Presidente, chefe do judiciário e jurista assumirão temporariamente liderança do Irã
Em meio a um dos capítulos mais explosivos da escalada no Oriente Médio, a mídia estatal iraniana confirmou neste domingo a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo por quase quatro décadas, vítima de bombardeios coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra Teerã. O anúncio, transmitido pela IRNA, instalou um conselho provisório formado pelo presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Ejei e um jurista do Conselho dos Guardiões – uma medida constitucional para estabilizar o poder até a escolha do sucessor pela Assembleia de Especialistas.
Os ataques de sábado atingiram o complexo de Khamenei, matando-o junto a familiares diretos – incluindo filha, genro e neto – e comandantes da Guarda Revolucionária. O balanço oficial do Crescente Vermelho registra 201 mortos e 747 feridos em 24 províncias, com relatos de 85 crianças em uma escola em Minab. Trump reagiu no Truth Social chamando-o de “justiça histórica” e instando o povo iraniano a derrubar o regime; Netanyahu, por sua vez, sinalizou mais 500 alvos nucleares e de proxies como Houthis e Hezbollah.
A resposta iraniana foi imediata e agressiva: mísseis balísticos contra bases americanas no Iraque, Jordânia e Bahrein, além de Israel e instalações no Golfo, culminando no fechamento declarado do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária – rota vital para 20% do petróleo mundial. Teerã decretou 40 dias de luto nacional e sete de feriado geral, com manifestações mistas de luto e celebrações isoladas. Líderes globais se dividem: China condena os strikes como “agressão”, enquanto Arábia Saudita e aliados do Golfo os veem como necessário; a ONU convocou sessão de emergência em Nova York.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, que depôs o xá Reza Pahlavi, o Líder Supremo encarna a teocracia xiita, detendo controle absoluto sobre Forças Armadas, Judiciário, política externa e aprovação de candidatos presidenciais – poderes exercidos só por Ruhollah Khomeini até 1989 e, depois, por Khamenei. O presidente, eleito mas vetado clericalmente, limita-se à economia interna. Agora, os 88 clérigos da Assembleia decidem o futuro em sigilo, em um momento de vulnerabilidade máxima para o regime.
A transição, prevista no Artigo 111 constitucional, pode durar semanas, mas o risco de colapso interno ou guerra regional mais ampla paira no ar, com mercados globais em pânico e o petróleo disparando acima de US$ 120 o barril.




