Eleição no Japão: partido de premiê conquista pelo menos dois terços do parlamento

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, consolidou seu poder político ao conquistar uma vitória ampla nas eleições legislativas antecipadas realizadas neste domingo, 8 de fevereiro de 2026. O Partido Liberal Democrático (PLD), liderado por Takaichi, assegurou cerca de 300 das 465 cadeiras da Câmara Baixa, alcançando novamente a supermaioria de dois terços necessária para aprovar reformas estruturais sem depender da oposição.

Trata-se do melhor desempenho eleitoral da legenda desde 2017, ainda sob a liderança do ex-premiê Shinzo Abe, e confirma o retorno do PLD a uma posição hegemônica após anos de desgaste provocado por escândalos e pela crise inflacionária.

As projeções de boca de urna indicaram que o PLD, isoladamente ou em aliança com partidos menores como o JIP, deve alcançar entre 328 e 366 assentos no Parlamento. Em sentido oposto, a principal força de oposição, formada pela coalizão entre o Partido Democrático Constitucional (CDP) e o Komeito, sofreu uma derrota expressiva, perdendo aproximadamente dois terços das cadeiras que detinha, o que aprofunda a fragmentação do campo oposicionista. Um dos destaques do pleito foi o crescimento do Sanseito, partido de perfil nacionalista e discurso anti-imigração, que ampliou sua representação de apenas duas cadeiras para uma estimativa entre cinco e 14 parlamentares, segundo projeções da emissora pública NHK.

A eleição foi convocada de forma antecipada por Sanae Takaichi em 19 de janeiro, menos de um mês antes da votação, após um período inicial de forte popularidade. Aos 64 anos, a primeira-ministra decidiu dissolver o Parlamento aproveitando o enfraquecimento interno da oposição e a recuperação da imagem do PLD, que vinha de uma sequência de denúncias de corrupção e críticas pela condução da política econômica. A campanha foi curta e marcada por condições climáticas adversas, com fortes nevascas em várias regiões do país, o que reduziu a participação eleitoral nas primeiras horas do dia. Ainda assim, observou-se maior engajamento de eleitores jovens, atraídos pela imagem pouco convencional de Takaichi, ex-baterista de heavy metal e admiradora declarada da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

No centro da campanha esteve a agenda econômica, em especial o enfrentamento da inflação, problema sensível em uma sociedade historicamente acostumada a longos períodos de estagnação e deflação. O governo prometeu um pacote de estímulo estimado em 135 bilhões de dólares, incluindo a suspensão temporária de impostos sobre alimentos básicos, medida que teve forte apelo popular. Ao mesmo tempo, analistas alertam para os riscos fiscais de curto e médio prazo, já que a dívida pública japonesa supera o dobro do Produto Interno Bruto e os rendimentos dos títulos de longo prazo atingiram níveis recordes, gerando preocupação nos mercados financeiros.

A política externa também ocupou espaço relevante no debate eleitoral. Takaichi reforçou um discurso mais assertivo em relação à segurança regional, especialmente diante da China. Declarações da primeira-ministra sobre a possibilidade de apoio direto a Taiwan em caso de conflito elevaram a tensão diplomática com Pequim, que respondeu com exercícios militares aéreos na região. As relações com a Rússia e outros vizinhos também permanecem delicadas, enquanto gestos simbólicos, como o retorno de pandas chineses ao Japão, foram interpretados como tentativas de suavizar o clima sem alterar o impasse estratégico.

No cenário internacional, a vitória de Sanae Takaichi foi vista como um fortalecimento da ala conservadora japonesa em um momento de crescente instabilidade global. A primeira-ministra recebeu manifestações públicas de apoio de lideranças conservadoras estrangeiras, incluindo o ex-presidente norte-americano Donald Trump, o que reforça sua imagem de alinhamento a uma agenda nacionalista e de segurança mais rígida. Com a oposição enfraquecida e o PLD novamente dominante, Takaichi inicia um novo ciclo de governo com poder ampliado, mas também com desafios profundos, que vão desde o controle da inflação e da dívida pública até a condução de uma política externa firme em uma região cada vez mais marcada por disputas geopolíticas.


9 comentários

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