Em uma movimentação rápida para evitar vácuo de poder, o Irã anunciou neste domingo o aiatolá Alireza Arafi, de 67 anos, como o jurista-membro do Conselho de Liderança Interina, órgão responsável por exercer as funções do líder supremo até a escolha de um sucessor definitivo para Ali Khamenei. A decisão, tomada pelo Conselho de Discernimento de Conveniência do Estado e divulgada pelo porta-voz Mohsen Dehnavi na rede X, posiciona Arafi como chefe do trio transitório ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni-Ejei.

Nascido em 1959 na província de Yazd, Arafi é uma figura de linhagem religiosa proeminente – filho de Mohammad Ibrahim al-Arafi, associado de Ruhollah Khomeini. Atualmente, lidera o sistema nacional de seminários xiitas (hawza), integra o Conselho dos Guardiães (que veta candidatos eleitorais) e a Assembleia de Especialistas (88 clérigos que elegem o líder supremo). Sua nomeação reforça a continuidade clerical dura, alinhada ao legado de Khamenei, morto no sábado em bombardeios dos EUA e Israel.
O conselho, previsto no Artigo 111 da Constituição iraniana, assume deveres como comando das Forças Armadas, política externa e supervisão judicial temporariamente. Sua missão prioritária é convocar a Assembleia para eleger o líder permanente “o mais rápido possível”, em meio a retaliações iranianas – mísseis contra bases americanas no Golfo e fechamento do Estreito de Ormuz – e luto nacional de 40 dias. Arafi, sem histórico de reformismo radical, deve priorizar estabilidade interna e resposta militar.
A transição ocorre sob tensão extrema: os strikes mataram 201 pessoas, incluindo familiares de Khamenei, e Trump/Netanyahu prometem mais ações contra o nuclear iraniano. Analistas veem Arafi como ponte para um sucessor conservador como Mojtaba Khamenei (filho do falecido) ou Ebrahim Raisi (se vivo), mas divisões no clero podem prolongar o governo interino. O petróleo supera US$ 120/barril, e a ONU pede urgente diálogo.


