Por que Lula é contra equiparar oficialmente narcotráfico a terrorismo

Ministério da Justiça cita banalização do termo e até aumento do fator de risco do Brasil na obtenção de crédito internacional

Repercussões diplomáticas e dificuldades para obtenção de crédito internacional estão entre os motivos que levam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a se posicionar contra a equiparação de facções criminosas a grupos terroristas. Um projeto para colocar no mesmo patamar estes dois tipos de organizações deve ser votado esta semana na Câmara, em resposta à megaoperação contra o tráfico no Rio de Janeiro.

Segundo o secretário nacional de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Marivaldo Pereira, elencou o que embasa a posição do governo. “Teria impacto no crédito: o risco-país varia também de acordo com o risco de atentado terrorista. Se, do dia para a noite, você diz que o Brasil tem 100 organizações terroristas, isso dificulta o acesso a crédito”, explicou.

Há também a preocupação em termos de soberania, com temor de que se repita no Brasil o que ocorre na Venezuela, onde os Estados Unidos têm bombardeado embarcações sob pretexto de combate ao narcotráfico, por causa da equiparação desses criminosos a terroristas. “A legislação norte-americana tem justificativa a algumas violações de soberania para combate ao narcoterrorismo”, citou Marivaldo.