Na manhã desta segunda-feira (2), o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, reuniu-se a portas fechadas com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para defender o projeto de lei do Governo do DF que prevê capitalização de até R$ 8,8 bilhões ao banco, visando cobrir prejuízos de R$ 5 bilhões oriundos da aquisição do Banco Master, liquidado pelo Banco Central.
A reunião, iniciada às 9h30, focou na crise financeira do BRB e nas alternativas para garantir sua sobrevivência com estabilidade e solidez.
Nelson de Souza alertou para o colapso regulatório sem aprovação do projeto: “O banco pode parar de funcionar caso o projeto de socorro não seja aprovado pela Câmara Legislativa”.
Ele detalhou impactos diretos, como a interrupção imediata das transferências de renda dos programas sociais operados pelo banco, que afetam cerca de 400 mil beneficiários; a paralisação da entrega de medicamentos de alto custo; a suspensão da bilhetagem do transporte público do DF; e o fim das operações de crédito imobiliário, rural, para micro e pequenas empresas e para servidores públicos distritais.
Sobre o projeto, negou ser “cheque em branco”: “O projeto cria instrumentos legais para que seja assegurada a sobrevivência do banco com estabilidade e solidez”. Ele admitiu pressão externa por privatização, mas defendeu a permanência pública, ecoando sua sabatina de novembro de 2025, quando afirmou: “Pretendo encarar a missão com extrema responsabilidade, força de vontade e total serenidade” e “O banco é público e deve transparência de todos os seus atos”.
Entre as ações apresentadas, Nelson expôs o plano de capitalização, com emissão de 1,675 bilhão de ações ordinárias para elevar o capital social em até R$ 8,8 bilhões, com votação prevista para 18 de março. As opções incluem aporte direto do GDF, empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito ou bancos privados, e transferência de nove imóveis públicos do GDF ao BRB para venda, fundo imobiliário ou garantia de empréstimo – apesar de críticas da Consultoria Legislativa da CLDF por fragilidades orçamentárias e risco ao patrimônio público. E
Nelson prometeu transparência semestral aos deputados e auditorias sobre o Banco Master, cuja compra de carteira de R$ 12,2 bilhões é suspeita de fraude.
O BRB enfrenta esse rombo devido à negociação do Banco Master na gestão anterior. A oposição, como PT e PSol, cobra responsabilização de ex-gestores até na base aliada, a exemplo de Rogério Morro da Cruz (PRD), que critica a “irresponsabilidade” e a falta de mapas e valores dos imóveis.
Wellington Luiz (MDB), presidente da CLDF, adiou a decisão para terça-feira (3).
Deputados como Eduardo Pedrosa (União), Jorge Vianna (PSD) e Pepa (PP) pediram mais dados técnicos, com a oposição exigindo “responsabilização antes de votar”.
Nelson, aprovado em sabatina em novembro de 2025 por 16 a 6 votos, enfatizou a separação entre “dimensão técnica e política”. A reunião se estendeu à tarde, deixando a votação ainda incerta.


