PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB por fraude de R$ 17,5 bilhões no caso Master

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), por sua suposta participação em um esquema que injetou cerca de R$ 17,5 bilhões do banco público do Distrito Federal em operações de crédito do Master. Ao todo, 15 pessoas foram indiciadas no primeiro relatório da Operação Compliance Zero enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o relatório, de mais de 700 páginas, o Banco Master vendeu ao BRB carteiras de crédito entre julho de 2024 e outubro de 2025. A PF calcula que pelo menos R$ 12,2 bilhões desses ativos não tinham comprovação de existência e eram, em grande parte, falsas carteiras de crédito consignado.

A investigação aponta que o esquema envolveu a produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e uso da empresa Tirreno como fachada. Essa empresa repassava créditos ao Master, que os vendia ao BRB; a PF também identificou a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais cerca de 1.785 teriam sido enviadas ao banco público.

A PF descreve Vorcaro como o “principal centro de comando, coordenação e decisão” da estrutura investigada. Para os investigadores, ele tinha ciência da origem e das inconsistências dos créditos, pressionava pela continuidade das cessões, supervisionava a produção documental e definia as versões apresentadas ao BRB e ao Banco Central.

Paulo Henrique Costa é apontado como o principal articulador institucional dentro do BRB, responsável por viabilizar a implementação das operações no banco estatal. A PF também afirma que a cúpula do BRB usou mecanismos para evitar que as compras bilionárias fossem submetidas ao Conselho de Administração e manteve as aquisições mesmo após alertas internos sobre riscos de liquidez.

Crimes imputados

A PF atribui a Vorcaro gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro de investidor, fraude à fiscalização, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Paulo Henrique, os investigadores imputam gestão fraudulenta e organização criminosa; também há registro de indícios de corrupção passiva, embora esse ponto não seja o objeto central do relatório.

Somados, os crimes atribuídos a Vorcaro têm pena mínima de 12 anos e máxima de 41 anos, segundo apuração divulgada pelo Estadão.

Estratégia bilionária

Além das compras de carteiras, a PF sustenta que o esquema combinou aumentos de capital do BRB e a tentativa de aquisição do Master, no chamado Projeto Vértice. Segundo os investigadores, esses movimentos eram interdependentes e tinham como objetivo ampliar a capacidade do banco público de continuar adquirindo créditos do Master, que enfrentava grave crise de liquidez.

O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB em 2025 e, em novembro daquele ano, decretou a liquidação extrajudicial do banco de Vorcaro. A PF afirma, porém, que as cessões de créditos continuaram por cerca de um mês após a decisão do regulador.

Próximos passos

O indiciamento não significa condenação: os investigados ainda poderão apresentar defesa, e a decisão sobre eventual denunciamento cabe ao Ministério Público Federal. A PF pediu ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a prorrogação por 60 dias do inquérito para concluir perícias e análises bancárias, fiscais, patrimoniais e financeiras dos investigados.

Entre os demais indiciados estão ex-sócios e ex-diretores do Master, ex-diretores do BRB, um empresário e um advogado ligado ao banco. A investigação busca ainda mensurar o proveito econômico obtido por cada participante do suposto esquema.

Lista dos indiciados

  1. Daniel Bueno Vorcaro — ex-controlador do Banco Master.
  2. Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa — ex-presidente do BRB.
  3. Augusto Ferreira Lima — ex-sócio do Banco Master.
  4. Angelo Antônio Ribeiro da Silva — executivo do Banco Master.
  5. Luiz Antonio Bull — executivo do Banco Master.
  6. Alberto Félix de Oliveira Neto — responsável pela tesouraria do Master.
  7. Allan da Silva Machado — ligado à estrutura operacional das carteiras de crédito.
  8. Henrique Souza e Silva Peretto — ligado à empresa Tirreno.
  9. André Felipe de Oliveira Seixas Maia — ligado à Tirreno.
  10. Daniel Lopes Monteiro — advogado apontado como participante da estruturação jurídica das operações.
  11. Dario Oswaldo Garcia Junior — ex-diretor financeiro do BRB.
  12. Luana de Andrade Ribeiro — dirigente do BRB.
  13. Cristiane Maria Lima Bukowitz — dirigente do BRB.
  14. Diogo Ilário de Araújo Oliveira — dirigente do BRB.
  15. José Maria Correa Dias Junior — dirigente do BRB.