Saiba quem são servidores do BC afastados pelo STF em ação que prendeu Daniel Vorcaro do Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, o afastamento cautelar de dois servidores de alto escalão do Banco Central no contexto da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Os alvos são Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ex-comandantes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), que já estavam sob sindicância interna do BC por supostas falhas na fiscalização da instituição liquidada em novembro de 2025.

Perfis dos Afastados e Seus Papéis no Caso

Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC entre 2019 e 2023 e chefe-adjunto do Desup recentemente, foi responsável por autorizar a aquisição do Banco Máxima pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que renomeou a instituição para Banco Master – operação que antecedeu as fraudes apuradas. Belline Santana, que chefiou o Desup e assinou diversos ofícios enviados ao Ministério Público Federal sobre o Master, cogitada para diretoria de Fiscalização, relatou ao MPF uma transação suspeita de carteiras fictícias de crédito (desfeita em 2025), mas agora é questionada por possível omissão.

Ambos entregaram cargos por solicitação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, após abertura da sindicância em janeiro, em meio a críticas sobre a supervisão frouxa que permitiu o rombo.

Contexto da Operação Compliance Zero

A terceira fase, autorizada por Mendonça – que assumiu a relatoria do caso em fevereiro após saída de Dias Toffoli –, cumpriu quatro prisões preventivas (incluindo Vorcaro em São Paulo), 15 buscas e apreensões, e bloqueios de bens até R$ 22 bilhões. Apura ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos por organização criminosa ligada ao Master, que vendeu títulos falsos para inflar fundos e retornava via CDBs.

Vorcaro, cunhado preso de Eduardo Zettel , já havia sido detido em novembro de 2025 na primeira fase por gestão fraudulenta. PF aponta coordenação irregular entre BC e juiz na liquidação extrajudicial.

Implicações e Reações

Os afastamentos visam garantir imparcialidade nas investigações, que podem revelar conluio regulatório. BC apura omissões no Desup; defesa dos servidores nega irregularidades. Caso expõe fragilidades na supervisão bancária, com prejuízos bilionários ao SFN. Mendonça acelera fase sob pressão do MPF e Congresso.


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