Hantavírus no cruzeiro MV Hondius: o que se sabe, como se transmite e prevenção

Uma suspeita de surto de hantavírus no navio de cruzeiro holandês MV Hondius mobiliza autoridades de saúde internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou dois casos da doença e investiga outros cinco suspeitos a bordo ou entre passageiros que já desembarcaram. Até agora, três pessoas morreram — um casal holandês e um cidadão alemão —, um paciente está em estado crítico na África do Sul e outros três apresentam sintomas leves.

Navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus. — Foto: AFP

A evacuação dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, afetado começará na segunda-feira (11), nas Ilhas Canárias, informou nesta quarta-feira (6) o Ministério do Interior da Espanha. A informação foi divulgada pela agência de notícias francesa AFP.

“Todos os passageiros permanecerão no cruzeiro até a chegada de seus aviões”, afirmou uma fonte do ministério, depois de o governo anunciar que o navio chegaria ao arquipélago espanhol no Atlântico antes de sábado.

O que está ocorrendo no navio

DadoInformação
NavioMV Hondius (cruzeiro holandês)
LocalizaçãoAncorado em Cabo Verde
Total de casos identificados7 casos suspeitos
Mortes3 (incluindo uma a bordo)
Pacientes a bordo4 pessoas (1 crítico, 3 leves)
Passageiros já desembarcados3 pessoas
Primeiro caso confirmadoBritânico que desembarcou em 27/abril na Ilha de Ascensão

A OMS avalia que os infectados podem ter contraído o vírus antes do embarque, considerando o período de incubação de 1 a 6 semanas, mas não descarta transmissão pessoa a pessoa entre passageiros em contato muito próximo.

Raro caso de transmissão humana

Tradicionalmente, o hantavírus é transmitido por roedores. No entanto, a OMS indica que pode ter ocorrido uma rara transmissão de pessoa para pessoa no MV Hondius, algo documentado esporadicamente na Argentina e Chile com o hantavírus Andes. A organização enfatiza que o risco para a população geral é baixo.

Como o hantavírus se transmite

As principais formas de transmissão são:

Via de transmissãoDescrição
InalaçãoPartículas do vírus presentes na urina e fezes de roedores suspensas no ar com poeira
Contato com mucosasMãos contaminadas com excretas de roedores tocam olhos, boca ou nariz
PercutâneaEscoriações na pele ou mordedura de roedores
Pessoa a pessoaRelato esporádico na Argentina e Chile (hantavírus Andes), por contato muito próximo

O vírus é transmitido principalmente por roedores silvestres (como ratos silvestres), e não pela interação com pessoas infectadas em condições normais.

Sintomas da hantavirose

A forma mais grave no Brasil é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que pode evoluir rapidamente para dificuldade respiratória grave. Os sintomas iniciais lembram uma gripe forte:

  • Febre alta
  • Dor muscular intensa
  • Dor de cabeça
  • Calafrios
  • Náuseas, vômitos, dor abdominal

Com a evolução, podem surgir tosse, falta de ar e comprometimento cardíaco. A doença é letal em mais de 40% dos casos no Brasil.

Como prevenir a hantavirose

A prevenção baseia-se em impedir o contato com roedores silvestres e suas excretas:

Medidas preventivas fundamentais

  1. Roçar terrenos próximos a residências para reduzir abrigo de roedores
  2. Descarte adequado de entulhos para evitar acúmulo que atraia roedores
  3. Armazenar alimentos em recipientes fechados e à prova de roedores
  4. Manter ambientes limpos e arejados, sem acúmulo de poeira
  5. Não varrer ou aspirar fezes de roedores, pois isso dispersa o vírus no ar

Na limpeza de áreas com roedores

  • Use luvas de proteção e máscara
  • Desinfete superfícies com solução de água sanitária
  • Umedeça as fezes antes de limpar para evitar que o vírus fique suspenso no ar

Em ambientes fechados (navios, casas, armazéns)

  • Vedação de frestas e buracos que permitam entrada de roedores
  • Inspeção regular de áreas de armazenamento de alimentos
  • Controle integrado de pragas com profissional especializado

Hantavírus no Brasil

O vírus do surto no navio já circula no Brasil há décadas. O país registrou mais de 2 mil casos da doença ao longo do tempo, com letalidade superior a 40%. A vigilância epidemiológica deve ser acutada em caso de suspeita, especialmente para viajantes que estejam na embarcação ou tenham tido contato com passageiros.

O que fazer em caso de suspeita

Se você apresenta sintomas (febre alta, dor muscular, dificuldade respiratória) e teve contato recente com roedores ou esteve em locais com surto suspeito:

  1. Procure unidades de saúde imediatamente
  2. Informe o histórico de viagem e exposição a roedores
  3. Não se automedique — a evolução pode ser rápida e grave

A OMS recomenda monitoramento dos casos e enfatiza que o risco para a população geral permanece baixo, desde que as medidas de prevenção sejam adotadas.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *