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	<title>Arquivo de TO - BSB REVISTA</title>
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		<title>CNU fracassa em atrair profissionais de TI e acende alerta para transformação digital do governo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2026 18:54:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Baixa adesão à carreira de Analista em Tecnologia da Informação do governo federal expõe dificuldade do Estado em competir com o mercado e levanta alerta [...]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h6 class="wp-block-heading">Baixa adesão à carreira de Analista em Tecnologia da Informação do governo federal expõe dificuldade do Estado em competir com o mercado e levanta alerta para gestão de contratos bilionários de tecnologia</h6>



<p class="wp-block-paragraph">A baixa adesão à carreira de Analista em Tecnologia da Informação (ATI) no Concurso Público Nacional Unificado (CNU) acendeu um alerta dentro da administração pública federal. Levantamentos do Governo indicam que cerca de 70% dos candidatos convocados ao longo das oito chamadas optaram por não assumir o cargo, índice considerado incomum para concursos públicos federais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cenário ficou ainda mais evidente após o governo anunciar a prorrogação da validade da primeira edição do CNU, sem incluir a carreira de ATI entre as que poderão convocar novos candidatos. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação (MGI), todos os aprovados no cadastro de reserva já foram chamados, mas o número efetivo de profissionais dispostos a assumir o cargo ficou muito abaixo do esperado: dentre 1.200 candidatos aprovados no CNU, 700 não assumiram o cargo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O episódio expõe um paradoxo dentro do próprio governo: enquanto a transformação digital é apresentada como prioridade estratégica, o Estado enfrenta dificuldades para preencher os cargos responsáveis por viabilizar essa agenda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Analista em Tecnologia da Informação e gestor de políticas públicas de TI, Luiz Alexandre, o Estado tem dificuldade para competir com o mercado na atração de profissionais de tecnologia. &#8220;Os números mostram que o problema não está no concurso, mas em uma questão estrutural: hoje o Brasil não consegue competir com o mercado de tecnologia na atração de profissionais qualificados. Isso é ainda mais preocupante porque essa carreira supervisiona contratos que movimentam 12 bilhões de reais todos os anos, quando essas vagas ficam vazias, o Estado perde capacidade técnica justamente em uma área estratégica para o país&#8221;, afirma Luiz Alexandre, que também é o presidente da Associação dos Analistas em Tecnologia da Informação (ANATI).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Uma carreira estratégica com baixa atratividade</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os ATIs são responsáveis por funções estratégicas da infraestrutura digital do Estado. Esses servidores participam da gestão e fiscalização de contratos que movimentam bilhões de reais por ano, além de atuar no desenvolvimento de sistemas, governança digital e segurança da informação em mais 200 de órgãos federais.<br>Apesar da relevância estratégica da área, a carreira enfrenta, há anos, dificuldades para atrair e reter profissionais. Durante as convocações do CNU, em 2025 e 2026, o problema ficou ainda mais evidente e os números ajudam a dimensionar o cenário.<br>De acordo com o site da da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), responsável pela organização do curso de formação das turmas de ATIs, foram formadas três turmas para o Curso de Formação de Analistas em Tecnologia da Informação (ATIs). Em 2025, quase 500 candidatos foram convocados para preencher 300 vagas iniciais. Desses, 217 iniciaram o curso e, ao final do processo, apenas 169 efetivamente entraram em exercício no cargo.<br>Em 2026, outras duas grandes convocações foram realizadas, chamando mais de 700 candidatos que estavam no cadastro de reserva. Ao todo, foram ofertadas 420 vagas, mas somente 237 candidatos demonstraram interesse e iniciaram o Curso de Formação.<br>Segundo a Associação Nacional dos Analistas de Tecnologia da Informação (ANATI), o alto índice de evasão entre os convocados indica que parte dos candidatos aprovados opta por seguir outras carreiras no serviço público ou aceitar oportunidades no setor privado.<br>De acordo com a entidade, dois fatores ajudam a explicar a baixa adesão: a remuneração e o modelo de ingresso na carreira. A ANATI aponta que há diferença significativa entre os salários pagos pelo governo federal e aqueles praticados no mercado de tecnologia, onde profissionais com perfil semelhante podem receber, em média, até três vezes mais.<br>A associação também destaca a distância salarial em relação a outras carreiras do próprio serviço público federal. Segundo a entidade, a remuneração inicial do cargo de Analista de Tecnologia da Informação (ATI) pode ser até duas vezes menor do que a de carreiras consideradas equivalentes em nível de especialização e responsabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto citado é o formato do processo seletivo. Atualmente, os candidatos convocados precisam participar de um curso de formação presencial em Brasília, com dedicação integral durante três a quatro meses. Nesse período, recebem cerca de R$ 5 mil mensais, valor correspondente a aproximadamente metade da remuneração inicial do cargo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para profissionais que já atuam no setor de tecnologia, muitas vezes com salários mais altos e possibilidade de trabalho remoto, a exigência de participação presencial no curso de formação pode representar um obstáculo adicional. A mudança temporária para Brasília e a necessidade de interromper vínculos profissionais durante o período do curso também são fatores mencionados pela entidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Discurso digital x realidade</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A dificuldade de preencher vagas na carreira de Analista em Tecnologia da Informação ocorre em um momento em que o governo federal reforça a agenda de transformação digital e a ampliação de serviços públicos digitais. Nos últimos anos, a administração pública também tem ampliado iniciativas relacionadas ao uso de inteligência artificial e à implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), dentro da estratégia de modernização dos serviços oferecidos à população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o analista em tecnologia da informação do Ministério de Minas e Energia, Marlon Prudente, o cenário revela um descompasso entre as iniciativas de digitalização e a política de gestão de pessoas voltada à área de tecnologia. “Nos últimos anos, o governo federal ampliou iniciativas de digitalização de serviços públicos e de transformação digital da administração pública. No entanto, a política de gestão de pessoas para a área de tecnologia ainda não acompanha essa prioridade estratégica”, afirma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante do risco de novas saídas, entidades representativas da carreira defendem a adoção de medidas para evitar a evasão também entre os profissionais que ingressaram recentemente no serviço público. Entre as propostas apresentadas estão a revisão da estrutura remuneratória da carreira, a regulamentação e aceleração da progressão funcional e o reposicionamento de servidores em níveis mais avançados da carreira, como forma de ampliar a retenção de profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o curto prazo, especialistas apontam a necessidade de discutir uma reestruturação mais ampla da carreira, especialmente em relação à remuneração inicial, com o objetivo de tornar o cargo mais competitivo em relação ao mercado de tecnologia. “Caso contrário, o risco é que novos concursos reproduzam o mesmo cenário observado no CNU: um grande número de candidatos inscritos, mas poucos profissionais dispostos a assumir as vagas.</p>
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