STF persegue quem investiga crimes de ministros enquanto Planalto manobra para blindar corruptos
Por Victório Dell Pyrro
Lula e Gilmar Mendes e Alcolumbre formam hoje o retrato acabado de um sistema que se vê acima da lei: derrubam relatório de CPI com manobra rasteira, intimidam o relator e agora falam em tornar senador inelegível por ter ousado apontar crimes de responsabilidade de ministros do STF.
STF contra senador, não contra o crime
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira, cumpriu exatamente o que a Constituição espera de um parlamentar: apontou indícios de crimes de responsabilidade de autoridades que, em tese, extrapolaram seus limites.
O relatório pedia o indiciamento de Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e do PGR Paulo Gonet, com base em fatos apurados ao longo de meses de trabalho, oitivas e coleta de documentos. Inclusive dados da Receita, da Polícia Federal e outros órgãos de controle.
A reação do STF foi imediata – e reveladora.
Em vez de explicar sua própria conduta, Gilmar Mendes decidiu mirar no mensageiro: quer que a PGR investigue Alessandro Vieira por suposto abuso de autoridade, tratando um relatório técnico de CPI como “constrangimento institucional” contra a Corte.
Ou seja, quando policiais, promotores ou senadores chegam perto dos ministros, passa a ser “abuso de autoridade”; quando ministros atropelam a política, chamam de “defesa da democracia”.
Aliás defesa da democracia é usada para cometer crimes em série por esses senhores. Alcolumbre hoje fez discurso contra seus liderados. Disse que é ataque às instituições o relatório que não atacou ninguém. Pediu indiciamento de crimonosos, segundo a Polícia, e que se escondem atrás de cargos poderosos.
Lula pagou seu débito. Ele estava devendo a Gilmar Mendes e seus cúmplices por tê-lo livrado da cadeia, mesmo após condenação e depois anulado suas condenações.
A manobra para matar a CPI
Para completar o escárnio, o relatório nem sequer foi derrotado em voto limpo.
Horas antes da votação, houve uma manobra explícita: foram trocados três membros da CPI, justamente para fabricar uma maioria artificial contra o parecer de Vieira. Uma manobra de Lula em agradecimento à sua “descondenação”. Olha só. Vivemos num país comandado, orquestrado por descondenado.
Registros do Senado mostram que Sergio Moro e Marcos do Val foram substituídos por Beto Faro e Teresa Leitão, ambos do PT, e Soraya Thronicke foi alçada a titular, alterando por presidentes de partidos sem compromisso com a coisa publica, o equilíbrio da comissão em cima da hora.
O próprio Alessandro Vieira denunciou que houve “intervenção direta do Palácio do Planalto” para mudar integrantes e garantir a rejeição do relatório, deixando claro o dedo do governo Lula na operação para blindar ministros do STF e o PGR.
Não é “coincidência institucional”: é o Executivo interferindo no Legislativo para proteger o Judiciário.
É o sistema inteiro se fechando em torno de seus próprios interesses e usando as regras do jogo como arma contra quem ousa apontar o óbvio.
Lula blinda o STF, o STF persegue o Senado
Fica cada vez mais evidente que Lula e uma ala do STF atuam em simbiose.
O governo se mexe para trocar membros da CPI e matar o relatório; parte da Corte, ofendida por ser nominalmente citada, articula nos bastidores uma resposta política contra o senador que ousou encostar nos “intocáveis”.
Uma ala do STF discute “alternativas jurídicas” para tentar tornar Alessandro Vieira inelegível ainda este ano, simplesmente porque ele colocou ministros no rol de investigados da CPI.
Isso não é Justiça; isso é intimidação política travestida de linguagem jurídica, é recado claro a qualquer parlamentar: mexeu com ministro, mexeu com a sua própria carreira.
Gilmar quer mais um Dallagnol . O mesmo sistema criminoso que puniu o ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol quer agora punir Vieira. Um escárnio, assim como roda essa lama.
Lula ganha porque protege seus aliados no sistema; ministros ganham porque seguem blindados e intocáveis; Alcolumbre ganha junto com seus parceiros e quem perde é o Senado, a CPI e, principalmente, a ideia de que todos são iguais perante a lei. Perdemos o brilho da Justiça e estamos sob o manto do crime organizado.
Gilmar, o STF e o medo de prestação de contas
Em vez de se defender no campo dos fatos, Gilmar correu para as redes e para o plenário da 2ª Turma para desqualificar o relatório, dizendo que CPI não tem “base legal” para pedir indiciamento de ministros e chamando o trabalho de “proposta tacanha”.
Ao mesmo tempo, levanta a tese de que a CPI pode ter cometido “abuso de autoridade” – invertendo o papel: o investigado vira vítima, e o investigador vira criminoso.
Isso é típico de quem está acostumado a não ser questionado: qualquer tentativa de controle vira ataque institucional; qualquer fiscalização vira golpe contra a democracia.
Não há nada mais antidemocrático do que uma Corte que se sente acima de qualquer controle, que reage com ameaça de punição pessoal a um senador por exercício de sua função constitucional em uma CPI regularmente instalada.
Gilmar Mendes não quer apenas derrotar um relatório; quer criar um precedente de medo.
O recado é direto: quem apontar o dedo para o STF pode sair dessa história não como fiscal, mas como réu, inelegível, silenciado.
O STF que criminaliza o controle
O que está em jogo não é apenas o futuro político de Alessandro Vieira.
É a possibilidade de o Congresso investigar, de fato, ministros da Suprema Corte e outras autoridades, sem sofrer retaliação velada ou explícita do próprio Judiciário que deveria ser o primeiro a respeitar o princípio da responsabilidade.
Quando uma ala do STF conspira para tornar um senador inelegível por causa de um relatório de CPI, não estamos falando de “defesa da instituição”, e sim de autopreservação de casta.
Quando o governo Lula mexe em composição de CPI para enterrar relatório que atingia ministros e o PGR, não está defendendo democracia; está blindando comparsas aliados e punindo quem ousa sangrar o sistema.
O país está diante de um Supremo que não tolera ser investigado e de um governo que atua como escudo dessa blindagem, contra o Parlamento e contra a própria ideia de separação de Poderes.
Indignar-se com isso não é radicalismo; é a mínima sanidade democrática.







