Lula, os irmãos Batista e a “diplomacia paralela” com Trump: poder, favores e a moral do governo, são alvos de críticas de Nikolas Ferreira
O deputado Nikolas Ferreira postou um vídeo no Instagram relacionando a crise envolvendo os produtos da marca Ypê, doadora de campanha do bolsonarismo e a Anvisa. O que isso tem a ver com o telefonema de Lula e Donald Trump?
O telefonema em que Lula conversou com Trump pelo celular de Joesley Batista, revelado como peça central de bastidores da Casa Branca, não é apenas um “detalhe curioso” da política externa. É o retrato cru de uma relação de poder precária entre o Estado brasileiro e o império privado dos irmãos Batista, em que o presidente se inclina mais ao WhatsApp do capital do que aos protocolos da diplomacia. Mais ainda, os irmãos Batista seriam donos de uma concorrente, a marca Minuano. Nikolas questiona uma série de ações do governo Lula que beneficiaram os Batistas.
A cena simbólica: Lula no Alvorada, Joesley no telefone e o Estado de lado
Segundo relatos de fontes do governo, o encontro decisivo entre Lula e Trump foi destravado por uma ligação de 40 minutos feita pelo aparelho celular de Joesley Batista, dentro do próprio Palácio da Alvorada, sem a presença do chanceler ou de qualquer time oficial de relações exteriores. A cena é quase cinematográfica: o presidente da República, com dificuldade de encaixar uma agenda com o governo norte‑americano, pede ajuda a um empresário que já foi delator em esquema de corrupção gigantesco e hoje se senta de igual para igual com presidentes.
O fato de Trump ter dito “I love you” pode até ser tratado como piada de campanha, mas o que não é piada é que o canal de comunicação “oficial” entre dois líderes mundiais tenha passado por um celular privado de um bilionário confessamente corrupto, e não por um canal institucional.
O poderio dos irmãos Batista e a normalização do “pecado perdoado”
Os irmãos Joesley e Wesley Batista não são apenas empresários ricos; são protagonistas de um dos maiores escândalos de corrupção do país, donos de um império de proteína animal que se transformou em um braço quase autônomo de política externa brasileira. A JBS, via Pilgrim’s Pride, foi uma das maiores doadoras para a posse de Trump; Joesley acompanhava Lula em viagens à Ásia e à China, integrando comitivas oficiais e assinando convênios bilaterais como se fosse um ministro de Estado.
Aristocraticamente, o governo trata os Batista como “empresários amigos”, mas esquece que eles são, ao mesmo tempo, figuras condenadas ou descondenadas ou ainda respondendo a processos por práticas de corrupção e crimes ambientais, que usaram a delação como forma de se reequipar politicamente. A reabilitação deles no Palácio do Planalto não é sorte, é um gesto voluntário de Lula de recolocar na cena política internacional o mesmo grupo que ajudou a financiar o sistema de favores que ele diz combater.
Relações umbilicais entre Lula e os Batista: de Ypê a “caixa da Friboi”
O vídeo de Nikolas Ferreira, embora carregado de tom de guerra, tenta mostrar o que é evidente: quase toda decisão controversa do governo Lula que toca em JBS, agro, Ypê, acaba passando pela órbita dos Batista. Assista clicando na imagem abaixo:

Na tarifa do carne brasileira nos EUA, o governo coloca sigilo de cinco anos em documentos diplomáticos que tratam diretamente de Joesley e Wesley Batista, impedindo que o cidadão veja o quanto o interesse da JBS está embutido na “segurança nacional” negociada com Trump. Em agendas ao vivo, Lula elogia os irmãos Batista, chama a JBS de “orgulho nacional” e presenteia líderes estrangeiros com caixas de carne da Friboi, como se a empresa deles fosse um braço nobre do Estado e não um conglomerado impulsionado por empréstimos e favores públicos.
O governo Lula é acusado de priorizar interesses financeiros ligados a grandes grupos, enquanto o discurso é de “inclusão” e “soberania” — uma narrativa que justifica a centralidade de atores privados como os Batista no corredor do poder. Em tudo isso, o “acordo” é implícito: o governo precisa deles para vender carne, para abrir mercados, para negociar com Trump; eles precisam de Lula para livrar restrições, para proteger processos e para se tornarem donos de fato da política de agro e comércio.
O atalho de Trump, o celular de Joesley e a desmontagem do Itamaraty
O episódio do celular de Joesley reforça um hábito de Lula: enxergar o Estado como um cartão de visitas, mas tratar os empresários como arquitetos do poder. Quando o chanceler não consegue destravar uma agenda com Trump, quem entra em campo não é um embaixador, não é um diretor de política internacional, mas um bilionário que, por conveniência ideológica e econômica, ficou de bem com ambos os lados.
O que deveria ser uma relação de Estado—a—Estado, com transparência, agenda pública e registro formal, vira um WhatsApp de influência privada, onde o telefonema é feito por um celular estranho ao protocolo, sem registro diplomático e sem qualquer escrutínio público. A mensagem subjacente é humilhante para a carreira diplomática: o que a diplomacia não resolve, Joesley resolve com um toque na tela.
O papel de Nikolas Ferreira: eco de um desespero ético
O deputado Nikolas Ferreira coloca o vídeo no Instagram como um “granada política”: ele não quer apenas expor a tessitura mais ampla de uma aliança que parece ser a verdadeira trincheira de poder por trás do governo Lula. Em seus clipes, Nikolas liga a JBS as decisões regulatórias e a forma como o governo lida com grandes empresas como Ypê e a Friboi, sugerindo que há um corredor de negócios privados que passa atravessado dentro do Planalto.
O que ele não diz, e talvez deva, é que o problema não é só “Lula ser amigo dos Batista”, mas a ausência de um sistema que impeça que um empresário com histórico de corrupção e uma fortuna descomunal se torne tãopresente em decisões governamentais que o beneficie.
Conclusão: o que o telefone de Joesley revela sobre o governo Lula
O telefonema de Lula para Trump pelo celular de Joesley Batista é muito mais do que uma “anecdota simpática”. É a materialização de um Estado capturado por uma elite privada que, em vez de ser regulada, é tratada como co‑governante. Enquanto o governo insiste em narrativas de “novo PT” e “moralidade”, permite que empresários condenados por crimes de milhões de reais se sentem à mesa do Palácio como se fossem salvadores do povo brasileiro.
A diplomacia paralela, operada por um aparelho celular, não é eficiência: é fraqueza institucional camuflada de informalidade. E o que soa como “I love you” entre Lula e Trump é, na verdade, um recado para o país: aqui, o poder real passa por Joesley Batista, e quem não perceber isso está fora do jogo.




