O vereador Senival Moura, do PT, foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (28) em São Paulo, suspeito de participação em um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.
A nova prisão foi determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), após recurso do Ministério Público contra a decisão que o havia colocado em liberdade em agosto.
Além do vereador, outras seis pessoas tiveram a prisão decretada novamente no âmbito do inquérito da Operação Última Parada. Os mandados estão sendo cumpridos pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo.
A nova prisão
Senival Moura estava solto desde 5 de agosto, quando a desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Câmara Criminal do TJ-SP, determinou sua soltura após entender que o prazo da prisão temporária não deveria ser de 30 dias, mas de cinco dias.
Com esse entendimento, a magistrada considerou ilegal a manutenção da custódia e determinou a expedição imediata do alvará de soltura. O Ministério Público recorreu da decisão.
A nova ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Antonio Carlos Costa Pessoa Martins, da 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, em 20 de outubro. Na decisão, o magistrado argumentou que há indícios suficientes de autoria e que o grupo já foi denunciado pelo MP e virou réu.
O esquema investigado
A Operação Última Parada foi deflagrada em 25 de junho pelo DEIC e pelo GAECO para desarticular um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião, que opera linhas na zona Leste da capital paulista.
Segundo a investigação, a Transunião teria sido usada como plataforma estruturada para movimentar e ocultar recursos provenientes principalmente do tráfico de drogas. A empresa recebeu mais de R$ 300 milhões em recursos públicos apenas em 2025 para operar linhas de ônibus na cidade.
A apuração teve início em 2020, após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião. A partir da investigação do crime, as autoridades reuniram provas que apontam o uso da empresa como instrumento de lavagem de capitais do PCC.
O papel atribuído a Senival
O juiz Antonio Carlos Martins apontou Senival como uma das figuras centrais do núcleo de comando da organização, embora ele não ocupasse formalmente posição equivalente na administração da Transunião.
Segundo a decisão, o vereador exerceria influência sobre as finanças e parte da frota da transportadora, participando da gestão financeira e da tomada de decisões sobre o funcionamento da empresa.
A investigação também aponta a existência de uma estrutura organizada para a movimentação e ocultação de recursos financeiros por meio da Transunião, utilizando pessoas físicas e jurídicas, veículos e operações societárias.
Os demais presos
Além de Senival Moura, tiveram a prisão decretada novamente:
- Lourival de França Monário;
- Leonel Moreira Martins;
- Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”;
- Devanil Sousa Nascimento;
- Osiel Bernardino Pinto;
- Fábio Fernandes de Souza.
Jair Ramos de Freitas e Devanil de Souza Nascimento também são réus pelo assassinato do ex-presidente da Transunião, Adauto Soares Jorge. Até o início da tarde desta quarta, cinco dos sete alvos já haviam sido presos, enquanto dois permaneciam procurados.
Bloqueios e intervenção
Em junho, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas dos investigados, além do sequestro de imóveis, veículos e embarcações ligados ao grupo.
Após a deflagração da operação, a Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na Transunião, que segue sob gestão interventiva desde então.
A defesa e o PT
A defesa de Senival informou, na época da primeira prisão, que o habeas corpus reconhecia a inexistência de fundamentos atuais, concretos e individualizados que justificassem a manutenção da prisão cautelar. O inquérito tramita desde 2022, e o vereador permaneceu à disposição das autoridades durante todo esse período.
Senival era filiado ao PT e pediu afastamento da legenda após ser preso em junho. Ele está em seu sexto mandato como vereador de São Paulo e exercia a presidência da Comissão de Transportes da Câmara Municipal.
O que está confirmado — e o que ainda não foi provado
Está confirmado que Senival Moura foi preso novamente nesta quarta-feira, por determinação do TJ-SP, após recurso do Ministério Público. Também está confirmado que outras seis pessoas tiveram a prisão decretada no mesmo inquérito.
A suspeita de participação no esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC ainda não foi comprovada judicialmente. A decisão de prisão preventiva não representa juízo de culpa, mas o entendimento de que ainda existem diligências investigativas pendentes e elementos que justificam a custódia cautelar.
O caso segue em tramitação na 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, sob supervisão do GAECO e do DEIC.





