Por Victório Dell Pyrro
Enquanto o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, varre a máquina pública de 1,6 mil funcionários “fantasmas” apadrinhados por políticos, emerge o hediondo segredo da Alerj: amantes de desembargadores que sugam salários públicos sem prestar serviço algum. Não se trata de boato isolado, mas de um esquema podre que deputados estaduais – cúmplices silenciosos por anos – agora ameaçam combater só porque Couto ousou cortar suas tetas políticas.
O Crime Consagrado: Dinheiro Público para “Amantes de Toga”
A existência dessas funcionárias fantasmas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) não é novidade para quem circula nos corredores do poder fluminense. São mulheres – descritas como “amantes de desembargadores” em listas que circulam nas redes e portais independentes – contratadas em cargos comissionados ou funções gratificadas, recebendo polpudos vencimentos sem crachá, sem acesso ao SEI e sem qualquer vestígio de labor. Esse desvio de recursos públicos, que drena milhões dos cofres estaduais, configura crime de peculato, nepotismo cruzado e improbidade administrativa, puníveis com prisão e inelegibilidade.
Os cortes de Couto – 1,6 mil exonerações em pastas como Secretaria de Governo e Casa Civil, além de pacotes de 94 e quase 100 cargos em abril – expuseram o tamanho da ferida: aliados de Cláudio Castro (PL) e do presidente da Alerj, Douglas Ruas (PP), lotavam a administração com apadrinhados. Mas na Alerj, o foco recai sobre essas “favoritas”: mulheres que, segundo as ameaças dos deputados, desfrutam de imunidade por laços íntimos com togas do TJ-RJ, traindo o juramento de isenção que esses magistrados prestaram.
A Hipocrisia dos Deputados: Sabiam, Calaram e Agora Posam de Heróis
Aqui reside a canalhice máxima: os deputados da base de Castro, autodenominados “aloprados”, ameaçam divulgar a lista em retaliação a Couto, como se fossem paladinos da moralidade. Ora, esses mesmos parlamentares aprovaram os contratos, indicaram os nomes e engoliram o desvio por anos, enquanto o contribuinte carioca arcava com a conta. A jornalista Vera Araújo, do G1, foi a primeira a ventilá-la, e o burburinho se alastra por X (ex-Twitter), Reddit e Instagram – mas cadê a denúncia formal ao MP-RJ ou à PF?
Essa disfarçada é criminosa: sabem que as contratações violam a Súmula Vinculante 13 do STF (nepotismo), o artigo 312 do Código Penal (peculato) e a Lei de Improbidade (8.429/92). Só agora, com as tetas cortadas por Couto – respaldado pelo Supremo –, fingem indignação. É chantagem política, não justiça: “Se você corta os nossos, exponho os seus”. Onde estava essa fúria ética quando o esquema engordava suas próprias bases?
Impacto Bilionário: R$ 10 Mi Mensais em Economia, Mas o Veneno Persiste
As exonerações de Couto já poupam R$ 10 milhões por mês e miram auditoria de R$ 81 bilhões em contratos suspeitos. Policiais civis de alto escalão, aliados de Castro, foram varridos. Mas o foco nas “amantes de toga” da Alerj cutuca o ninho de vespas: desembargadores que julgam a todos menos a si mesmos. Especialistas em direito público alertam que divulgar nomes pode configurar calúnia, mas o MP-RJ tem dever de investigar – e punir – independentemente de listas ou ameaças.
Editorial Crítico: Hora de Acabar com a Farra das Togas e das Camas
Esse episódio é o retrato nauseante da política fluminense: um ciclo de corrupção onde amantes viram servidoras, deputados viram capangas e desembargadores viram protetores. Couto faz o dever de casa, mas sem CPI na Alerj, ação do MP e holofotes da PF, o esquema sobrevive. Exigimos transparência total: publique-se a lista, investigue-se os laços e processe-se os culpados. O povo carioca não é banco de putaria togada.
O caso reforça o debate sobre reforma administrativa e fim de cargos vitalícios. Atualizações conforme novas denúncias – que, esperamos, não sejam só bravatas.







