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	<title>Arquivo de Misofonia - BSB REVISTA</title>
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	<title>Arquivo de Misofonia - BSB REVISTA</title>
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		<title>Misofonia, transtorno que afasta crianças e jovens dos pais e pode devastar famílias,  está sendo melhor compreendido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Aug 2022 10:47:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há aqueles que não suportam nem os sons mais simples e têm reações físicas e psicológicas extremas que impactam sua vida e a de seus [...]</p>
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<h4 class="wp-block-heading">Há aqueles que não suportam nem os sons mais simples e têm reações físicas e psicológicas extremas que impactam sua vida e a de seus familiares. Nesta reportagem, duas mulheres contam como tiveram suas vidas afetadas pela misofonia.</h4>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://s2.glbimg.com/XX1zfv_-_Cl1w4Sb6H86vPKJXps=/48x48/smart/filters:strip_icc()/s2.glbimg.com/hmaHHrcngArLTTw6SlfsHUxYdZE%3D/200x0/filters%3Aquality%2870%29/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/O/W/HwkTzFSHWacfk1GndHhg/bbc-news-tile-hr-rgb.jpg" alt="TOPO"/></figure>



<p><a rel="noreferrer noopener" href="http://www.bbc.com/portuguese" target="_blank"></a>Por BBC</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://s2.glbimg.com/6Gq3yehS6v9pG5h4-WNO3a66dvY=/0x0:619x343/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/r/c/Fw8U1qQvWBZe6cMpBr9A/misofonia1.png" alt=" — Foto: GETTY IMAGES"/><figcaption><strong>Sons simples incomodam</strong></figcaption></figure>



<p></p>



<p>É muito provável que o ranger de unhas arranhando um quadro ou um vidro metálico lhe dê arrepios, como acontece com muitos de nós. Às vezes basta imaginar essa situação para sentir o incômodo.</p>



<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMG-20220318-WA0004-1024x172.jpg" alt="Carro &amp; Cia" class="wp-image-250" width="368" height="62" srcset="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMG-20220318-WA0004-1024x172.jpg 1024w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMG-20220318-WA0004-300x50.jpg 300w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMG-20220318-WA0004-768x129.jpg 768w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/03/IMG-20220318-WA0004.jpg 1280w" sizes="(max-width: 368px) 100vw, 368px" /><figcaption><strong>Carro &amp; Cia, o melhor em atendimento e satisfação</strong></figcaption></figure>



<p>São sons de alta frequência e são tão desagradáveis ​​ao ouvido humano que podem causar reações negativas no cérebro, alterando temporariamente o humor e o controle do indivíduo.</p>



<p>Mas imagine se você não suportasse um som simples, como um estalar de lábios, ou um suspiro, ou alguém mastigando, e sua primeira reação fosse atacar a fonte daquele som ou correr para se esconder?</p>



<p>É o que acontece com quem sofre de misofonia, um transtorno investigado há poucos anos e que envolve sensibilidade e reatividade a estímulos sonoros que, no nível mais grave, podem ser devastadores para quem sofre e seus familiares.</p>



<p>A BBC coletou as experiências dolorosas d mulheres cujas vidas foram afetadas por esse mal: a mãe de um jovem com o transtorno e outra que sofre com isso desde criança.</p>



<p>Também conversamos com um psicólogo clínico e um neurocientista para tentar esclarecer a origem dessa condição auditiva, quais pesquisas foram feitas e o que a ciência está procurando para encontrar uma terapia adequada.</p>



<p>(Os nomes das pessoas afetadas foram alterados para proteger sua identidade)</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><a href="https://instagram.com/casateles.angra?igshid=YmMyMTA2M2Y="><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Screenshot_20220807-074140_Instagram2-995x1024.jpg" alt="" class="wp-image-3588" width="368" height="378" srcset="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Screenshot_20220807-074140_Instagram2-995x1024.jpg 995w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Screenshot_20220807-074140_Instagram2-583x600.jpg 583w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Screenshot_20220807-074140_Instagram2-768x790.jpg 768w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Screenshot_20220807-074140_Instagram2.jpg 1080w" sizes="(max-width: 368px) 100vw, 368px" /></a><figcaption class="wp-element-caption"><strong><a href="https://instagram.com/casateles.angra?igshid=YmMyMTA2M2Y=" data-type="URL" data-id="https://instagram.com/casateles.angra?igshid=YmMyMTA2M2Y=">ANGRA DOS REIS EM GRANDE ESTILO. VOCÊ MERECE. </a></strong></figcaption></figure>



<h4 class="wp-block-heading">Dentro do &#8220;emaranhado da misofonia&#8221;</h4>



<p>Grace, de 59 anos, mora em Minneapolis, Minnesota, nos Estados Unidos, onde é professora universitária. Ela está casada há quase 30 anos e tem três filhos; dois rapazes de 25 e 19 anos e uma filha de 23.</p>



<p>&#8220;Eu diria que tivemos uma vida familiar tipicamente feliz, com problemas que seriam considerados normais&#8221;, diz à BBC News Mundo.</p>



<p>Até que ela começou a notar um comportamento curioso em seu filho mais novo.</p>



<p>&#8220;Quando Matthew tinha cerca de 12 anos, ele começou a desenvolver uma vida cada vez mais distante de mim&#8230; Ele passava mais tempo com o pai, quando tinha um problema recorria a ele&#8221;, diz ela. &#8220;Eu atribuí isso aos interesses dele, ao quão diferente ele era de mim.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://s2.glbimg.com/1cw4TS6cUT5U-nIpUritajftwik=/0x0:616x339/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/8/T/TvlprXSXyBWtYHAmP5lQ/matthew.png" alt="Matthew, cerca de dois anos antes de manifestar a misofonia — Foto: Arquivo Pessoal" width="368" height="202"/><figcaption><strong>Matthew, cerca de dois anos antes de manifestar a misofonia — Foto: Arquivo Pessoal</strong></figcaption></figure>



<p></p>



<p>Ele gostava de estar ao ar livre, andar de bicicleta, sair com os amigos e praticar esportes, enquanto ela se sente atraída pela vida acadêmica, pela leitura.</p>



<p>Grace até brincava com o marido que o menino parecia ser filho somente dele.</p>



<p>Eles ficaram com essa ideia, &#8220;trágica em retrospectiva&#8221;, destaca Grace, porque se eles soubessem que estava relacionado a um problema mais sério, talvez pudessem ter sido capazes de intervir mais cedo.</p>



<p>Porque quando Matthew tinha cerca de 15 anos, a situação ficou mais dramática: o jovem começou a fugir de Grace.</p>



<p>&#8220;Se eu entrasse em uma sala em que ele estava, ele saía correndo. Ou se agachava em um canto até que eu saísse&#8221;, descreve. &#8220;O pior era no carro, quando eu o levava para a escola ou para um compromisso. Ele ficava todo curvado, puxava o capuz do moletom e não falava comigo.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://s2.glbimg.com/wbIULMmwI0sKS9IQk7__5tHO8VU=/0x0:616x337/984x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/f/M/mMu8iNTBC89yVwaPloBg/misofonia.png" alt=" — Foto: GETTY IMAGES"/><figcaption><strong>Sensibilidade e reatividade a estímulos sonoros e/ou sinais visuais repetitivos.</strong></figcaption></figure>



<p>Grace perguntava a ele o que estava acontecendo, mas o menino não conseguia articular e respondia &#8220;nada&#8221;.</p>



<p>&#8220;Essa evasão me fez sentir como se ele me odiasse, e isso foi devastador para mim&#8221;, diz.</p>



<p>&#8220;Morávamos na mesma casa, mas eu quase nunca o via, quase não o ouvia falar, ele literalmente desapareceu naquela fase aguda. Ele também emagreceu muito, estava muito estressado, parecia atormentado, miserável.&#8221;</p>



<p>Algo estava acontecendo e eles não conseguiam descobrir. Até que marcaram uma consulta com um psicólogo e foi aí que receberam o diagnóstico: misofonia.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220730-111322_Facebook2-2-908x1024.jpg" alt="" class="wp-image-3350" width="367" height="414" srcset="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220730-111322_Facebook2-2-908x1024.jpg 908w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220730-111322_Facebook2-2-532x600.jpg 532w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220730-111322_Facebook2-2-768x866.jpg 768w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220730-111322_Facebook2-2.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 367px) 100vw, 367px" /><figcaption> <strong>SAÚDE INTEGRAL E HUMANIZADA</strong></figcaption></figure>



<h4 class="wp-block-heading">Ódio ao som</h4>



<p>Misofonia é um termo relativamente novo que descreve um distúrbio auditivo que não é claramente compreendido, diz Zachary Rosenthal, psicólogo clínico e professor do Departamento de Psiquiatria e Neurociência da Duke University, nos Estados Unidos.</p>



<p>Envolve um tipo de sensibilidade e reatividade a estímulos sonoros e/ou sinais visuais repetitivos.</p>



<p>Os sons são tipicamente, mas nem sempre, feitos por outras pessoas, seja com seus rostos, lábios, narizes ou gargantas, diz Rosenthal à BBC News Mundo, e costumam ocorrer em ambientes onde a pessoa afetada se sente presa, como alguém mastigando uma maçã em um ônibus.</p>



<p>Esses sons são descritos como &#8220;gatilhos&#8221; porque provocam ou desencadeiam uma reação intensa na pessoa que se incomoda com a situação.</p>



<p>O termo vem do grego e significa literalmente &#8220;ódio ao som&#8221;, e embora tenha sido adotado após cuidadosa consideração, o psicólogo o considera infeliz.</p>



<p>&#8220;As pessoas com misofonia não necessariamente têm ódio, mas experimentam uma gama de emoções e respondem com comportamento emocional, cognitivo e fisiológico que acontece quase automaticamente e elas não podem controlar&#8230;&#8221;</p>



<p>&#8220;Aqueles que sofrem de misofonia veem a pessoa que faz um barulho que os afeta &#8220;como um urso agressivo&#8221;, e seu corpo reage como se fosse uma ameaça significativa, que desencadeia o instinto de fuga ou luta, e que eles são incapazes de fugir&#8221;, diz Rosenthal.</p>



<p>O transtorno pode levar à incapacidade e nos casos mais graves é devastador, tanto para o indivíduo quanto para sua família.</p>



<h4 class="wp-block-heading">&#8220;Minha mãe foi o gatilho&#8221;</h4>



<p>&#8220;A primeira lembrança da minha infância é de um evento que me causou uma reação misofônica. Minha mãe foi o gatilho&#8221;, diz Diana à BBC News Mundo.</p>



<p>&#8220;Estávamos sentadas assistindo televisão quando ela me disse que queria me contar um segredo. Sendo uma garota, eu estava animada com sua cumplicidade.&#8221;</p>



<p>&#8220;Mas o que ela fez foi colocar um monte de batatas fritas na boca e mastigá-las perto da minha orelha.&#8221;</p>



<p>Diana atualmente tem 52 anos, é casada e tem dois filhos. Ela conviveu com a misofonia por toda a vida.</p>



<p>Ela não sabe exatamente quantos anos tinha quando sua mãe fez o que ele imagina ter sido uma brincadeira. Ele só se lembra da fúria que lhe causou e como gritou, chorou e sofreu cólicas.</p>



<p>A partir de então, sua relação com a mãe foi muito estranha.</p>



<p>&#8220;Ela sempre fazia barulho porque sabia que eu teria uma reação. Aparentemente ela achava engraçado, porque não parava de fazer isso.&#8221;</p>



<p>Ela admite que chegou a odiar a mãe, literalmente. &#8220;Não é como as crianças que dizem &#8216;eu odeio minha mãe e meu pai&#8217; às vezes. Não, eu absolutamente a odiei. Desenvolvi um total distanciamento emocional.&#8221;</p>



<p>Ela fez o que pôde para evitá-la. Ficou o maior tempo possível em seu quarto, aprendeu a comer muito rápido para poder se levantar da mesa o quanto antes e, assim que cresceu, saía sempre que podia.</p>



<p>Diana era a caçula de seis irmãos. Os adultos já haviam saído de casa e, além de sua mãe, havia apenas sua irmã, 5 anos mais velha, e seu pai, a quem ela sempre recorria para abraçar e se sentir protegida.</p>



<p>Mas os gatilhos começaram a aumentar (como costuma acontecer) e havia momentos em que sua irmã e seu pai também podiam desencadear uma crise nela.</p>



<p>Já adolescente, após uma provocação, sua mãe ficou furiosa com a reação dela e exigiu que se ele não tivesse nada de gentil para dizer, que não falasse com ela.</p>



<p>&#8220;Foi quando eu parei de falar com ela. Eu não disse uma palavra para ela por dois anos.&#8221;</p>



<p>Apesar dessa situação, seus pais nunca a levaram para terapia e ela nunca confrontou sua mãe (já falecida) com a situação.</p>



<p>&#8220;Eu assumi que eu era um ser monstruoso e maligno, algo muito comum entre aqueles que sofrem de misofonia. Eu não sabia que era uma condição, achava que era uma falha na minha personalidade e sofri em silêncio.&#8221;</p>



<h4 class="wp-block-heading">O que acontece no cérebro?</h4>



<p>Cerca de 10 anos atrás, os pesquisadores Sukhinder Kumar, da Universidade de Iowa, nos EUA, e Tim Griffiths, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, realizaram um estudo no qual tocaram um conjunto inteiro de sons para voluntários classificarem de acordo com o quão suportáveis ​​eles eram.</p>



<p>Ao mesmo tempo, eles observaram por meio de ressonância magnética (RM) a atividade cerebral de quem experimentou aquela gama de sons e a correlacionaram com a avaliação pessoal que fizeram de cada som.</p>



<p>O que eles descobriram foi uma interação em duas regiões-chave do cérebro: o córtex auditivo (a parte associada à audição) e a amígdala ou corpo amigdaloide, uma estrutura geralmente envolvida em processos emocionais e mais especificamente na atribuição de valências emocionais ou psicológicas a certos eventos ou estímulos.</p>



<p>&#8220;Essas duas regiões se alimentavam de informações&#8221;, disse à BBC o neurocientista Phillip Gander, que continua explorando o estudo de seus colegas Kumar e Griffiths.</p>



<p>&#8220;Uma região dizia &#8216;eu tenho esses tipos de sons&#8217; e a outra região estava dizendo &#8216;eu realmente não gosto deles e essa é a reação que você deveria ter'&#8221;, explicou Gander, especialista em distúrbios auditivos no Universidade de Iowa.</p>



<p>Em relação à misofonia, suas apurações, e a de Kumar e Griffiths, indica que as regiões ativadas do cérebro têm a ver com mecanismos de controle e aprendizado e, muito importante, com mecanismos que englobam a experiência do nosso mundo interior.</p>



<p>&#8220;Se relaciona a como o nosso mundo externo (percepção) corresponde ao nosso mundo interno (interocepção) e como nosso cérebro avalia esses eventos.&#8221;</p>



<h4 class="wp-block-heading">&#8220;Minha voz e minha mandíbula&#8221;</h4>



<p>Grace e seu marido tiveram a sorte de encontrar um bom psicólogo familiarizado com a misofonia muito perto de onde moram. Eles fazem sessões familiares e individuais.</p>



<p>Mas, embora tenha dado a eles ferramentas para entender Matthew, ainda é uma situação difícil de enfrentar.</p>



<p>&#8220;Sou uma pessoa inquieta, me movo muito&#8221;, diz Grace. &#8220;E antes de falar faço um som quase inaudível, uma leve aspiração que provoca meu filho, como também pode acontecer quando ele vê meu maxilar se mexer.&#8221;</p>



<p>&#8220;É algo que me faz sentir horrível, me parte o coração. Não há nada mais cruel do que seu próprio filho fugir de você, se esconder em um canto e cobrir o rosto&#8221;, detalha.</p>



<p>&#8220;O que mudou com a terapia é que tento lidar melhor com o fato de ser constantemente a fonte dessa repulsa&#8221;, diz Grace.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Medidas criativas</h4>



<p>A família também reorganizou a casa.</p>



<p>Matthew ocupa o terceiro andar. Tem o seu próprio quarto, um banheiro e uma ampla sala. Ele vai para o local imediatamente quando chega do trabalho. Ele não fala ou vê sua mãe e eles se comunicam por texto ou e-mail.</p>



<p>&#8220;Todas as noites eu mando um texto para ele para ver como ele está e, em seguida, geralmente mando um e-mail mais longo contando coisas sobre a nossa vida familiar.&#8221;</p>



<p>Quando Matthew tem algo urgente a dizer, ele para no corredor e Grace entra em um quarto ao lado, onde ela pergunta por mensagem de texto se ela pode responder ou se deve apenas escutar.</p>



<p>Quando ele não está, sua mãe sobe ao terceiro andar para arrumar o local um pouco. Ela tem um caderno onde deixa recados para ele e toda semana coloca novas fotos da família, do filho e de todos juntos nos porta-retratos.</p>



<p>&#8220;Parece ridículo, mas tento fazer coisas para incluir Matthew na vida cotidiana e lembrá-lo o quanto o amamos e que ele continua sendo uma parte central da família, mesmo que permaneça à margem&#8221;.</p>



<p>Em um Natal, por exemplo, ao abrir os presentes, Matthew e seus irmãos foram para a sala, enquanto Grace e o marido ficaram em outro andar assistindo-os em vídeo. Os filhos falavam com eles, os pais respondiam por mensagem.</p>



<h4 class="wp-block-heading">Quais tratamentos existem?</h4>



<p>Por ser um fenômeno difícil de diagnosticar e sobre o qual há pouco conhecimento, não existem tratamentos bem desenvolvidos do ponto de vista científico, diz Zachary Rosenthal, da Duke University.</p>



<p>&#8220;Quase tudo o que foi experimentado foi feito usando algum tipo de terapia cognitivo-comportamental (TCC)&#8221;, que incluem intervenções que mudam os padrões de pensamento, aprendizado, gerenciamento corporal, regulação emocional, atenção e comunicação.</p>



<p>Mas a misofonia é melhor compreendida como uma condição multidisciplinar, diz o especialista.</p>



<p>&#8220;Não deveríamos nos concentrar apenas em um distúrbio psiquiátrico ou de saúde mental. Consultar um especialista em terapia cognitivo-comportamental é uma parte. A outra seria consultar um fonoaudiólogo que possa avaliar problemas ou processos auditivos&#8221;, explica.</p>



<p>Também recomenda conversar com o paciente sobre estratégias de escuta, onde dispositivos podem ser usados ​​nos ouvidos para proteger ou filtrar sons seletivos, que podem ajudá-los a funcionar em suas vidas e controlar o impulso de querer escapar.</p>



<p>&#8220;É complexo. Não é um problema que vai ser resolvido em um só lugar. Há pessoas que talvez precisem consultar um neurologista. Ou até mesmo um terapeuta ocupacional.&#8221;</p>



<h4 class="wp-block-heading">&#8220;Navegando pela vida&#8221; com misofonia</h4>



<p>Diana encontrou ajuda após um árduo processo de busca.</p>



<p>&#8220;Levei quase dois anos e centenas, senão milhares de telefonemas, para encontrar um profissional de saúde que tivesse ao menos ouvido falar disso&#8221;, diz. &#8220;Em 2016, fui a uma fonoaudióloga que me fez um check-up completo e confirmou que eu realmente tinha misofonia&#8221;.</p>



<p>Mas como não há diagnóstico codificado, sua história reflete percepção auditiva anormal com o subtexto da misofonia.</p>



<p>Começaram com um tratamento de aparelhos auditivos internos que geravam um ruído para tentar mascarar os sons que a incomodavam, mas não funcionaram.</p>



<p>&#8220;Com o que sofremos, podemos usar ruído branco, rosa, marrom ou vermelho (sons de diferentes frequências) como forma de lidar com a misofonia, mas esses são todos gatilhos para mim&#8221;, afirma.</p>



<p>Com a ajuda de um terapeuta, ela continuou a procurar terapias ou maneiras de conviver com a condição.</p>



<p>&#8220;Depois de todo esse esforço, cheguei à conclusão de que o que preciso é aceitar que isso faz parte de mim e que tenho que navegar pela vida da melhor maneira possível.&#8221;</p>



<h4 class="wp-block-heading">Silêncio e isolamento</h4>



<p>&#8220;Criamos nossos filhos dizendo &#8216;mamãe não gosta de certos sons'&#8221;, diz Diana. &#8220;Eles podem comer pipoca, batatas fritas ou outros alimentos crocantes, mas precisam fazer isso em outro quarto. Isso tem sido o &#8216;normal&#8217; de nossas vidas.&#8221;</p>



<p>Ela enfatiza que seu marido a apoia muito e geralmente pode lê-la muito bem e reconhecer seus gatilhos.</p>



<p>Mas há sempre um fator de imprevisibilidade, que gera tensões no casamento.</p>



<p>&#8220;Às vezes eu fugia para o quarto, ia para a cama e ficava sozinha e no escuro. É algo que eu preciso&#8221;, diz ela.</p>



<p>&#8220;Ele queria ser meu príncipe encantado e vir em meu socorro e não conseguia entender que eu precisava daquele tempo para mim e que se quisesse me ajudar tinha que me deixar. Mas ele já entende, é muito respeitoso e não entra no meu espaço sem antes perguntar&#8221;, explica.</p>



<p>Diana pratica exercícios para ajudar sua saúde mental. Ela gosta de escrever, fazer artesanato e assar.</p>



<p>&#8220;Tenho um cachorrinho que me dá muito apoio emocional, mas &#8216;não tenho vida social'&#8221;, diz aos risos. &#8220;Isso é restrito a conversar com a minha melhor amiga no Facebook. Mas eu não saio e não como junto com ninguém.&#8221;</p>



<h4 class="wp-block-heading">Abraço inesperado</h4>



<p>Com o apoio da família e do terapeuta, Matthew conseguiu superar algumas barreiras, com resultados que Grace admite ter surpreendido.</p>



<p>Após um ano de separação total, a família começou a aprender como ficar reunida da maneira mais confortável para Matthew. E de repente ele começou a mandar mensagens para sua mãe perguntando onde ela estava na casa.</p>



<p>&#8220;Ele me procurou e me deu um abraço. Foi algo imenso, incrível. Chorei por uma hora&#8221;, conta, reconhecendo o preço que seu filho com certeza se arriscou a pagar por aquele contato.</p>



<p>&#8220;Isso aconteceu quatro ou cinco vezes nos últimos dois anos, quando estamos em contato por cerca de 40 segundos, ele pode me abraçar, dizer que me ama e depois ir embora.&#8221;</p>



<p>Apesar das dificuldades, Matthew tem perspectivas e motivações em sua vida. Ele é um grande jogador de squash, a reverberação sonora da bola lhe traz alívio. Ele é um operador de ambulância e em breve será entrevistado para um cargo no Departamento de Bombeiros de St. Paul, Minnesota, um sonho que ele tem desde a infância, conta Grace.</p>



<p>&#8220;Minha esperança é que ele desenvolva uma vida profissional feliz e tenha uma família. Eu realmente quero isso porque sinto que ele não teve isso aqui conosco&#8221;, diz ele.</p>



<p>&#8220;O triste é que eu não vejo que essa vida me inclua muito, a menos que algo mude drasticamente, como a minha presença física.&#8221;</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220720-164707_Instagram2-826x1024.jpg" alt="" class="wp-image-3023" width="367" height="454" srcset="https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220720-164707_Instagram2-826x1024.jpg 826w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220720-164707_Instagram2-484x600.jpg 484w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220720-164707_Instagram2-768x953.jpg 768w, https://bsbrevista.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Screenshot_20220720-164707_Instagram2.jpg 1057w" sizes="auto, (max-width: 367px) 100vw, 367px" /><figcaption><strong><a href="https://www.instagram.com/p/CaSZov4l50e/?igshid=YmMyMTA2M2Y=">DUETTO IDEAL &#8211; A MODA FEITA PARA VOCÊ</a></strong></figcaption></figure>



<p>Grace está escrevendo um livro sobre viver com misofonia e planeja publicá-lo em um ano | Diana espera pela formatura da filha, mas só poderá vê-la em vídeo | Zachary Rosenthal é diretor do Duke Center for Misofonia and Emotional Regulation <a href="http://www.misophonia.duke.edu">www.misophonia.duke.edu</a>. Phillip Gander é o principal pesquisador do Grupo de Cognição auditiva <a href="http://www.auditorycognition.org">www.auditorycognition.org</a></p>
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