Petroleiros começam a passar ‘aos poucos’ pelo Estreito de Ormuz, afirma Casa Branca

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou nesta terça-feira à emissora CNBC que petroleiros estão começando a atravessar o Estreito de Ormuz “aos poucos”, sinalizando um alívio gradual no tráfego marítimo essencial para o comércio global de petróleo em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Hassett, que ocupa cargo de destaque na equipe econômica de Trump desde a posse em janeiro de 2025, destacou o movimento inicial de navios-tanque como indício de que as forças americanas controlam progressivamente a rota estratégica, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Ele enfatizou que os EUA priorizam a reabertura segura do estreito, bloqueado pelo Irã em retaliação aos bombardeios iniciais em instalações nucleares e militares iranianas.

Contexto da Crise no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz, ponto de conexão entre o Golfo Pérsico e o mar de Omã, tornou-se epicentro da tensão após o Irã anunciar o fechamento parcial da via em resposta aos ataques liderados pelos EUA na semana passada. A medida iraniana, que incluiu minas navais e ameaças a embarcações estrangeiras, provocou paralisação imediata de dezenas de petroleiros, elevando os preços do petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril e gerando temores de recessão global. Autoridades americanas, no entanto, afirmam que forças navais da Marinha dos EUA, apoiadas por aliados como Arábia Saudita e Emirados Árabes, neutralizaram as principais ameaças, permitindo que os primeiros navios reiniciem a travessia sob escolta.

Trump, em pronunciamento recente, descreveu a operação como “cirúrgica e decisiva”, com foco em desmantelar o programa nuclear iraniano e sua capacidade de exportação de petróleo, mas sem intenção de invasão terrestre. Hassett complementou essa visão à CNBC, projetando que o fluxo normal de 21 milhões de barris diários pelo estreito deve se restabelecer em até duas semanas, alinhado ao cronograma de “vitória rápida” prometido pelo presidente.

Implicações Econômicas e Globais

A retomada gradual do tráfego marítimo traz alento aos mercados, que registraram volatilidade extrema nos últimos dias, com ações de energia subindo e índices como o Dow Jones oscilando. Analistas apontam que, sem o bloqueio prolongado, o impacto inflacionário no Brasil – grande importador de diesel e gasolina – pode ser contido, embora os preços internos já reflitam alta de 15% nas refinarias. Países asiáticos, como China e Índia, dependentes do petróleo do Golfo, pressionam por mediação via ONU, mas Trump rejeita negociações enquanto o Irã não capitular.

A estratégia de duração curta, segundo Hassett, visa minimizar custos militares americanos – estimados em US$ 1 bilhão por semana – e preservar a coalizão internacional, que inclui apoio logístico de Israel. Críticos, porém, alertam para riscos de retaliação iraniana via proxies no Iêmen e Líbano, o que poderia estender o conflito além do previsto.

Reações Internacionais e Perspectivas

Governos europeus cobram moderação, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou sessão emergencial do Conselho de Segurança para discutir o bloqueio e suas repercussões humanitárias. No Oriente Médio, a Arábia Saudita elogiou a ação americana como “necessária para a paz regional”, mas evita compromissos diretos de tropas. No Brasil, o Ministério das Relações Exteriores monitora o cenário, com o Itamaraty emitindo nota sobre “preocupação com a escalada” e apelo por diálogo.

Com petroleiros testando a rota aos poucos, o mundo observa se a previsão otimista de Hassett se concretizará, definindo não só o desfecho da guerra, mas o rumo da economia global nos próximos meses. A Casa Branca mantém silêncio sobre detalhes operacionais, reforçando que atualizações virão conforme o estreito se libere completamente.


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