EUA suspende vendas de turbinas de aviões para chinesa COMAC

Segundo o jornal New York Times publicou nesta quarta-feira (28), os Estados Unidos suspenderam algumas vendas de tecnologias críticas para a China, incluindo aquelas relacionadas a motores de jatos, para a fabricante estatal de aeronaves COMAC.

A COMAC está desenvolvendo seus próprios aviões comerciais para competir com os fabricantes Airbus e Boeing, mas a China ainda não possui motores adequados fabricados internamente e permanece dependente de importações.

A decisão foi uma resposta às recentes restrições da China sobre exportações de minerais críticos para os EUA. O departamento de comércio dos EUA suspendeu algumas licenças que permitiam que empresas americanas vendessem produtos e tecnologias à COMAC para o desenvolvimento da aeronave.

O Departamento de Comércio dos EUA informou que está revisando as exportações de significância estratégica para a China. “Em alguns casos, o Comércio suspendeu licenças de exportação existentes ou impôs requisitos adicionais de licenciamento enquanto a revisão está pendente,” disse o departamento. Equipamentos de aviação estão entre os setores afetados, de acordo com três pessoas familiarizadas com a situação.

A COMAC não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um porta-voz da Embaixada da China em Washington declarou à Reuters: “A China se opõe firmemente à ampliação do conceito de segurança nacional pelos EUA, ao abuso de controles de exportação e ao bloqueio e repressão maliciosos à China.”

O avião C919 da COMAC é fabricado na China, mas muitos de seus componentes vêm do exterior, incluindo o motor LEAP-1C, produzido por uma joint venture entre a GE Aerospace e a francesa Safran. A GE Aerospace não forneceu um comentário imediato sobre a situação.

O C919, projetado para competir com modelos de fuselagem estreita mais vendidos da Airbus e da Boeing, entrou em serviço na China em 2023, após obter a certificação de segurança doméstica em 2022. Atualmente, dezoito C919 estão em operação, segundo a fornecedora de inteligência aeronáutica ch-aviation, e voam apenas dentro da China continental e Hong Kong.

A GE foi a primeira a receber uma licença para vender os motores LEAP para a COMAC em 2014. No início de 2020, os Estados Unidos consideraram a possibilidade de negar o pedido mais recente de licença da GE para o motor, mas a primeira administração do presidente Donald Trump concedeu a autorização.

“Eu quero que a China compre nossos motores de jato, os melhores do mundo,” disse Trump em fevereiro daquele ano. “Quero tornar fácil fazer negócios com os Estados Unidos, não difícil.”