O empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre, foi fotografado pela Polícia Federal carregando R$ 350 mil em espécie durante monitoramento realizado no âmbito de uma investigação sobre supostos desvios em contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no Amapá. O episódio consta em relatório sigiloso produzido durante a Operação Route 156, que apura um esquema de fraudes em licitações e contratos públicos ligados à rodovia BR-156.
De acordo com os investigadores, o flagrante ocorreu no dia 7 de novembro de 2024, em uma agência bancária localizada no município de Santana, na região metropolitana de Macapá. Agentes da Polícia Federal que realizavam vigilância registraram a saída do empresário do banco por volta das 13h40, aproximadamente meia hora após sua entrada na agência, carregando uma mochila azul com R$ 350 mil em dinheiro vivo.
O monitoramento ocorreu durante diligências da Operação Route 156, deflagrada oficialmente em 22 de julho de 2025, que investiga uma suposta organização criminosa voltada à manipulação de licitações e desvio de recursos federais destinados a obras rodoviárias. O foco central das apurações são contratos relacionados à BR-156, estrada estratégica que liga o município de Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, ao município de Laranjal do Jari, no sul do estado.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria atuado em fraudes envolvendo contratos do DNIT no Amapá, com desvios estimados em cerca de R$ 60 milhões. Os investigadores apontam que Breno Chaves Pinto seria uma figura central do chamado “núcleo empresarial” do esquema, por meio de empresas ligadas a obras de infraestrutura.
Entre as companhias citadas nas investigações estão as construtoras LB Construções e Rio Pedreira, controladas pelo empresário e vencedoras de licitações relacionadas a obras de manutenção e pavimentação rodoviária. De acordo com o relatório policial, essas empresas teriam vencido quatro pregões eletrônicos vinculados a contratos públicos, levantando suspeitas de direcionamento de licitações.
O saque de R$ 350 mil em dinheiro vivo também chamou a atenção da Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que identificou movimentações consideradas atípicas nas contas relacionadas ao empresário. Relatórios de inteligência financeira apontaram saques sucessivos que ultrapassaram R$ 3 milhões em espécie ao longo do período investigado, geralmente realizados pouco tempo após pagamentos provenientes de contratos públicos. Para os investigadores, o padrão pode indicar tentativas de ocultação e lavagem de capitais.
Outro ponto destacado no relatório da Polícia Federal envolve o veículo utilizado pelo empresário no dia do saque. Segundo os agentes, Breno Chaves Pinto deixou a agência bancária em uma SUV branca registrada em nome da empresa Lojas 2A Ltda, pertencente a Alberto Brasil Alcolumbre e André Brasil Alcolumbre, primos do senador Davi Alcolumbre. Posteriormente, o veículo teria sido transferido para o empresário em julho de 2025, meses após o episódio monitorado.
A investigação também menciona que o empresário possuía forte influência em decisões administrativas relacionadas ao DNIT no Amapá, o que teria facilitado sua atuação junto a empresas contratadas para obras federais no estado. Os investigadores apontam indícios de tráfico de influência, embora ressaltem que o senador Davi Alcolumbre não figura como investigado no inquérito.
Procurado, Alcolumbre afirmou que não possui relação com as atividades empresariais de seu suplente e que eventuais atos praticados por Breno Chaves Pinto dizem respeito exclusivamente à esfera privada do empresário.
A defesa de Breno Chaves Pinto sustenta que não houve irregularidade nos saques em espécie. Segundo advogados do empresário, os valores teriam sido utilizados para pagamento de fornecedores, despesas operacionais e funcionários, prática que, de acordo com eles, ainda ocorre em setores da construção civil em regiões com menor bancarização.
Já o DNIT informou, em nota, que colabora com as investigações e reiterou compromisso com a transparência e o combate a irregularidades em contratos públicos.
A Operação Route 156 cumpriu 11 mandados de busca e apreensão no Amapá durante sua fase ostensiva. A Polícia Federal também realizou quebras de sigilo bancário e fiscal de investigados e empresas suspeitas de participação no esquema. O inquérito segue em andamento e poderá resultar em denúncias por corrupção, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.


