As principais montadoras que atuam nos Estados Unidos pressionam o Congresso para transformar em lei permanente a proibição de veículos chineses no mercado americano. O pedido foi feito pela Alliance for Automotive Innovation, entidade que representa General Motors, Toyota, Volkswagen, Ford, Honda, Hyundai, Stellantis e outras grandes fabricantes.
Segundo a Reuters, a entidade quer que a aprovação ocorra ainda neste ano, durante a sessão legislativa marcada para depois das eleições de meio de mandato. O argumento central é que carros chineses conectados representariam riscos de vigilância e ameaçariam os investimentos feitos por montadoras tradicionais em comunidades e na indústria americana.

O que as montadoras pedem
O presidente da aliança, John Bozzella, afirmou que os Estados Unidos precisam se proteger de uma “enxurrada de importações chinesas” que trariam risco de vigilância e prejudicariam fabricantes que realizaram investimentos de longo prazo no país.
“Dado o evidente risco à segurança nacional e o padrão de comportamento desleal da China, o Congresso deveria proteger nossa base de defesa e manufatura avançada e impedir que montadoras chinesas façam aqui o que conseguiram fazer na Europa”, declarou Bozzella.
A proposta busca barrar veículos, softwares e componentes conectados vinculados à China e a outros países considerados adversários pelos EUA.
Riscos alegados
O foco do debate está nos veículos conectados, equipados com Bluetooth, Wi-Fi, conexão celular e, em alguns casos, comunicação via satélite. Para o governo americano e as montadoras, essas tecnologias podem coletar dados sensíveis de motoristas e passageiros, incluindo localização e informações sobre o uso do veículo.
A Alliance for Automotive Innovation sustenta que fabricantes chinesas, como BYD, Chery e SAIC, receberiam subsídios do Estado e poderiam usar essa vantagem para inundar mercados internacionais com veículos mais baratos. A entidade afirma que a entrada dessas empresas nos EUA deslocaria empregos e investimentos das montadoras já instaladas no país.
Situação atual nos EUA
Já existe uma regulação imposta no início de 2025, durante o governo Joe Biden, que na prática impede montadoras chinesas de vender ou produzir veículos de passageiros nos Estados Unidos. A medida foi mantida pela administração do presidente Donald Trump.
O país também mantém tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses. Ainda assim, o setor automotivo quer que a restrição deixe de depender de decisões regulatórias ou de eventuais exceções do Executivo e passe a ter base legal definitiva.
O projeto em tramitação
Uma versão do projeto foi aprovada em julho pela Comissão de Comércio do Senado. O texto prevê impedir que empresas com mais de 15% de participação chinesa vendam veículos nos EUA — regra que, segundo o presidente da comissão, Ted Cruz, poderia alcançar até a Mercedes-Benz, por causa de um investimento passivo chinês de quase 20% na montadora alemã.
Os senadores Bernie Moreno, republicano de Ohio, e Elissa Slotkin, democrata de Michigan, são os autores da proposta bipartidária. O objetivo é codificar a regra existente e impedir que a Casa Branca conceda isenções a montadoras chinesas.
O texto teria restrições a softwares de conectividade a partir do ano-modelo 2027 e a componentes de hardware a partir de 2030.
Reação da China
A embaixada chinesa em Washington manifestou oposição à iniciativa. Pequim afirmou que aboliu restrições de acesso a mercado para investimento estrangeiro na manufatura e que permanece aberta a montadoras internacionais.
Para o governo chinês, a medida americana é uma barreira comercial disfarçada de preocupação com segurança. Para as montadoras ocidentais e japonesas, trata-se de uma resposta necessária a uma indústria chinesa altamente subsidiada e com capacidade de expansão global acelerada.
O que está em jogo
A aprovação da lei pode consolidar um bloqueio quase total à entrada de marcas chinesas — hoje com participação zero no mercado dos EUA — e reforçar a proteção a GM, Ford, Stellantis, Toyota, Honda, Volkswagen, Hyundai e Tesla.
Do outro lado, críticos podem apontar que a medida reduz a concorrência, encarece veículos e dificulta a adoção de elétricos mais acessíveis. O resultado dependerá da capacidade do Congresso de aprovar o texto ainda em 2026, após semanas de negociação e pressão do setor.
Montadoras que fazem parte da Alliance for Automotive Innovation nos Estados Unidos:
- Aston Martin;
- BMW;
- Bugatti;
- Ferrari;
- Ford;
- GM;
- Honda;
- Hyundai;
- Isuzu;
- Jaguar / Land Rover;
- Kia;
- Mazda;
- Mclaren;
- Mercedes-Benz;
- Mitsubishi;
- Nissan;
- Porsche;
- Stellantis;
- Subaru;
- Toyota;
- Grupo Volkswagen (Audi, Lamborghini, Bentley);
- Volvo.
“Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem risco de vigilância e colocam em desvantagem os fabricantes atuais que fizeram investimentos de longo alcance nas comunidades americanas”, afirmou John Bozzella, presidente da associação.






