BRB convoca acionistas para votar proposta de aumento de capital com bens do GDF

Aumento do capital social do BRB depende de aprovação do projeto de lei enviado pelo GDF à Câmara Legislativa

Banco de Brasília convoca acionistas para votar proposta de aumento de capital

O Banco de Brasília (BRB) convocou oficialmente seus acionistas para uma assembleia geral extraordinária marcada para o dia 18 de março de 2026, em Brasília, na qual será votada a proposta de aumento do capital social da instituição. A deliberação ocorre em meio a um cenário de forte pressão financeira sobre o banco controlado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) e é considerada estratégica para recompor o patrimônio da instituição.

A convocação foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal. Além da análise da proposta de capitalização, a pauta da assembleia inclui a homologação de novos integrantes do Conselho de Administração. A reunião está prevista para as 10h e deverá reunir acionistas majoritários e minoritários em um dos momentos mais sensíveis da história recente do banco.

A proposta de aumento de capital está condicionada à aprovação de um projeto de lei encaminhado pelo GDF à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O texto autoriza o Executivo local a estruturar uma operação de reforço patrimonial que pode envolver empréstimos de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou a outras instituições financeiras. Também prevê a possibilidade de oferecer bens públicos como garantia para viabilizar a operação.

O governo revisou a proposta original após resistência de parlamentares distritais. Inicialmente, o projeto listava 12 imóveis públicos como garantia. Após críticas e negociações, o número foi reduzido para nove propriedades. Áreas ambientais e de uso público, como o Parque do Guará, foram retiradas da relação após pressão política e social.

A necessidade de capitalização surge após operações que impactaram negativamente o balanço do BRB, incluindo movimentações envolvendo carteiras de crédito adquiridas no mercado financeiro. As perdas registradas pressionaram os índices de capitalização da instituição, exigindo um reforço urgente para manter a solidez regulatória e a confiança do mercado.

Para os acionistas, o aumento de capital pode alterar a estrutura societária do banco, dependendo da forma como o aporte será realizado. Caso haja subscrição de novas ações, poderá ocorrer diluição da participação de minoritários que não acompanharem o investimento proporcionalmente. Por outro lado, a recomposição patrimonial é vista como fundamental para preservar o valor da instituição no médio e longo prazo.

O debate na CLDF tem sido marcado por divergências entre base governista e oposição. Parlamentares cobram mais transparência sobre os riscos fiscais da operação e sobre o impacto do uso de garantias públicas. Há também questionamentos quanto à estratégia de expansão adotada pelo banco nos últimos anos e às decisões que levaram ao atual quadro financeiro.

Se aprovada pelos acionistas e posteriormente pela Câmara Legislativa, a capitalização permitirá ao BRB reforçar seus indicadores prudenciais, melhorar a liquidez e retomar estabilidade operacional. Caso contrário, o banco poderá enfrentar dificuldades adicionais, com possíveis reflexos no mercado financeiro local e na confiança de investidores.

A assembleia do dia 18 de março será, portanto, decisiva para o futuro da instituição e para a estratégia do Governo do Distrito Federal na condução do seu banco estatal.


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