O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República ter entregado R$ 20 milhões em espécie ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD) durante a campanha municipal de 2024. Segundo o relato, feito em tentativa de acordo de colaboração premiada, o dinheiro seria caixa 2 destinado a campanhas de prefeitos apoiadas pelo PSD em Minas Gerais. Silveira nega ter recebido qualquer valor e classificou a acusação como “maledicência”.
Alexandre Silveira atuou como um dos principais articuladores políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente na mobilização de prefeitos em Minas Gerais durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
De acordo com o ex-banqueiro, os R$ 20 milhões foram repassados de forma fracionada, em dinheiro vivo, nas semanas que antecederam o pleito municipal de 2024. O destino, segundo ele, seria financiar campanhas de candidatos a prefeito ligados ao PSD, partido do qual Silveira é um dos principais articuladores políticos em Minas Gerais.
Vorcaro sustenta que a disponibilização dos recursos foi feita pelo pastor Fabiano Zettel, seu cunhado. Como elemento de sustentação do relato, ele apresentou trocas de mensagens com Zettel em que os dois tratam de saques em espécie; em um dos diálogos, o pastor pergunta se o dinheiro deveria ser levado a Belo Horizonte ou a outro destino.
Total alegado sobe a R$ 40 milhões
A nova acusação se soma a outro repasse de R$ 20 milhões que Vorcaro afirma ter feito a Silveira em 2022, quando o ministro disputava a reeleição ao Senado por Minas Gerais. Se confirmadas, as duas alegações elevariam o total de pagamentos não declarados a R$ 40 milhões.
Segundo o ex-banqueiro, nenhuma das contribuições de 2022 ou de 2024 foi declarada à Justiça Eleitoral. Ele também afirmou não ter recebido contrapartidas diretas de Silveira, apesar dos supostos apoios financeiros nos dois ciclos eleitorais.
Versão do ministro
Alexandre Silveira nega categoricamente o recebimento de recursos de caixa 2 vindos de Vorcaro. Em nota, o ministro afirmou que suas campanhas foram realizadas “em estrita conformidade com a legislação eleitoral”, com prestações de contas regularmente declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.
A defesa do político sustenta que não há qualquer registro de doação de Vorcaro ou de Fabiano Zettel às campanhas de Silveira no Tribunal Superior Eleitoral. Pessoas próximas ao ministro também já haviam afirmado que ele não conhecia o ex-banqueiro no período da campanha de 2022.
Situação da colaboração
O relato foi feito por Vorcaro em tentativa de firmar um acordo de colaboração premiada com a PF e a PGR. Até agora, três propostas de delação apresentadas pelo ex-banqueiro foram rejeitadas pelas autoridades.
Em versões anteriores, investigadores avaliaram que os relatos sobre Silveira eram insuficientes para avançar, sobretudo porque Vorcaro não teria detalhado eventuais contrapartidas recebidas em troca dos repasses.
Contexto político
Silveira é filiado ao PSD e ocupava uma cadeira no Senado por Minas Gerais quando disputou a reeleição em 2022, em chapa encabeçada por Alexandre Kalil ao governo do estado. Ambos foram derrotados por Cleitinho e Romeu Zema, respectivamente.
A revelação reacende a atenção sobre a relação entre o setor financeiro, o financiamento eleitoral e o poder político em Minas Gerais. Ainda assim, trata-se, até o momento, de uma acusação feita em negociação de colaboração premiada, sem condenação judicial e contestada frontalmente pelo ministro.





