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	<title>Arquivo de História - BSB REVISTA</title>
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	<title>Arquivo de História - BSB REVISTA</title>
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		<title>Da Lava Jato às sanções dos EUA ao STF: como chegamos até aqui?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Victório Dell Pyrro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jul 2025 19:13:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Victório Dell Pyrro Brasília, 19 de julho de 2025 A escalada que levou à revogação de vistos de ministros do STF pelos Estados Unidos, [...]</p>
<p>O post <a href="https://bsbrevista.com.br/2025/07/19/da-lava-jato-as-sancoes-dos-eua-ao-stf-como-chegamos-ate-aqui/">Da Lava Jato às sanções dos EUA ao STF: como chegamos até aqui?</a> apareceu primeiro em <a href="https://bsbrevista.com.br">BSB REVISTA</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Por Victório Dell Pyrro </strong></p>



<p><br>Brasília, 19 de julho de 2025</p>



<p>A escalada que levou à revogação de vistos de ministros do STF pelos Estados Unidos, sob a iniciativa de Marco Rubio, secretário de Estado de Donald Trump tem raízes profundas no desmonte da Operação Lava Jato, na libertação de Lula, no cerco judicial a Jair Bolsonaro, nas falas políticas de magistrados e, sobretudo, nos atos de vandalismo com pedidos de intervenção militar de 8 de janeiro de 2023, que envolveram invasão do Congresso, do Planalto e do STF por manifestantes bolsonaristas. Isso tudo englobando a geopolítica com declarações do atual presidente da República nos Brics.</p>



<p><strong>De volta ao passado recente</strong></p>



<p>O desmantelamento da Lava Jato, a partir de novembro de 2019, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) vedou a execução de pena após condenação em segunda instância e permitiu a liberdade do então preso por corrupção e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi o ponto de partida dessa jornada que agora impede 8 ministros do STF e o AGU de entrarem nos EUA. </p>



<p>Em março de 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações da 13ª Vara de Curitiba, após declarar a incompetência da corte, seguida da declaração de suspeição do juiz Sérgio Moro pela Segunda Turma, com votos de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia — ação apoiada por juristas como Vanessa Chiari e entidades garantistas, que apontaram parcialidade na condução dos processos. Consequentemente, Lula recuperou direitos políticos e retornou ao poder em 2022, enquanto diversas condenações da Lava Jato deixaram de ter efeito, apesar de confissões e delações que resultaram em devoluções de dinheiro furtado superiores a R$ 6 bilhões aos cofres públicos.</p>



<p>Gente graúda do próprio PT, como o ex-ministro Antonio Palocci, confessaram o roubo.</p>



<p>A confissão de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda nos governos Lula (PT) e Dilma (PT), foi um dos marcos da Operação Lava Jato. Seu acordo de delação premiada foi homologado em 2018 pelo então juiz Sergio Moro, e os detalhes vieram a público em 2019, após o fim do sigilo. A seguir, estão os principais pontos do que ele revelou e devolveu:</p>



<p>Palocci acusou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Comandar o esquema de corrupção da Petrobras e de outras estatais, incluindo Caixa Econômica, BNDES e Ministério da Fazenda.</li>



<li>Negociar pessoalmente propinas com empreiteiras, como a Odebrecht, em troca de contratos e financiamentos bilionários.</li>



<li>Receber vantagens indevidas disfarçadas como doações eleitorais e palestras. Segundo Palocci, as palestras de Lula no exterior eram “moeda de troca” para favores no governo.</li>



<li>Conluio com Emílio Odebrecht para garantir o controle da empresa Braskem no mercado e perpetuar o financiamento de campanhas do PT.</li>



<li>Negociar diretamente valores e propinas com a Odebrecht, inclusive para garantir apoio do Congresso à reeleição de Dilma Rousseff e ao projeto de poder do partido.</li>



<li>Acusou também o ex-presidente de ter conhecimento da compra do sítio de Atibaia e do tríplex do Guarujá, além de reformas feitas com dinheiro de empreiteiras.</li>
</ol>



<h6 class="wp-block-heading">Valor devolvido por Palocci:</h6>



<p>R$ 37,5 milhões: foi o valor efetivamente devolvido por Palocci como parte do acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.</p>



<p>Esse montante representa valores de propina e enriquecimento ilícito acumulado durante sua trajetória nos governos petistas.</p>



<p>Até o encerramento da força-tarefa, em 2021, a Lava Jato havia recuperado mais de R$ 6,1 bilhões em acordos de delação e leniência.</p>



<p>O montante a ser devolvido em compromissos firmados ultrapassava R$ 14 bilhões, considerando parcelas ainda em pagamento.</p>



<p><strong>PRINCIPAIS DELATORES E VALORES DEVOLVIDOS NA LAVA JATO:</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras)</li>
</ol>



<p>Primeiro delator da Lava Jato (2014).</p>



<p>Valor devolvido: R$ 79 milhões.</p>



<ol start="2" class="wp-block-list">
<li>Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras)</li>
</ol>



<p>Revelou propinas em contratos com a Sete Brasil e outras.</p>



<p>Valor devolvido: R$ 182 milhões (um dos maiores valores individuais da Lava Jato).</p>



<ol start="3" class="wp-block-list">
<li>Antonio Palocci (ex-ministro dos governos Lula e Dilma)</li>
</ol>



<p>Acusou Lula e o PT de receberem bilhões em propina.</p>



<p>Valor devolvido: R$ 37,5 milhões.</p>



<ol start="4" class="wp-block-list">
<li>Léo Pinheiro (ex-presidente da OAS)</li>
</ol>



<p>Implicou Lula no caso do tríplex do Guarujá.</p>



<p>Firmou acordo de delação com a PGR; valor exato de devolução não informado.</p>



<ol start="5" class="wp-block-list">
<li>Marcelo Odebrecht (ex-presidente da Odebrecht)</li>
</ol>



<p>Revelou o “departamento de propinas” da empresa.</p>



<p>Valor devolvido: mais de R$ 70 milhões (pessoalmente); o grupo Odebrecht firmou acordo de leniência de<strong> R$ 2,7 bilhões</strong>.</p>



<ol start="6" class="wp-block-list">
<li>João Santana e Mônica Moura (marqueteiros do PT)</li>
</ol>



<p>Admitiram pagamentos via <strong>caixa 2 para campanhas de Lula e Dilma.</strong></p>



<p>Valor devolvido: cerca de R$ 30 milhões.</p>



<ol start="7" class="wp-block-list">
<li>Renato Duque (ex-diretor de Serviços da Petrobras)</li>
</ol>



<p>Confirmou propinas para partidos políticos.</p>



<p>Valor devolvido: R$ 20 milhões.</p>



<ol start="8" class="wp-block-list">
<li>Fernando Baiano (lobista)</li>
</ol>



<p>Articulava contratos entre empreiteiras e a Petrobras.</p>



<p>Valor devolvido: R$ 25 milhões.</p>



<ol start="9" class="wp-block-list">
<li>Milton Pascowitch (lobista)</li>
</ol>



<p>Intermediário entre a Engevix e a campanha de Dilma.</p>



<p>Valor devolvido: R$ 10 milhões.</p>



<ol start="10" class="wp-block-list">
<li>Executivos da Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, UTC, Engevix e outras</li>
</ol>



<p>Mais de uma dezena de delatores entre empresários e diretores de empreiteiras.</p>



<p><strong>Valores devolvidos por empresas (leniência): UTC (R$ 574 milhões), Camargo Corrêa (R$ 700 milhões), Andrade Gutierrez (R$ 1 bilhão).</strong></p>



<p>Já a “Vaza Jato” teve papel decisivo na narrativa judicial do STF para enterrar a maior investigação contra corruptos no Brasil.</p>



<p>Em 2019, o hacker Walter Delgatti Neto vazou mensagens trocadas entre o então juiz Moro e procuradores, divulgadas por veículos como The Intercept Brasil, incluindo diálogos oferecidos pela deputada de esquerda Manuela D’Ávila. Para críticos, o episódio evidenciou conluio ilegal entre Moro e Ministério Público, servindo de base para as decisões de nulidade do STF.</p>



<p>Nesse cenário, o ministro Gilmar Mendes foi frequentemente decisivo em favor de Lula, suspendendo até processos fiscais fundamentados nas operações da Lava Jato e reforçando a impressão da direita, que culminou nos protestos de vandalismo.</p>



<p>Ah de se destacar que apesar de ser eleito e representante da direita, Bolsonaro teve papel importante para determinar o estrangulamento da Lava Jato.  </p>



<p>O papel do ex-presidente Jair Bolsonaro no enfraquecimento e posterior desmonte da Operação Lava Jato foi complexo e cheio de contradições. Embora tenha sido eleito com um discurso anticorrupção e tenha convidado o juiz símbolo da Lava Jato, Sergio Moro, para ser seu ministro da Justiça, Bolsonaro acabou, na prática, sendo um dos principais agentes de esvaziamento político e institucional da operação. </p>



<p>A seguir, uma descrição cronológica e detalhada desse processo:</p>



<p><strong>2018: a eleição com base no discurso anticorrupção</strong></p>



<p>Bolsonaro venceu a eleição presidencial de 2018 com forte apoio de setores que defendiam a Lava Jato. Seu eleitorado via a operação como símbolo de moralização da política.</p>



<p>A nomeação de Sergio Moro como ministro da Justiça e Segurança Pública foi vista como um gesto claro de compromisso com o combate à corrupção.</p>



<p>2019: o início das tensões</p>



<p>Como ministro, Moro tentou aprovar medidas anticrime e anticorrupção, mas enfrentou resistência dentro do próprio governo, inclusive do Congresso aliado a Bolsonaro.</p>



<p>Bolsonaro passou a minar a autonomia de Moro, especialmente no controle da Polícia Federal, que era responsável por investigações sensíveis, inclusive envolvendo aliados do presidente.</p>



<p>O então presidente também elogiava e se reaproximava do Centrão, grupo político duramente atingido pela Lava Jato.</p>



<p>2020: fritura e demissão de Moro</p>



<p>Em abril de 2020, Moro pediu demissão acusando Bolsonaro de interferência política na Polícia Federal, especialmente após a troca do diretor-geral da corporação.</p>



<p>A saída de Moro enfraqueceu a imagem anticorrupção do governo e marcou a ruptura definitiva entre o ex-juiz e Bolsonaro.</p>



<p>No mesmo ano, o procurador Deltan Dallagnol, um dos líderes da Lava Jato em Curitiba, passou a ser atacado por bolsonaristas nas redes sociais, com apoio de parlamentares da base.</p>



<p>2020–2021: o desmonte institucional da Lava Jato</p>



<p>Em fevereiro de 2021, o então procurador-geral da República Augusto Aras, nomeado por Bolsonaro fora da lista tríplice, extinguiu oficialmente a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, incorporando-a ao Gaeco.</p>



<p>Bolsonaro elogiou o fim da operação:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Não tem mais corrupção no meu governo, por isso a Lava Jato não tem mais razão de existir.&#8221;</p>
</blockquote>



<p>Em paralelo, o STF passou a julgar a suspeição de Sergio Moro e posteriormente anulou as condenações de Lula, com votos de ministros que foram duramente criticados por bolsonaristas em 2019, mas passaram a ser poupados por parte da base bolsonarista após a saída de Moro do governo.</p>



<p>Ao final de seu governo, a Operação Lava Jato havia sido desmobilizada, descredibilizada por narrativas políticas de ambos os lados (esquerda e direita), e os principais agentes da operação — Moro e Dallagnol — estavam politicamente isolados ou judicialmente perseguidos.</p>



<p>Em 2023, ambos perderiam força política: Dallagnol foi cassado pelo TSE, e Moro passou a ser alvo de processos no STF e no CNJ.</p>



<p><strong>Feitiço virou contra o feiticeiro </strong></p>



<p>Entre 2022–2024, o ministro Alexandre de Moraes encampou várias medidas de restrição digital: multas e bloqueios de perfis ligados a apoiadores de Bolsonaro nas redes X, Facebook e Telegram, amplamente criticados por The Wall Street Journal, The New York Times e pela Electronic Frontier Foundation como censura digital.</p>



<p>Esses perfis criticavam decisões do STF que favoreceram Lula e após as eleições até questionavam a lisura do pleito que derrotou Bolsonaro em 2022.</p>



<p>Em 2023, revelou-se que essas ações se estendiam a perfis hospedados fora do Brasil — controle jurisdicional além das fronteiras, segundo as big techs. Em 2024, Moraes incluiu Elon Musk em inquérito e impôs multa diária de R$ 100 mil após ele restaurar contas bloqueadas; o episódio alcançou repercussão no Congresso dos EUA, evidenciando tensão internacional.</p>



<p>A briga entre Elon Musk e o ministro Alexandre de Moraes começou a se desenhar após a aquisição do Twitter (atual X) por Musk em outubro de 2022. </p>



<p>Em 27 de outubro de 2022, Elon Musk concluiu a compra do Twitter por US$ 44 bilhões, prometendo que a rede social voltaria a ser uma “praça pública” com mais liberdade de expressão.</p>



<p>Musk demitiu a equipe de moderação de conteúdo e promoveu mudanças nas políticas internas da plataforma. </p>



<p>A tensão escalou publicamente em abril de 2024, mas tem raízes mais profundas no debate sobre liberdade de expressão, censura e as decisões do STF contra perfis conservadores no Brasil. Musk acusou Moraes de ser ditador e mandar o antigo Twitter derrubar contas da direita brasileira em favorecimento a Lula e à esquerda.</p>



<p>O STF não se limitou à repressão digital do que considerava afronta à democracia. Em novembro de 2022, durante evento do Grupo LIDE em Nova York, Barroso reagiu a um apoiador bolsonarista com a frase “<strong>Perdeu, mané, não amola</strong>”, expressão que viralizou e foi relembrada nos atos de 8 de janeiro de 2023, escrita em batom na estátua “A Justiça”, em frente ao STF por uma manicure condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro, incluindo crimes como abolição do Estado Democrático de Direito e dano qualificado, apesar de nãoter adentrado nenhuma das sedes dos Três Poderes.&nbsp;Ela está cumprindo pena em regime domiciliar desde março, depois de deixar o sistema prisional.&nbsp;</p>



<p>A frase de Barroso é considerada antidemocrática, especialmente quando dita por um juiz que não deveria se posicionar em favor de uma ideologia em desfavor de outra.</p>



<p>Meses depois, em julho de 2023, enquanto presidia o TSE, Barroso declarou na UnB em Brasília que “nós derrotamos o bolsonarismo…”. A posição política de esquerda do ministro provocou duras críticas, inclusive do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que a qualificou como “infeliz, inoportuna e inadequada” e exigiu retratação, alertando para eventuais pedidos de impedimento em processos envolvendo Bolsonaro. Barroso nunca se declarou suspeito para julgar processos relativos.</p>



<p>O ponto de virada para violência ocorreu em 8 de janeiro de 2023, quando cerca de 4 mil manifestantes bolsonaristas invadiram o Congresso, o Planalto e o STF em tentativa explícita de golpe. O relator do processo aberto no STF, Alexandre de Moraes classificou os fatos como “terrorismo institucional”. Até julho de 2025, <strong>1.687 pessoas</strong> haviam sido identificadas e processadas, de forma crescente. Em março de 2025, novas condenações elevaram o número de réus sentenciados em aproximadamente 480, com <strong>penas que variam de um a 17 anos</strong> de prisão, incluindo multas, proibição de uso de redes sociais e suspensão de direitos políticos. O senador Sérgio Moro manifestou preocupação com o rigor das penalidades, sugerindo revisão ou anistia a alguns condenados e defendeu a Lava Jato dos ataques sofridos pela operação, no STF.</p>



<p><strong>A recente escalada aconteceu com a entrada de Eduardo Bolsonaro na crise.</strong></p>



<p>A entrada do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na briga contra o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes, foi gradual, ideológica e estratégica. Ao longo do tempo, ele radicalizou o discurso, se tornando um dos principais porta-vozes da ala bolsonarista contra o Judiciário e ganhando notoriedade internacional por suas declarações e articulações.</p>



<p>Ainda em 2019, Eduardo já manifestava desconfiança em relação ao STF, especialmente após decisões que barravam investigações contra políticos e críticas à Lava Jato.</p>



<p>Na esteira da saída de Sergio Moro do governo (2020), Eduardo começou a reiterar que o Judiciário era um “obstáculo” à pauta anticorrupção, principalmente pela atuação de ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.</p>



<p>Em uma das falas mais polêmicas de sua carreira, Eduardo Bolsonaro sugeriu a adoção de “um novo AI-5” (o ato institucional mais duro da ditadura militar) caso a esquerda “radicalizasse” no Brasil.</p>



<p>A declaração gerou forte reação de ministros do STF, do Congresso e da sociedade civil. Foi vista como ameaça autoritária e acabou sendo usada como argumento futuro por Moraes e outros ministros para monitorar e investigar bolsonaristas.</p>



<p>Com o avanço dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos no STF, Eduardo passou a atacar Alexandre de Moraes diretamente, chamando-o de “ditador” e “censor”.</p>



<p>Criticou abertamente a censura a parlamentares aliados, como Daniel Silveira, e apoiou os atos de 7 de Setembro de 2021, nos quais seu pai chegou a dizer que não mais cumpriria ordens de Moraes (fala depois recuada em nota escrita pelo ex-presidente Michel Temer, que havia indicadoMoraes ao STF.</p>



<p><strong>Articulação internacional contra Moraes (2022–2024)</strong></p>



<p>Eduardo intensificou sua atuação internacional, especialmente nos Estados Unidos, denunciando supostos abusos de poder do STF.</p>



<p>Participou de eventos conservadores, como a CPAC, e fez articulações com parlamentares norte-americanos, como Marjorie Taylor Greene, Matt Gaetz e Marco Rubio.</p>



<p>Foi peça-chave nos bastidores da construção da carta enviada ao Departamento de Estado dos EUA em 2024, que alertava sobre violações de direitos civis e censura no Brasil — foco das sanções anunciadas por Rubio em julho de 2025 contra ministros do STF.</p>



<p>Mesmo após a condenação de bolsonaristas envolvidos nos atos do 8 de janeiro, Eduardo nunca admitiu que houve tentativa de golpe, tratando os presos como “manifestantes” e “injustiçados”.</p>



<p>Reiterou diversas vezes que Moraes usava o inquérito para “perseguir opositores políticos” e chegou a questionar a legalidade das prisões preventivas e das quebras de sigilo autorizadas pelo STF.</p>



<p>Eduardo foi um dos principais aliados de Elon Musk na divulgação dos Twitter Files Brasil, que revelaram ordens de censura enviadas por Moraes e TSE à plataforma X.</p>



<p>Aproveitou o embalo das denúncias para reforçar a ideia de que Moraes “instaurou uma ditadura judicial” e que o Brasil precisava ser denunciado internacionalmente.</p>



<p>Seus vídeos criticando o STF viralizaram nas redes sociais da direita global, e ele passou a ser um referência internacional de oposição ao Judiciário brasileiro.</p>



<p><strong>Trump entrou no circuito</strong> </p>



<p>A escalada da crise entre os Estados Unidos e o governo brasileiro — especialmente envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), Elon Musk, Jair Bolsonaro e, mais recentemente, as sanções do senador Marco Rubio — ganhou novo fôlego a partir de movimentações geopolíticas de Luiz Inácio Lula da Silva e de articulações internacionais de Donald Trump.</p>



<p>A tensão se intensificou com o fator Trump-Bolsonaro após os anúncios de Lula sobre o BRICS e uma moeda alternativa ao dólar.</p>



<p>Durante uma reunião dos países do BRICS em abril de 2023, o presidente Lula da Silva voltou a defender com firmeza a criação de uma moeda comum entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A proposta:</p>



<p>Sugeriria reduzir a dependência do dólar americano no comércio internacional.</p>



<p>Ganhou apoio da China e da Rússia, mas gerou forte reação nos bastidores de Washington.</p>



<p>Foi lida por setores do governo norte-americano, especialmente o campo conservador ligado a Donald Trump, como um posicionamento do Brasil contra os interesses ocidentais.</p>



<p>Trump Classificou o BRICS como “aliança de inimigos da liberdade ocidental”.</p>



<p>Disse que “o Brasil caiu nas mãos de um sistema corrupto controlado por juízes ativistas e comunistas”.</p>



<p>Fez críticas indiretas à Suprema Corte brasileira, alinhando-se com críticas já feitas por Elon Musk, Tucker Carlson e senadores republicanos.</p>



<p>A partir de 2023, Trump retomou contato político com Jair Bolsonaro, que estava nos EUA desde o fim do mandato. Com isso:</p>



<p>Bolsonaro passou a frequentar eventos conservadores nos EUA e a conceder entrevistas em que reforçava a narrativa de “perseguição política” e censura no Brasil.</p>



<p>Donald Trump o trata como “vítima de uma fraude e de uma justiça ideologizada”.</p>



<p>Quando Elon Musk passou a divulgar os Twitter Files Brasil em abril de 2024, denunciando ordens secretas de censura por parte do ministro Alexandre de Moraes, Trump reagiu publicamente:</p>



<p>Disse que Musk estava “expondo a ditadura do Judiciário brasileiro”.</p>



<p>Reforçou que o Brasil precisava ser investigado por supressão de liberdades civis.</p>



<p>Eduardo Bolsonaro atuou como interlocutor direto entre congressistas norte-americanos e a oposição brasileira.</p>



<p>Jair Bolsonaro, mesmo sob investigação no Brasil, foi alçado ao posto de mártir do conservadorismo mundial, retratado como vítima de um “regime judicial”.</p>



<p>Vídeos, falas e aparições conjuntas com Trump e com líderes da direita europeia consolidaram Bolsonaro como um símbolo da narrativa contra o “globalismo judiciário” — ideia defendida por Steve Bannon e outros ideólogos da nova direita.</p>



<p>No âmbito do cerco judicial denunciado pelo entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, em julho de 2025 o STF determinou busca e apreensão em sua residência, apreensão do passaporte, impôs uso de tornozeleira, restrição de redes sociais e contato com agentes internacionais, alegando tentativa de golpe e articulação política com dissidentes americanos. </p>



<p>Em julho de 2025, como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump determinou a aplicação de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros como carne bovina, aço, suco de laranja e couro, afetando diretamente setores centrais da economia nacional. </p>



<p>Trump já estava cumprindo promessas de campanha de taxar produtos do mundo todo. A decisão foi anunciada oficialmente pela Casa Branca no dia 18 de julho de 2025, e o próprio Trump justificou a medida com base em razões ideológicas, comerciais e geopolíticas.</p>



<p>A medida de Trump não foi apenas comercial, mas política. Ele vinculou as tarifas a três fatores principais:</p>



<p>A aproximação do governo Lula com a China e a Rússia no âmbito do BRICS, especialmente após falas sobre uma moeda alternativa ao dólar;</p>



<p>A percepção de que o Brasil rompeu com os EUA em temas como liberdade de expressão, propriedade privada e aliança estratégica no continente;</p>



<p>O uso de tecnologia e dados sensíveis compartilhados com potências rivais, segundo relatório apresentado por aliados republicanos.</p>



<p><strong>Governo brasileiro dobra aposta</strong>.</p>



<p>Logo após o anúncio das tarifas — que atingem setores como carne, aço e suco de laranja —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com ironia e deboche em uma entrevista a jornalistas no Palácio do Alvorada, no dia 18 de julho de 2025. Ele disse:</p>



<p>“Ele [Trump] deve estar com saudade da picanha brasileira. Vai ter que comer hambúrguer com tarifa.”</p>



<p><strong>Lula imitou Trump: </strong></p>



<p>“Qual é a lógica dele [Trump]? ‘Ah, não processem o Bolsonaro, parem com isso imediatamente!.’ Mandou o filho dele [Eduardo] para os EUA pedir por isso.”, ironizou Lula a Trump, Eduardo e Bolsonaro.</p>



<p><strong>STF dobra aposta</strong></p>



<p>Ontem, sexta-feira (19) o STF fez uma operação com a Polícia Federal determinando uso de tornozeleira eletrônica para Bolsonaro e outras restrições de liberdade.</p>



<p><strong>Os EUA reagiram imediatamente</strong></p>



<p>Essas ações brasileiras levaram, na noite de ontem, 18 de julho de 2025, à sanção externa por Marco Rubio, que determinou revogação de vistos de Alexandre de Moraes, Barroso, Gilmar Mendes, Fachin, Flávio Dino, Fux, Zanin e Cármen Lúcia, bem como de seus familiares, por suposta violação de direitos políticos e censura política de cidadãos americanos. Rubio acusou os ministros de liderarem uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, abrangendo supressão digital, perseguição legal e abusos judiciais.</p>



<p>O presidente Lula reagiu hoje, sábado (20), definindo a sanção como “chantagem política inadmissível” que fere a soberania nacional. A OAB e a Advocacia-Geral da União reforçaram que o Judiciário brasileiro não se curvará a pressões externas. Já Donald Trump, por meio de aliados em Washington, anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e aprovou ambiente político favorável a Bolsonaro.</p>



<p>Este ciclo de acontecimentos refrata uma crise institucional e diplomática que mistura judicialização da política, censura digital, falas políticas de magistrados, repressões sistêmicas e retaliação externa. A convergência desses eventos, somados às consequências que recairão sobre o sistema político até 2026, sinaliza um ponto de ruptura na história contemporânea do Judiciário brasileiro. A resposta ao impasse determinará os contornos do equilíbrio de poder e da soberania institucional do Brasil em pleno século XXI.</p>
<div id="bsbre-227210290" class="bsbre-depois-do-conteudo-2 bsbre-entity-placement" style="clear: both;"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Carro-e-Cia-quadrado.jpg" alt=""  srcset="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Carro-e-Cia-quadrado.jpg 1048w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Carro-e-Cia-quadrado-600x600.jpg 600w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Carro-e-Cia-quadrado-1024x1024.jpg 1024w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Carro-e-Cia-quadrado-60x60.jpg 60w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Carro-e-Cia-quadrado-768x768.jpg 768w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Carro-e-Cia-quadrado-900x900.jpg 900w" sizes="(max-width: 1048px) 100vw, 1048px" width="1048" height="1048"   /></div><br style="clear: both; display: block; float: none;"/><div id="bsbre-2477795161" class="bsbre-depois-do-conteudo bsbre-entity-placement"><img decoding="async" src="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Vale-das-cachoeiras-anuncio-Bsb-Revista.jpg" alt=""  srcset="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Vale-das-cachoeiras-anuncio-Bsb-Revista.jpg 937w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Vale-das-cachoeiras-anuncio-Bsb-Revista-600x321.jpg 600w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Vale-das-cachoeiras-anuncio-Bsb-Revista-768x411.jpg 768w" sizes="(max-width: 937px) 100vw, 937px" width="937" height="502"   /></div><p>O post <a href="https://bsbrevista.com.br/2025/07/19/da-lava-jato-as-sancoes-dos-eua-ao-stf-como-chegamos-ate-aqui/">Da Lava Jato às sanções dos EUA ao STF: como chegamos até aqui?</a> apareceu primeiro em <a href="https://bsbrevista.com.br">BSB REVISTA</a>.</p>
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		<title>O que aconteceu com a cruz em que Jesus morreu?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Mar 2024 16:44:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cruz]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus]]></category>
		<category><![CDATA[Morreu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que aconteceu com a cruz em que Jesus morreu?</p>
<p>O post <a href="https://bsbrevista.com.br/2024/03/31/o-que-aconteceu-com-a-cruz-em-que-jesus-morreu/">O que aconteceu com a cruz em que Jesus morreu?</a> apareceu primeiro em <a href="https://bsbrevista.com.br">BSB REVISTA</a>.</p>
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<h6 class="wp-block-heading">Diversas igrejas ao redor do mundo afirmam ter um fragmento da chamada &#8216;verdadeira cruz&#8217;. Mas como elas conseguiram essas relíquias?</h6>



<p><strong>Põe BBC de Londres</strong></p>



<p>Segundo a história em que os cristãos se baseiam, Jesus de Nazaré morreu crucificado por ordem do então prefeito romano da Judeia, Pôncio Pilatos.</p>



<p>A jornada dele até aquela morte uma série de episódios conhecida como Paixão de Cristo é um dos elementos centrais das comemorações da Semana Santa.</p>



<p>A crucificação é tão simbólica para o cristianismo que a cruz acabou se tornando o símbolo das religiões que professam devoção à figura de Jesus Cristo.</p>



<h6 class="wp-block-heading">Mas o que aconteceu com a cruz originalonde Cristo morreu?</h6>



<p>Dezenas de mosteiros e igrejas em todo o mundo afirmam ter pelo menos um pedaço da chamada &#8220;verdadeira cruz&#8221; nos altares, para louvor dos seus fiéis.</p>



<p>E muitos deles baseiam a veracidade da origem dessas relíquias em textos dos séculos 3 e 4, que narram a descoberta em Jerusalém do pedaço de madeira onde Jesus Cristo foi executado pelos romanos.</p>



<p>&#8220;Essa história, que inclui o imperador romano Constantino e a mãe dele, Helena, foi o ponto inicial dessa trajetória da cruz de Cristo, que sobrevive até hoje&#8221;, explica Candida Moss, professora de História dos Evangelhos e Cristianismo Primitivo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.</p>



<p>Ela baseia-se nos escritos de historiadores antigos como Gelásio de Cesareia e Tiago de Vorágine. Mas, para muitos historiadores de hoje, eles não determinam a autenticidade dos pedaços de madeira que vemos em vários templos ao redor do mundo — nem podem servir como confirmação da origem dessas relíquias.</p>



<p>&#8220;É muito provável que aquele pedaço de madeira não seja a cruz onde Jesus foi crucificado, porque muitas coisas poderiam ter acontecido com esse objeto. Por exemplo, os romanos podem tê-lo reutilizado para outra crucificação, em outro lugar e com outras pessoas&#8221;, raciocina Moss.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://s2-g1.glbimg.com/kfPBvqzQpUw0EJIz2YcpXXx0o2E=/0x0:800x450/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/o/i/EKF3C5RA63tnMC4FLJkQ/foto-2-a-cruz-tambem-simboliza-o-sofrimento-de-jesus-antes-da-morte-segundo-o-relato-das-homilias.jpg" alt="A cruz também simboliza o sofrimento de Jesus antes da morte, segundo o relato das homilias — Foto: Getty Images via BBC"/><figcaption class="wp-element-caption">A cruz também simboliza o sofrimento de Jesus antes da morte, segundo o relato das homilias — Foto: Getty Images via BBC</figcaption></figure>



<p>Mas, então, como surgiu a história da &#8220;verdadeira cruz&#8221; e por que existem tantas peças que supostamente fazem parte da madeira &#8220;original&#8221;?</p>



<p>&#8220;(Isso se deve ao) desejo de ter uma proximidade física com algo que acreditamos&#8221;, responde o historiador Mark Goodacre, especialista em Novo Testamento da Universidade Duke, nos Estados Unidos.</p>



<p>&#8220;As relíquias cristãs são mais um desejo do que algo verdadeiro&#8221;, diz ele.Reproduzir vídeo</p>



<p>Na narrativa do Evangelho, após a morte de Jesus na cruz, o corpo dele foi levado para um túmulo onde hoje é a Cidade Velha de Jerusalém.</p>



<p>E, durante quase 300 anos, não houve menção alguma ao pedaço de madeira usado na crucificação.</p>



<p>Foi por volta do século 4 que o bispo e historiador Gelásio de Cesaréia publicou um relato em seu livro <em>A História da Igreja</em> sobre a descoberta em Jerusalém da &#8220;verdadeira cruz&#8221; por Helena, uma santa da Igreja Católica.</p>



<p>Helena também era mãe do imperador romano Constantino, que impôs o Cristianismo como religião oficial do império.</p>



<p>A história, referenciada por outros historiadores e por escritores como Tiago de Voragine no livro&nbsp;<em>Lenda Dourada,&nbsp;</em>do século 13, indica que Helena, enviada pelo filho para encontrar a cruz de Cristo, foi levada para um local próximo do Monte Gólgota, onde Jesus foi supostamente crucificado. Havia ali três cruzes.</p>



<p>Algumas versões indicam que Helena, ao duvidar de qual seria a cruz verdadeira, colocou uma mulher doente próxima de cada uma das cruzes e aquela que curou a mulher foi considerada a autêntica.</p>



<p>Outros historiadores afirmam que a &#8220;cruz verdadeira&#8221; foi reconhecida porque era a única das três que apresentava sinais de ter sido usado para uma crucificação com pregos.  </p>



<p>Segundo o Evangelho de João, Jesus foi o único que foi crucificado com esse método naquele dia.</p>



<p>&#8220;Toda essa história faz parte do desejo por relíquias que começou a ocorrer no cristianismo durante os séculos 3 e 4&#8221;, contextualiza Goodacre.</p>



<p>O acadêmico destaca que os primeiros cristãos não tinham como foco a busca ou a preservação desse tipo de objeto como fonte de devoção.</p>



<p>&#8220;Nenhum cristão durante o primeiro século colecionava relíquias de Jesus&#8221;, destaca ele.</p>



<p>&#8220;À medida que o tempo passou e o cristianismo se expandiu pelo mundo naquela época, os seguidores da religião começaram a criar formas de ter alguma conexão física com a pessoa que consideram o salvador&#8221;, acrescenta o acadêmico.</p>



<p>A origem da busca por essas relíquias tem muito a ver com os mártires.</p>



<p>Segundo historiadores, o culto aos santos começou a ser uma tendência dentro da Igreja Católica. Desde cedo, por exemplo, se estabeleceu que os ossos dos mártires eram evidências do &#8220;poder de Deus operando no mundo&#8221;, pois eles supostamente produziam milagres que &#8220;provavam&#8221; a eficácia da fé.</p>



<p>E, como Jesus ressuscitou, não foi possível procurar os ossos dele: segundo a Bíblia, depois de três dias no túmulo, o regresso de Cristo à vida e a posterior &#8220;ascensão ao céu&#8221; foram corporais.</p>



<p>Com isso, só restaram os objetos, como a cruz e a coroa de espinhos, entre outros.</p>



<p>&#8220;Esse período de tempo, quase três séculos após a morte de Jesus, é o que torna improvável que os objetos encontrados em&nbsp;<a class="" href="http://g1.globo.com/mundo/israel/cidade/jerusalem.html">Jerusalém</a>, como a cruz onde ele morreu ou a coroa de espinhos, sejam autênticos&#8221;, observa Goodacre. .</p>



<p>&#8220;Se isso tivesse sido feito pelos primeiros cristãos, que tiveram um contato mais próximo com os acontecimentos, poderíamos falar na possibilidade de que fossem reais, mas não foi assim que aconteceu.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading">Relíquias para encher um navio</h2>



<p>Parte da cruz entregue à missão capitaneada por Helena foi levada para Roma (o outro pedaço permaneceu em&nbsp;<a class="" href="http://g1.globo.com/mundo/israel/cidade/jerusalem.html">Jerusalém</a>). Segundo a tradição, grande parte dos restos de madeira está preservada na Basílica de Santa Cruz, na capital italiana.</p>



<p>Com o &#8220;descobrimento&#8221; e a expansão do cristianismo pela Europa durante a Idade Média, a cruz se tornou o símbolo universal da religião. Nesse período, iniciou-se também a multiplicação de fragmentos da cruz, que foram parar em outros templos.</p>



<p>Esses pedaços são conhecidos como&nbsp;<em>lignum crucis</em>&nbsp;(&#8220;madeira da cruz&#8221;, em latim).</p>



<p>Além da Basílica da Santa Cruz, as catedrais de Cosenza, Nápoles e Gênova, na&nbsp;<a class="" href="https://g1.globo.com/tudo-sobre/italia/">Itália</a>, o mosteiro de Santo Turíbio de Liébana (que tem a peça maior), Santa Maria dels Turers e a Basílica de Vera Cruz, na&nbsp;<a class="" href="https://g1.globo.com/tudo-sobre/espanha/">Espanha</a>, afirmam ter um fragmento do tronco onde Jesus Cristo foi executado.</p>



<p>A Abadia de Heiligenkreuz, na&nbsp;<a class="" href="https://g1.globo.com/tudo-sobre/austria/">Áustria</a>, também guarda uma peça. Outro segmento muito importante está na Igreja da Santa Cruz, em&nbsp;<a class="" href="http://g1.globo.com/mundo/israel/cidade/jerusalem.html">Jerusalém</a>.</p>



<p>Junto com as evidências físicas, os concílios de Niceia, no século 4, e de Trento, no século 16, deram validade espiritual à devoção destas relíquias.</p>



<p>Devido à perseguição, os primeiros cristãos não guardaram muitos objetos relacionados à presença física de Jesus, afirmam historiadores — Foto: Getty Images via BBC</p>



<p>Um tratado católico de 1674 afirma: &#8220;O sentido religioso do povo cristão encontrou, em todos os tempos, uma expressão em formas variadas de piedade em torno da vida sacramental da Igreja com a veneração das relíquias.&#8221;</p>



<p>Esses registros também indicam que as próprias relíquias não são &#8220;objetos de salvação&#8221;, mas meios para alcançar intercessão e &#8220;benefícios por meio de Jesus Cristo, seu Filho, nosso Senhor, que é nosso redentor e salvador&#8221;.</p>



<p>Da mesma forma, a multiplicidade de fragmentos foi questionada na época por diversos pensadores.</p>



<p>O teólogo francês João Calvino destacou no século 16, em meio a um&nbsp;<em>boom</em>&nbsp;no tráfico de relíquias onde pedaços da chamada &#8220;verdadeira cruz&#8221; foram espalhados por igrejas e mosteiros, que, &#8220;se quiséssemos recolher tudo o que foi encontrado (da cruz), haveria o suficiente para encher um grande navio&#8221;.</p>



<p>No entanto, esta afirmação foi posteriormente refutada por vários teólogos e cientistas ao longo da História.</p>



<p>Recentemente, Baima Bollone, professor da Universidade de Turim, na <a href="https://bsbrevista.com.br/2022/07/27/derretimento-de-geleiras-redesenha-fronteira-entre-italia-e-suica/">Itália</a>, destacou num estudo que, se todos os fragmentos que afirmam fazer parte da cruz de Cristo fossem reunidos, &#8220;só conseguiríamos restaurar 50% do tronco principal&#8221;.</p>



<h6 class="wp-block-heading">A história sobre fragmentos da cruz onde Jesus foi crucificado é verdadeira?</h6>



<p>&#8220;É muito provável que Helena tenha encontrado um pedaço de madeira, mas o que também é muito provável é que alguém o tenha colocado naquele local para dar ideia de que aquela era a cruz onde Jesus morreu&#8221;, pondera Moss.</p>



<p>O acadêmico indica que há outra dificuldade em comprovar se estas peças realmente pertenceram, pelo menos, a uma crucificação ocorrida no tempo de Cristo.</p>



<p>&#8220;Por exemplo, a datação por carbono, que seria uma das primeiras coisas a se fazer num caso desses, é cara. Uma igreja de porte médio não tem fundos para realizar este tipo de trabalho&#8221;, diz ele.</p>



<p>Mesmo que fosse possível financiar tal estudo, a investigação pode afetar a integridade da relíquia.</p>



<p>&#8220;A datação por carbono é considerada intrusiva e um tanto destrutiva. Mesmo que seja necessária apenas cerca de 10 miligramas de madeira, esse processo ainda envolve o corte de um objeto sagrado&#8221;, observa Moss.</p>



<p>Em 2010, o pesquisador americano Joe Kickell, membro do Comitê de Investigação Cética, conduziu um estudo para determinar a origem das lascas que eram consideradas parte da &#8220;verdadeira cruz&#8221;.</p>



<p>&#8220;Não há uma única evidência que apoie que a cruz encontrada por Helena em <a href="https://bsbrevista.com.br/2023/03/27/protestos-em-israel-aeroporto-de-tel-aviv-suspende-operacoes/">Jerusalém</a>, ou por qualquer outra pessoa, venha da verdadeira cruz onde Jesus morreu&#8221;, escreveu Kickell num artigo.</p>



<p>Tanto para Moss quanto para Goodacre, a possibilidade de encontrar a verdadeira cruz de Cristo é muito remota.</p>



<p>&#8220;Teríamos que fazer um trabalho arqueológico, não teológico. E, mesmo assim, seria muito improvável encontrar uma madeira de mais de dois milênios atrás&#8221;, especula Goodacre.</p>



<p>Nesse sentido, para Moss as dificuldades vêm até do objeto a ser procurado.</p>



<p>&#8220;Tanto em grego como em latim, a palavra cruz se refere a uma árvore ou a uma vara vertical onde se praticava tortura&#8221;, explica o historiador.</p>



<p>&#8220;Ou seja, possivelmente estamos falando de um único pedaço de madeira ou estaca, — e não do símbolo que conhecemos atualmente&#8221;, conclui ele.</p>
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