Anvisa Aprova Injeção Contra HIV na Prevenção da Aids no Brasil

A Anvisa autorizou uso do lenacapavir, injeção a cada 6 meses que previne HIV em quase 100%, superando pílulas diárias. Entenda o impacto para o Brasil, com dados de 46 mil casos anuais e queda histórica na mortalidade por aids.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou uma avanço histórico na luta contra o HIV no Brasil. Em 11 de janeiro de 2026, aprovou o medicamento injetável lenacapavir, comercializado como Sunlenca, para prevenção do vírus em pessoas sem infecção, com aplicação necessária apenas duas vezes por ano.

Embora gere entusiasmo por sua alta eficácia, o lenacapavir não é uma vacina, mas um antirretroviral que bloqueia o vírus diretamente, exigindo reaplicações regulares para manter a proteção.

Detalhes da Aprovação e Funcionamento

A nova indicação do Sunlenca, produzido pela Gilead Sciences, vale para pessoas HIV-negativas acima de 12 anos e com peso superior a 35 kg, em risco de exposição sexual ao vírus. A Anvisa analisou ensaios clínicos que demonstraram proteção próxima de 100%, com resultados perfeitos em mulheres cisgênero e superioridade de até 89% sobre a PrEP oral diária oferecida pelo SUS, composta por tenofovir e entricitabina.

O medicamento também serve como tratamento para pacientes com HIV resistente a outros antirretrovirais, em combinação com outras terapias. Antes de cada injeção, testes confirmam ausência do vírus, evitando resistência.

Diferença Crucial: Não é Vacina

Diferente de vacinas, que treinam o sistema imunológico para produzir defesas duradouras, o lenacapavir atua inibindo o capsídeo do HIV-1, etapa essencial de sua replicação. A proteção depende da concentração do fármaco no sangue, que dura seis meses por dose.

Essa inovação resolve um dos maiores desafios da PrEP tradicional: a baixa adesão às pílulas diárias, comum entre populações vulneráveis.

Impacto no Cenário Epidemiológico Brasileiro

O Brasil enfrenta estabilidade com leve alta nos casos de HIV, mas celebra quedas na mortalidade por aids. Em 2023, registrou 46.495 novas infecções, com taxa de 18,4 por 100 mil habitantes, e 10.338 óbitos por aids. No ano seguinte, detectou 39.216 casos de HIV e 36.955 de aids, com 9.157 mortes, o menor número histórico, após redução de quase 33% na última década.

A taxa de mortalidade por aids chegou a 3,9 óbitos por 100 mil em 2023, a menor desde 2013, graças a testagem ampliada e tratamentos acessíveis pelo SUS. A injeção semestral pode acelerar essa tendência, ampliando a prevenção em grupos de risco.


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