Polícia desarticula venda de armas produzidas com impressoras 3D; 4 pessoas foram presas

A Operação Shadowgun deflagrada nesta quinta-feira (12) pelas polícias civis do Rio de Janeiro e de outros dez estados em conjunto com os Ministérios Públicos e o Ministério da Justiça desmantelou uma quadrilha nacional que fabricava e comercializava armas de fogo completamente indetectáveis apelidadas de “armas fantasmas” por serem produzidas em impressoras 3D sem qualquer numeração ou possibilidade de rastreamento.

Armas produzidas em impressoras 3D — Foto: Reprodução

Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca está entre os 4 presos até o momento. Os investigadores descobriram que ele é engenheiro e usava um nome falso para publicar testes e orientações para montagens das armas e é considerado o líder do grupo.

Rede Interestadual e Estrutura Profissional

O esquema operava há pelo menos cinco anos com divisão clara de tarefas sob liderança de um engenheiro formado em controle e automação industrial que se escondia sob nome falso em Piracicaba no interior de São Paulo e coordenava uma célula enxuta de três a cinco integrantes responsáveis pela produção técnica divulgação em fóruns da deep web e vendas para traficantes milícias e extremistas ideológicos através de criptomoedas. A operação cumpriu cinco prisões preventivas sendo quatro já efetivadas e 36 mandados de busca e apreensão espalhados por Rio de Janeiro São Paulo Rio Grande do Sul Minas Gerais Paraná Santa Catarina Bahia Pernambuco Ceará Goiás e Mato Grosso com foco em desarticular não apenas os fabricantes mas também os canais de distribuição que alcançaram 79 compradores identificados desde 2021 incluindo dez no Rio de Janeiro diretamente ligados a facções criminosas.

Tecnologia e Estratégia de Vendas Sofisticada

Os criminosos produziam carregadores de pistolas pistolas semiautomáticas completas e até projetos preliminares de fuzis utilizando impressoras 3D de alta precisão com divulgação agressiva em redes sociais especializadas grupos de Telegram e dark web incluindo vídeos de testes balísticos ao vivo para demonstrar letalidade e um manual técnico de mais de cem páginas instruindo compradores sobre montagem caseira acabamento com resina e munição compatível tudo isso a preços acessíveis que democratizavam o acesso a armamento pesado para o crime organizado.

Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios — Foto: Polícia Civil

A investigação iniciada por alerta internacional ao CIBERLAB do Ministério da Justiça e conduzida pela 32ª Delegacia de Polícia de Taquara no Rio de Janeiro com apoio do CyberGAECO do MPRJ mapeou toda a cadeia desde os arquivos CAD originais até as transações em Bitcoin rastreadas por análise forense de blockchains.

Apreensões e Manifesto Ideológico

Nas buscas foram recolhidas impressoras 3D de última geração peças inacabadas munições de grosso calibre notebooks com projetos criptografados e carteiras digitais contendo milhares de dólares em criptoativos enquanto o líder do grupo se revelava um ideólogo radical que publicava manifestos pró-porte irrestrito de armas defendendo a impressão 3D como forma de burlar o controle estatal e empoderar cidadãos contra supostas tiranias com linguagem que ecoava tanto extremistas de direita quanto anarquistas tecnológicos. Autoridades alertam que essa proliferação de “armas fantasmas” representa um salto qualitativo no poder de fogo do crime organizado pois elimina completamente o rastro burocrático tradicional e permite produção em escala doméstica com custo irrisório frente a armas importadas.

Resultados e Perspectivas da Operação

Com quatro prisões consumadas incluindo o engenheiro líder e buscas ainda em andamento a Shadowgun marca a maior ofensiva já deflagrada contra esse tipo de criminalidade tecnológica no Brasil expondo a vulnerabilidade das impressoras 3D comuns ao mercado como ferramenta de desestabilização pública e pavimentando investigações complementares contra os compradores identificados que incluem figuras de alto escalão do narcotráfico nacional enquanto peritos do MJSP analisam os projetos apreendidos para mapear variantes já em circulação nas ruas.


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