciando um mandato de quatro anos, com a tarefa de consolidar a recuperação política após um primeiro turno adverso e articular sustentação parlamentar para governar até 2031.





