O The New York Times informou nesta quinta-feira (29) que o jato particular usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar a Argentina e seguir aos Estados Unidos foi providenciado por Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca e ex-porta-voz do presidente Donald Trump. A reportagem não afirma que Miller tenha pago ou financiado a aeronave; segundo o jornal, ele teria apenas articulado o voo.
Miller ocupa a função de funcionário especial do governo americano na área de comunicações da Casa Branca. Ele foi porta-voz da campanha de Trump e é um dos principais assessores de comunicação do presidente.
De acordo com o NYT, o plano começou a ser colocado em prática na segunda-feira, após a Polícia Federal pedir que Flávio entregasse os passaportes, em investigação relacionada a suposto esquema de lavagem de dinheiro. Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e residente nos Estados Unidos, teria mantido contato com Miller.
Na terça-feira à noite, Flávio, a esposa e as duas filhas atravessaram a fronteira por terra, pela Ponte da Fraternidade, de Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. Cerca de 40 minutos depois, embarcaram em um jato da empresa Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador, onde fizeram escala para reabastecimento. Em seguida, seguiram para Miami.
A informação sobre a participação de Miller foi atribuída pelo NYT a uma pessoa familiarizada com a logística da viagem. O funcionário da Casa Branca não comentou a reportagem.
Entrada nos EUA
O jornal também relatou que Trump determinou que Flávio e a família pudessem entrar nos Estados Unidos sob o mecanismo migratório conhecido como parole, que permite entrada temporária por razões humanitárias ou de interesse público.
Antes do pouso em Miami, o Departamento de Estado e a Casa Branca haviam informado que pretendiam emitir vistos para o grupo. Trump afirmou publicamente que havia dado a Flávio uma autorização para entrar no país.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA disse apenas que Flávio e seus familiares foram inspecionados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras conforme as leis e procedimentos migratórios e, depois, liberados.
Atuação dentro do Brasil
A reportagem do NYT não apresenta evidências de que o governo dos Estados Unidos tenha atuado, controlado ou influenciado a movimentação de Flávio dentro do território brasileiro. O trajeto descrito começa com a travessia por terra até a Argentina; a participação americana relatada pelo jornal está concentrada na organização do jato, na autorização de entrada nos EUA e nas tratativas após a chegada a Miami.
Emissários ligados ao Departamento de Estado teriam pedido a Flávio que alterasse uma declaração em que se autodenominava “presidente eleito”. Depois, ele passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
Flávio chegou a Miami na quarta-feira, um dia após a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou ter deixado o Brasil por perseguição política, agradeceu a Trump e ao presidente argentino Javier Milei e questionou o resultado do pleito, sem apresentar provas de fraude.
A participação de integrantes do governo americano na operação tende a aumentar a tensão entre Brasília e Washington. O NYT observa que o apoio da Casa Branca pode escalar o conflito com o governo Lula, que acusa Trump de interferir em assuntos internos brasileiros.
Ainda não foi esclarecido quem pagou pelo fretamento do jato, qual foi o valor da viagem ou se a articulação feita por Miller teve caráter pessoal, político ou institucional.





