Lulinha tenta anular R$ 10 mi da Lava Jato sendo alvo da CPI INSS

Filho de Lula, investigado por desvios no INSS via Conafer, busca derrubar cobrança fiscal da Receita em contratos suspeitos com Oi. CPMI aprova quebra de sigilos.

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se alvo simultâneo de investigações no âmbito da CPMI do INSS e de uma disputa administrativa com a Receita Federal que envolve a cobrança de R$ 10 milhões em tributos. Enquanto tenta anular o débito fiscal relacionado a desdobramentos da Operação Lava Jato, ele também é investigado por suposta ligação com um esquema bilionário de descontos associativos irregulares em benefícios previdenciários.

A cobrança da Receita Federal tem origem em contratos firmados entre empresas ligadas a Lulinha, como a LILS Palestras e Eventos, e o grupo Oi/Telemar, que somariam cerca de R$ 100 milhões. O Fisco sustenta que não há comprovação efetiva da prestação de serviços previstos nos contratos, o que caracterizaria sonegação de impostos. A autuação administrativa alcança aproximadamente R$ 10 milhões. Embora o processo criminal derivado dessas apurações tenha sido arquivado após decisões do Supremo Tribunal Federal que anularam provas oriundas da delação do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, a cobrança tributária segue em tramitação na esfera administrativa.

Paralelamente, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social investiga um suposto esquema de descontos associativos não autorizados, estimado em R$ 800 milhões entre 2022 e 2025, com repasses que teriam passado por entidades como a Conafer. Em 26 de fevereiro de 2026, por 14 votos a 7, a CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha. A sessão foi marcada por tumulto e por um pedido de anulação apresentado por parlamentares do PT, que acabou rejeitado.

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), afirma haver indícios de que Lulinha teria atuado como “sócio oculto” em negócios ligados a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso nas investigações. Segundo o relatório preliminar, teriam sido identificados repasses de cerca de R$ 1,5 milhão por meio de empresa atribuída à empresária Roberta Luchsinger, apontada como próxima a Lulinha. Um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf e mensagens apreendidas pela Polícia Federal mencionariam pagamentos mensais de R$ 300 mil com a expressão “é pro filho do rapaz”. A Polícia Federal também apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de projetos relacionados à cannabis medicinal em Portugal.

Em depoimentos colhidos na Operação Sem Desconto, uma testemunha afirmou que Lulinha teria recebido R$ 25 milhões, além de uma mesada de R$ 300 mil, valores atribuídos a Antunes. A defesa nega as acusações. O contador Muniz Leite, que presta serviços à família Lula, também é citado como destinatário de boletos supostamente ligados ao esquema. Roberta Luchsinger teria sido mencionada em conversas como responsável por movimentações patrimoniais sob suspeita.

Em julho de 2025, Lulinha transferiu residência para a Espanha, movimento que ocorreu após a divulgação de informações sobre as investigações. A CPMI chegou a aprovar sua convocação em dezembro de 2025, mas a oitiva não foi realizada. Com a quebra dos sigilos, parlamentares da oposição intensificaram a pressão para que ele preste depoimento. Integrantes do Palácio do Planalto, segundo relatos de bastidores, atuaram junto a membros da comissão para evitar o que classificam como perseguição política.

Por meio de advogados, Lulinha nega qualquer participação em irregularidades, afirma que as acusações são infundadas e sustenta que provas vinculadas à Lava Jato foram declaradas nulas pelo STF, o que, em sua avaliação, comprometeria a base da cobrança fiscal. A Receita Federal e a Polícia Federal mantêm as apurações em curso, enquanto a CPMI do INSS avança na análise de documentos e depoimentos para consolidar seu relatório final.


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