O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve, no segundo turno das Eleições 2026, a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) entre os eleitores das seções instaladas em presídios e unidades de internação. Lula recebeu 7.015 votos, equivalentes a 72,3% dos votos válidos nessas seções, contra 2.298 votos, ou 27,6%, de Flávio Bolsonaro.
A diferença a favor do petista foi de 4.717 votos. Os números foram levantados a partir dos boletins de urna publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza os arquivos oficiais por estado e por turno no Portal de Dados Abertos.
Quem pode votar
O resultado não representa o voto de toda a população prisional brasileira. Pela Constituição Federal, os presos condenados com sentença transitada em julgado não podem votar. Por isso, nas unidades prisionais votam principalmente os presos provisórios, que ainda aguardam julgamento definitivo.
Também podem votar adolescentes a partir de 16 anos internados em unidades socioeducativas e servidores que solicitaram atuação temporária nesses locais. O universo é reduzido e não altera o resultado nacional da eleição.
Comparação com o 1º turno
Lula já havia vencido entre os presos no primeiro turno, mas ampliou ligeiramente a vantagem no confronto direto com Flávio Bolsonaro. No 1º turno, o presidente obteve 7.155 votos, ou 72,1% dos válidos, enquanto o senador recebeu 2.351 votos, 27,8%.
Entre o primeiro e o segundo turno, Lula perdeu 140 votos nominais e Flávio Bolsonaro, 53. Ainda assim, com a eliminação dos demais candidatos no 2º turno, os percentuais dos dois se elevaram no confronto bilateral.
Desempenho por estados
A vantagem de Lula foi especialmente expressiva no Nordeste. Na Paraíba, ele alcançou 87,2% dos votos nas seções prisionais, com 116 votos contra 17 de Flávio. No Piauí, teve 85,4%, com 364 votos contra 62. No Rio Grande do Norte, obteve 84%, com 53 votos contra 10.
Em dois presídios do Nordeste, o petista recebeu a totalidade dos votos: no Centro de Detenção Provisória de Aquiraz, no Ceará, onde obteve os 32 votos; e no Presídio Regional de Sapé, na Paraíba, onde fez os 10 votos.
Em São Paulo, estado com o maior número de presos provisórios votantes, Lula recebeu 79,7% dos votos do sistema prisional — 2.156 votos contra 546 de Flávio Bolsonaro. O resultado contrasta com o desempenho do presidente no conjunto do estado, onde obteve 46,15% dos votos válidos no segundo turno.
Flávio Bolsonaro teve seus melhores resultados entre presos em Goiás, com 46,6%; em Mato Grosso, com 42,3%; e no Amazonas, com 38,7%.
Papuda: exceção em Brasília
No Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, houve uma exceção ao padrão nacional. Flávio Bolsonaro venceu por 81 votos a 74 na seção 0420 da zona eleitoral 18. No primeiro turno, Lula havia ganhado por 74 a 70 na mesma seção.
A Papuda teve 185 eleitores aptos, dos quais 160 compareceram e 25 abstiveram-se.
Contexto da disputa
O voto nas prisões ganhou repercussão política após o debate da TV Globo, em 23 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro trocaram farpas sobre o tema. Lula defendeu que todos os presos pudessem votar, enquanto Flávio criticou a atuação do governo na área prisional.
Do ponto de vista eleitoral, trata-se de um recorte simbólico, já que as seções prisionais concentram poucos milhares de votos em todo o país. A apuração oficial do TSE, baseada nos boletins de urna, é a fonte que sustenta os resultados por seção e por turno.
Nota de checagem: o percentual de 27,8% corresponde ao resultado de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. No segundo turno, conforme os boletins compilados a partir dos dados do TSE, o índice é 27,6%.





