PGR aponta rede de laranjas e vulnerabilidades exploradas pelo Banco Master em relatório ao STF

Procuradoria-Geral da República descreve esquema bilionário de fraudes, com fundos sem lastro e empresas de fachada, em pedido de quebras de sigilo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório contundente no qual aponta o uso sistemático de laranjas, empresas de fachada e fundos de investimento sem lastro econômico no Banco Master para desviar bilhões de reais de investidores.

O documento sustenta que o grupo explorou fragilidades do mercado de capitais e falhas do sistema regulatório para sustentar uma engrenagem de captação e reciclagem de recursos. O texto é assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet e embasa pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas, entre elas o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes de sua família.

O caso tramita sob a relatoria do ministro Dias Toffoli e ganhou novo impulso com a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que resultou na apreensão de dinheiro em espécie, veículos de luxo, joias e documentos em endereços ligados ao grupo investigado.

Diante do volume e da sensibilidade do material recolhido, o relator determinou o envio das provas à PGR para análise pericial, após um embate institucional com a Polícia Federal sobre a custódia dos elementos apreendidos.

O ministro Dias Toffoli autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 101 pessoas e empresas investigadas por crimes contra o sistema financeiro nacional envolvendo o Banco Master. A decisão, assinada em 6 de janeiro e tornada pública nesta quinta-feira (15), atende a pedido da Procuradoria-Geral da República em investigação que apura organização criminosa, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e induzimento de investidores ao erro.

Segundo a PGR, o núcleo do esquema consistia na emissão de certificados de depósito bancário para captar recursos no mercado, que eram direcionados a fundos de investimento dos quais o próprio banco figurava como cotista exclusivo. Esses fundos, por sua vez, adquiriam notas comerciais e direitos creditórios emitidos por empresas de capital irrisório, controladas por sócios do banco ou por interpostas pessoas, sem que houvesse pagamento efetivo de juros ou amortizações. A engrenagem produzia a aparência de operações regulares enquanto inflava artificialmente balanços e resultados.

O relatório aponta que bilhões de reais aportados pelo banco nesses fundos retornavam, de forma circular, a companhias ligadas ao próprio grupo controlador, gerando um passivo consolidado considerado altamente suspeito. A PGR classifica as condutas como gestão fraudulenta, indução de investidores em erro, manipulação de mercado e lavagem de capitais, com fortes indícios de atuação organizada e estável. Empresas apresentadas como clínicas e prestadoras de serviços teriam simulado operações para inflar receitas, enquanto prazos de vencimento eram prorrogados indefinidamente, criando ganhos fictícios e mascarando prejuízos.

Fundos específicos são descritos como peças centrais dessa ciranda financeira, com destaque para veículos administrados pela Reag DTVM, posteriormente liquidada pelo Banco Central do Brasil. A autarquia, ao intervir, expôs a fragilidade estrutural desses fundos e a inexistência de lastro compatível com os valores captados junto ao público.

No campo judicial, Toffoli autorizou buscas e medidas contra Vorcaro e outros empresários, destacando em suas decisões o aproveitamento sistemático de brechas regulatórias para sustentar o esquema. O ministro também determinou o bloqueio de valores bilionários e a centralização das perícias na PGR, ampliando o alcance das investigações. O relatório descreve uma rede de entidades conectadas por vínculos societários, familiares e funcionais, com o uso de estruturas fiduciárias para transferências consideradas atípicas e de difícil rastreamento.

A apuração ainda menciona a conexão de operações financeiras do grupo com investigações mais amplas sobre lavagem de dinheiro, inclusive com menções a desdobramentos que alcançam organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital, o que eleva o grau de gravidade institucional do caso e amplia seu impacto para além do sistema financeiro tradicional.

As repercussões econômicas e políticas já se fazem sentir. A liquidação da gestora escancarou a existência de cotistas ocultos e expôs riscos ao sistema de garantias, com potencial impacto sobre o Fundo Garantidor de Créditos e sobre instituições públicas envolvidas em operações com o grupo, como o Banco de Brasília. Investidores de varejo relatam perdas significativas, enquanto analistas apontam efeitos negativos sobre a confiança no sistema financeiro nacional e críticas crescentes a uma regulação considerada permissiva.

No plano político, o caso alimenta questionamentos sobre pressões por soluções de bastidores e coloca o Supremo no centro de um debate sensível entre rigor técnico e acomodação institucional. Com as perícias em andamento, a PGR sinaliza a possibilidade de oferecimento de denúncias por crimes financeiros de grande escala. O escândalo envolvendo o Banco Master se consolida, assim, como um dos maiores episódios de fraude bancária recente, com riscos concretos de responsabilizações penais e patrimoniais de proporções bilionárias.


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