Presidente dos EUA cortou relações comerciais com a Espanha na terça (3) após dizer que o país europeu negou o uso de suas bases para ataques ao Irã
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disparou contra o presidente Donald Trump nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, acusando-o de “jogar roleta russa com o destino de milhões de pessoas” ao intensificar a guerra contra o Irã. Em pronunciamento nacional televisionado, Sánchez criticou os bombardeios dos EUA e de Israel como “imprudentes e ilegais”, reafirmando que Madri não será cúmplice de ações que arriscam catástrofes globais apenas para evitar retaliações.
Contexto da Crise Diplomática
A troca de farpas explodiu após Sánchez proibir aeronaves americanas de usarem bases aéreas e navais espanholas no sul do país – como Rota e Morón – para a ofensiva contra Teerã, violando acordos bilaterais da Otan segundo Washington. Trump reagiu na terça-feira (3), durante reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz na Casa Branca, ordenando ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, cortar “todas as relações comerciais” com a Espanha: “A Espanha tem sido terrível. Podemos usar suas bases se quisermos, ninguém nos diz que não”.
Sánchez rebateu: “É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade. Você não pode brincar de roleta russa com o destino de milhões”. Ele resumiu a posição espanhola em “Não à guerra”, priorizando valores e interesses nacionais sobre pressões aliadas.
Tensões na Otan e Impactos Econômicos
Aliados da Otan, EUA e Espanha veem relações azedarem em meio à escalada no Oriente Médio. Trump ameaçou tarifas e rompimento comercial – Espanha exporta US$ 15 bilhões anuais aos EUA, principalmente automóveis e vinhos –, enquanto Sánchez invocou direito internacional e regras da UE. Alemanha e França apoiaram discretamente Madri, temendo precedentes para suas bases.
Reações Internacionais
Merz, ao lado de Trump, evitou endossar o rompimento, focando em coordenação europeia. UE monitora impactos comerciais; Irã celebrou a “coragem espanhola”. Sánchez, enfraquecido por crise interna, usa o embate para unir PSOE e eleitores pacifistas pré-eleições municipais. Trump, fiel ao estilo, dobrou a aposta: “Tudo bem, cortamos e pronto”.
O episódio tensiona a aliança transatlântica, com risco de guerra comercial em ano de cúpulas da Otan.


