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	<title>Arquivo de Carlos Monforte - BSB REVISTA</title>
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		<title>Morre jornalista Carlos Monforte que deixa legado como pioneiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Calango]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 14:21:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O jornalista Carlos Monforte morreu nesta segunda-feira (31), aos 77 anos, em decorrência de um câncer contra o qual estava em tratamento. A informação foi [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O jornalista Carlos Monforte morreu nesta segunda-feira (31), aos 77 anos, em decorrência de um câncer contra o qual estava em tratamento. A informação foi confirmada pela família e divulgada pela GloboNews, emissora onde ele trabalhou nos últimos anos de carreira. Até a última atualização desta reportagem, não haviam sido divulgados detalhes sobre o sepultamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Morte e informações oficiais</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Carlos Américo Aguiar Monforte faleceu em Brasília (DF), onde residia e atuava profissionalmente há décadas. A GloboNews informou que ele vinha enfrentando problemas de saúde e estava internado em tratamento contra um câncer, mas não detalhou a causa específica da morte. A família confirmou o óbito à emissora, que prestou as primeiras homenagens em sua programação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Trajetória profissional</h2>



<h3 class="wp-block-heading">Início no jornalismo impresso</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Nascido em Santos (SP), em 3 de julho de 1949, filho do funcionário público Américo Monforte e da dona de casa Elizabeth Monforte, Carlos Monforte começou a trabalhar como repórter ainda durante a faculdade de Jornalismo na Faculdade de Comunicação de Santos. Suas primeiras experiências foram no jornal A Tribuna, de sua cidade natal, onde cobriu o cotidiano da Baixada Santista antes mesmo de concluir o curso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Formado em 1972, integrou a equipe de A Tribuna que conquistou o Prêmio Esso Regional de 1972 com a série de reportagens &#8220;A Invasão do Continente&#8221;, sobre a ocupação e expansão urbana em direção à área continental da Baixada Santista. O trabalho, produzido com Carlos Manente, Ouhydes Fonseca e Rafael Dias Herrera, foi lembrado por ele, décadas depois, como um dos momentos mais importantes de sua trajetória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois de uma passagem como assessor de comunicação da Secretaria de Obras do Estado de São Paulo, atuou como repórter especial no jornal O Estado de S. Paulo entre 1973 e 1978. Nesse período, realizou dois cursos de aperfeiçoamento no exterior: na Universidade de Navarra, na Espanha, em 1973, e na Fundação Beauve Marie, na França, entre 1975 e 1976.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Chegada à TV Globo e pioneirismo na TV</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1978, Monforte trocou o impresso pela televisão, ingressando na TV Globo como repórter em São Paulo, convidado pelos jornalistas Luiz Fernando Mercadante, Dante Matiussi e Oswaldo Martins Filho, da redação da emissora. Foi contratado como repórter local, fazendo matérias para o Jornalismo Eletrônico e, logo depois, para o Jornal Nacional e para o Fantástico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na época, participou de coberturas importantes, como a das greves dos metalúrgicos no ABC Paulista. Com a experiência de nove anos trabalhando na redação do jornal O Estado de S. Paulo, iniciou sua carreira na emissora utilizando uma novidade na época, as Unidades Móveis. &#8220;Era o começo do link, de matérias ao vivo&#8221;, recordou-se em entrevista ao projeto Memória Globo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1982, assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e passou a editar e apresentar o Bom Dia São Paulo. &#8220;Dante Matiussi [chefe da redação de São Paulo] resolveu fazer o &#8216;Bom Dia São Paulo&#8217; com um âncora, alguém que fosse o editor-chefe e comandasse o jornal, com entrevistas&#8221;, contou Monforte.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Estreia do Bom Dia Brasil e consolidação como âncora</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em janeiro de 1983, com a criação do Bom Dia Brasil, Carlos Monforte assumiu o cargo de editor-chefe e apresentador do programa, tornando-se o primeiro telejornal matinal em rede nacional do país. A proposta inicial era tratar essencialmente de fatos políticos e econômicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O telejornal chegou a realizar, no primeiro ano, cerca de 700 entrevistas com empresários e políticos, como João Baptista Figueiredo (último presidente militar), Delfim Netto, Mário Andreazza e Ulysses Guimarães (que presidiu a Câmara dos Deputados quando foi aprovada a Constituição de 1988). Monforte esteve à frente do Bom Dia Brasil por nove anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Considerado um dos primeiros âncoras do jornalismo brasileiro, Carlos Monforte fazia uma distinção entre a função que desempenhou e a dos âncoras norte-americanos: &#8220;Âncora é uma expressão que nasceu nos Estados Unidos: anchor-man. Mas o âncora americano é o que apresenta o jornal, simplesmente. Ele não dá um palpite, não dá uma opinião, simplesmente apresenta o jornal. No Brasil, o âncora é o editor-chefe: ele comanda, diz o que entra no jornal, qual será a sequência dos blocos.&#8221;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No final da década de 1980, participou do programa Palanque Eletrônico, que reuniu os candidatos à Presidência da República nas eleições de 1989. Ao lado de Joelmir Beting, Lillian Witte Fibe, Alexandre Garcia e outros convidados, entrevistou os candidatos sobre as principais propostas para o futuro governo.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Passagem pela CNI e retorno à Globo</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Carlos Monforte deixou a Globo em 1992, para montar o departamento de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no qual permaneceu por dois anos. Em seguida, de volta à emissora, passou a trabalhar como repórter especial do Jornal da Globo em Brasília.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em setembro de 1994, foi envolvido num episódio polêmico conhecido como &#8220;escândalo da parabólica&#8221;. O então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, enquanto aguardava o início de uma entrevista com o jornalista no estúdio da Globo, afirmou que usava os indicadores econômicos positivos do Governo Federal em favor de Fernando Henrique Cardoso, candidato à Presidência pelo PSDB. O comentário, proferido em tom informal, foi captado acidentalmente por antenas parabólicas que estavam na mesma frequência do sinal emitido pela Embratel. O caso foi entendido como uma confissão de uso abusivo da máquina administrativa e acabou levando à demissão de Ricupero.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carlos Monforte foi repórter do Jornal da Globo até 1996, quando voltou a participar do Bom Dia Brasil, como âncora em Brasília. Em abril de 1997, realizou uma entrevista, exibida pelo Jornal Nacional, com o então presidente Fernando Henrique Cardoso, tratando do Movimento dos Sem-Terra. Em agosto do mesmo ano, também para o JN, produziu uma série de reportagens intitulada &#8220;Custo Brasil&#8221;, participando, ainda, da cobertura da CPI do narcotráfico e da condenação do então deputado federal Hildebrando Pascoal, em 1999.</p>



<h3 class="wp-block-heading">GloboNews e últimos anos</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1998, Monforte começou a trabalhar no programa Espaço Aberto, da GloboNews. Comandou entrevistas com personalidades importantes na vida política do país, discutindo questões como Segurança Pública, Reforma Tributária e Política, Lei de Responsabilidade Fiscal e as queimadas na Amazônia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegou a trabalhar novamente no Jornal da Globo em 1999 e, logo depois, foi para o Jornal Hoje. No final de 2000, assumiu o cargo de coordenador da GloboNews em Brasília. Foi apresentador do Jornal das Dez da capital federal e participou de outros programas, como Espaço Aberto, GloboNews Política e Fatos e Versões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carlos Monforte deixou a Globo definitivamente em 2016, após quase quatro décadas de trabalho na casa.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Legado e perfil profissional</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Monforte é considerado um dos pioneiros do formato de âncora no telejornalismo brasileiro, por acumular, desde o início dos anos 1980, as funções de editor-chefe e apresentador, participando ativamente da apuração, edição e definição das pautas exibidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua trajetória foi marcada pela cobertura política em Brasília, onde se tornou referência em análises e reportagens sobre o Planalto e o Congresso Nacional. Colegas e veículos de imprensa destacam sua passagem por alguns dos principais noticiários da Globo — Jornal Nacional, Fantástico, Jornal da Globo, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje e GloboNews — e sua contribuição para a consolidação de um jornalismo de TV com forte presença do âncora como condutor e curador das notícias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O jornalista foi descrito como um profissional de voz elegante sempre sob controle, que dava e analisava a notícia sem querer aparecer mais do que a informação, e não tratava o entrevistado como se estivesse em um julgamento público. Foi um dos primeiros apresentadores da TV brasileira com a liberdade de comentar e opinar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante a aposentadoria, ele fez viagens pelo mundo e escreveu o livro &#8220;O Papel do Jornalismo sem Papel&#8221; (Editora Matrix), a respeito das vantagens e dos perigos da comunicação digital.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Vida pessoal</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Carlos Américo Aguiar Monforte era filho do funcionário público Américo Monforte e da dona de casa Elizabeth Monforte. Natural de Santos, ele mantinha ligações afetivas com a cidade onde começou a carreira e frequentemente recordava com orgulho sua formação no jornalismo de rua, em redações regionais, antes de se tornar um dos nomes mais conhecidos do telejornalismo nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deixa a esposa, dois filhos e três netos.</p>
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