Campanha antecipada em ritmo de samba: Lula usa Carnaval com dinheiro público como palanque e TSE silencia

Por Victório Dell Pyrro

A confirmação da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, no domingo de Carnaval, para assistir ao desfile da Acadêmicos de Niterói, vai escancarar mais ainda uma controvérsia que vai muito além da festa popular.

Em pleno ano eleitoral, com Lula já assumidamente candidato à reeleição, o desfile que o homenageia transforma o maior espetáculo do país em uma vitrine política financiada com recursos públicos federais.

Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói levará para a avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma narrativa que exalta a trajetória pessoal e política do presidente, com forte carga simbólica e eleitoral. O caráter de campanha fica ainda mais explícito com o lançamento, pelo próprio PT, de um clipe do samba-enredo que resgata imagens de antigas campanhas eleitorais de Lula, reforçando a associação direta entre a homenagem carnavalesca e a promoção política do chefe do Executivo.

Lula acompanhará o desfile de camarotes reservados, ao lado da primeira-dama Janja da Silva, do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes — apontado como seu candidato ao governo estadual — e de aliados políticos que também disputarão as eleições de outubro. A simples presença institucional em um evento que o glorifica politicamente já é vista por críticos como um drible deliberado na legislação eleitoral.

O ensaio técnico da escola no último final de semana, reforçou essa percepção. Componentes fizeram gestos com a letra “L”, telões exibiram mensagens políticas e ataques a adversários do presidente, e imagens associando Jair Bolsonaro a uma tornozeleira eletrônica foram projetadas ao público.

Campanha já teve primeiro ato no ensaio deste fim de semana passado com imagens criticando Bolsonaro e enaltecendo Lula

O vereador Carlos Bolsonaro publicou parte do “desfile” do último domingo, apontando que já houve crime público com este ensaio: assista.

O desfile ainda contará com a representação de Marisa Letícia, ex-mulher de Lula, adicionando uma camada emocional à narrativa construída na avenida, elemento clássico de campanhas eleitorais bem-sucedidas.

O ponto mais sensível, porém, está no financiamento. O Ministério da Cultura e a Embratur firmaram um termo de cooperação técnica que destina R$ 12 milhões às escolas do Grupo Especial, R$ 1 milhão para cada agremiação. A escola que homenageia Lula também receberá subvenções das prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói. Na prática, dinheiro público de diferentes esferas sustenta um espetáculo que promove diretamente a imagem de um candidato à reeleição, antes mesmo do início oficial da campanha.

Esse último aspecto acendeu o alerta em órgãos de controle e na oposição. O deputado federal Sanderson (PL-RS) acionou a Procuradoria-Geral da República pedindo investigação por propaganda eleitoral antecipada. Técnicos do Tribunal de Contas da União recomendaram a suspensão do repasse federal, entendimento que ainda aguarda decisão do relator do caso. A suspeita é de desvio de finalidade: recursos destinados ao fomento cultural estariam sendo utilizados para beneficiar politicamente o presidente em ano eleitoral.

Embora o governo argumente que o apoio ao Carnaval é uma política pública tradicional, a coincidência entre a liberação de verbas, a exaltação explícita de Lula na avenida e sua presença institucional no evento alimenta a crítica de que o Planalto transformou o samba em palanque e o erário em caixa de pré-campanha. Em vez de neutralidade e respeito às regras do jogo democrático, o episódio reforça a percepção de que a máquina pública voltou a ser usada para impulsionar projetos eleitorais, agora ao som de bateria e aplausos, pagos pelo contribuinte.

A escola abrirá os desfiles do primeiro dia do Grupo Especial, abrindo caminho para uma narrativa que resgata a trajetória do presidente desde a infância no Nordeste até a Presidência da República, com referências a sua origem operária e liderança sindical.

Claro, sem mostrar as montanhas de bilhões de reais desviados pelo político que ficou preso por corrupção por dois anos. A escola não apresentou referências positivas à Lava Jato que desbaratou a quadrilha que, em parte, confessou crimes e devolveu bilhões roubados do povo.

Na abertura do Judiciário ontem (2) nenhum pio sobre o assunto, nem do Supremo Tribunal Federal (STF) e nem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusados pela oposição de conduzirem a última campanha que levou Lula ao poder.

Parlamentares que criticaram o TSE por suposta censura na campanha de 2022

Durante a campanha eleitoral de 2022, decisões do TSE suspenderam propagandas de Bolsonaro que o chamavam de “ladrão” ou “corrupto” para Lula, citando presunção de inocência após anulação de condenações pelo STF, enquanto permitia críticas de Lula a Bolsonaro. Vários deputados e senadores bolsonaristas denunciaram isso como censura seletiva e parcialidade pró-Lula.

Esses parlamentares, usaram redes sociais e plenário para alegar viés do TSE/STJ, mas o tribunal os multou por desinformação ou ofensas, mantendo que críticas políticas ácidas são permitidas, mas não imputações criminais sem condenação vigente.

Alguns exemplos:

Eduardo Bolsonaro (PL-SP): Criticou publicamente as decisões do TSE como censura; foi multado por compartilhar vídeo contra Lula e questionou o equilíbrio na propaganda.

Nikolas Ferreira (PL-MG): Produziu e divulgou vídeo criticando Lula, levando a multa do TSE; defendeu abertamente o direito de chamar Lula de “ladrão” com base em condenações passadas.

Gustavo Gayer (PL-GO): Multado em R$ 30 mil por propaganda negativa contra Lula, alegando seletividade do TSE em permitir ataques petistas.

Luis Carlos Heinze (PP-RS): Criticou TSE e STF como “partido político” por restrições à Jovem Pan e proibições a críticas a Lula na campanha.

Marcos do Val (Podemos-ES): Participou de debates no Senado criticando o processo eleitoral e decisões do TSE como desequilibradas contra Bolsonaro

Isso sem falar no ministro que presidiu o TSE, Roberto Barroso que logo após a vitória de Lula disse publicamente em evento na UnB: “Nós derrotamos o Bolsonarismo ” sem receber punição devida pelo crime. Tudo acabou em samba enredo que conta só a parte que interessa ao PT e que será transmitido ao vivo pela TV para todos país.

O repasse deste ano virou motivo de questionamento na PGR (Procuradoria-Geral da República). O deputado federal Sanderson (PL-RS) entrou ontem com pedido de investigação por propaganda eleitoral antecipada.

“Liberdade artística e cultural não é licença para linchamento público contra quem não tem condições de se defender, nem para propaganda política mal disfarçada, usar espaço público para atacar adversários e transformar uma festa popular em palanque ideológico”, publicou.

O deputado estadual por São Paulo, Gil Diniz (PL) disse que o desfile, desse fim de semana passado, foi um “ataque político”, e denunciou a escola ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Ele definiu as imagens utilizadas contra Bolsonaro como “ofensivas, humilhantes” e com “apologia à violência”.

E cheira mesmo mal. Juliana Baroni, atriz que interpretará Marisa Letícia no desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval 2026, é a responsável pela escola de samba no contexto da homenagem a Lula – ela dirigiu documentários recentes enaltecendo e ex-condenado por corrupção e atuou em filme sobre o presidente solto por manobras no STF.

. Ela viveu Marisa Letícia no longa “Lula, o Filho do Brasil” (2009), retratando a juventude e ascensão sindical de Lula, sem mostrar toda a verdade sobre os crimes imputados a Lula pela Lava Jato.

Baroni também dirigiu:”Vai pra Cuba, Eduardo!” (2024), com Eduardo Moreira e Frei Betto (ex-assessor de Lula), romantizando Cuba e “Vai pra Argentina, Caraj!”, sequência de extrema esquerda contra a Argentina.

Em vai pra Cuba Eduardo, a carnavalesca que homenageia Lula nesse Carnaval, Baroni com Frei Betto (ex-assessor de Lula), romantizaram Cuba e o regime de esquerda criticando duramente a direita. Já em “Vai pra Argentina, Caraj!”, o documentário ” também com viés de extrema esquerda do ano passado, (2025), dirigido por Juliana Baroni e produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), tem como mote central criticar Javier Milei, da direita, como “a maior fake news política do planeta”, questionando sua popularidade.

O Samba é uma democracia! Para a esquerda. O TSE não poderia se calar. O STF deveria intervir, mas pelo andar da carruagem a intervenção pode vir às avessas, punindo quem criticar essa descarada manobra política eleitoral de Lula.


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