O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reabriu oficialmente nesta quinta-feira (16) a investigação sobre a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal.
A decisão foi tomada em após um novo pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), atualmente sob comando de Paulo Gonet, que apontou a necessidade de aprofundar as apurações sobre possíveis interferências indevidas durante o governo Bolsonaro.
A investigação foi reaberta porque a PGR avaliou que ainda há questões a esclarecer, especialmente diante de diálogos e depoimentos do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, que deixou o governo alegando interferência política na Polícia Federal.
O núcleo da suspeita envolve supostas ordens do então presidente para troca de delegados e acesso privilegiado a informações sensíveis, beneficiando aliados e familiares.
A decisão de Moraes determina que a Polícia Federal realize diligências complementares sobre o caso e envie os resultados à PGR, que terá um prazo de 15 dias para nova manifestação. A reabertura ainda busca apurar conexões deste inquérito com investigações de uso paralelo da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), produção e disseminação de fake news, e eventual utilização da máquina do Estado para obtenção de dados clandestinos e ataques a instituições públicas.
O inquérito inicialmente foi aberto após a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça em 2020, quando ele denunciou publicamente interferência política na corporação. Embora o caso tenha sido arquivado em 2022 após a conclusão da PF de que não houve ingerência, a nova análise da PGR pediu à retomada das investigações, especialmente diante de elementos considerados relevantes para reavaliação dos fatos.
A PGR argumenta que a reabertura do inquérito é necessária para “verificar com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferências nas investigações apontadas nos diálogos e no depoimento do ex-ministro Sergio Moro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis”.
O procurador-geral Paulo Gonet destaca que é preciso esclarecer a possível conexão entre os fatos relatados por Moro e outras investigações, como aquelas relacionadas à atuação de uma organização criminosa supostamente responsável por ataques a autoridades, ao sistema eleitoral e a instituições públicas, envolvendo uso de informações da Abin e do GSI e propagação de fake news.
Além disso, a PGR aponta que, apesar do relatório conclusivo da Polícia Federal e do pedido anterior de arquivamento, há necessidade de diligências complementares para permitir uma análise mais abrangente dos fatos, considerando também petições sobre suposta estrutura paralela na Abin e no GSI, ainda em tramitação no STF.




