Países produtores vão disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo para conter preço de combustíveis

A Agência Internacional de Energia anunciou nesta quarta-feira a liberação recorde de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais para conter a disparada nos preços do petróleo provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz na guerra entre EUA Israel e Irã.

Maior Intervenção Emergencial da História

Essa decisão unânime tomada pelos 32 países membros da AIE e liderada pelo diretor executivo Fatih Birol representa cerca de 25 a 30 por cento dos 1,2 bilhão de barris em estoques de emergência disponíveis e supera amplamente os 182 milhões liberados após a invasão da Ucrânia em 2022 tornando-se a maior ação desde a criação da organização em 1974. O volume calculado para compensar aproximadamente 20 dias de fluxo normal pelo Ormuz que movimenta 20 milhões de barris por dia entra em cena justamente quando o tráfego marítimo colapsou devido a ataques iranianos minas navais e destruição de embarcações por forças americanas.

Países Membros e Estratégia de Distribuição

Os Estados Unidos Japão Coreia do Sul Canadá Alemanha França Reino Unido e demais membros europeus lideram a iniciativa enquanto parceiros como China e Índia acompanham de perto os detalhes de cotas individuais por país serão divulgados em breve com liberação gradual ao longo de pelo menos dois meses priorizando mercados mais afetados pela escassez.

Contexto da Crise no Estreito de Ormuz

Desde fevereiro o conflito paralisou 20 por cento do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito pelo Ormuz elevando o preço do Brent de 70 para picos de 120 dólares o barril embora hoje estabilize próximo a 90 dólares após ataques iranianos a navios cargueiros refinarias e infraestruturas no Golfo Pérsico aliados à retaliação americana que destruiu 16 barcos minadores iranianos. Esse cenário gerou um engarrafamento de 150 petroleiros e reacendeu temores de recessão global semelhantes aos choques dos anos 1970 quando bloqueios semelhantes dispararam a inflação mundial.

Respostas Paralelas da OPEP+ e do G7

Enquanto a OPEP+ liderada por Arábia Saudita Rússia e Iraque aumentou a produção em 206 mil barris diários desde abril o foco emergencial recai sobre a AIE com líderes do G7 tendo discutido a liberação na semana passada sob forte pressão dos Estados Unidos e aliados para conter a inflação nos combustíveis que já registra altas de 15 a 20 por cento no Brasil e nos EUA. Analistas preveem alguma estabilização nos mercados mas alertam que estoques reduzidos limitam ações futuras caso o Ormuz permaneça fechado prolongando a instabilidade energética global.

Impactos Imediatos e Perspectivas

No Brasil a Petrobras monitora de perto os desdobramentos enquanto preços de gasolina e diesel pressionam o bolso do consumidor e a economia em geral com Fatih Birol destacando que essa ação majoritária visa especificamente aliviar o choque de oferta e evitar pânico nos mercados embora especialistas enfatizem a necessidade urgente de reabertura da rota marítima para uma recuperação sustentável.


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