Justiça solta MCs Poze do Rodo e Ryan e alimenta violência e prejuízo social

Por Victório Dell Pyrro

A exdrúxula decisão da Justiça de colocar em liberdade acusados de envolvimento em esquemas criminosos ligados a lavagem de dinheiro, bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico de drogas expõe, mais uma vez, a distância entre a gravidade dos delitos investigados e a sensação de impunidade que revolta a população. A policia prende e a “justiça” solta. É fato.

No caso de MC Poze do Rodo, preso na Operação Narco Fluxo, a apuração aponta para um esquema de circulação de dinheiro sujo ligado ao tráfico internacional de drogas e a atividades ilegais que movimentam fortunas à margem da lei. Já MC Ryan SP deixou o presídio após decisão do TRF-3, em investigação que mira um esquema bilionário de lavagem de dinheiro associado a bets clandestinas e rifas ilegais.

Não se trata de delitos menores, nem de simples irregularidades administrativas. Lavagem de dinheiro é o combustível que mantém estruturas criminosas vivas. Bets ilegais e rifas clandestinas operam como fachada para ocultar origem ilícita de recursos, explorar financeiramente a população e financiar redes que, no fim da cadeia, reforçam o tráfico, a corrupção e a violência urbana.

O prejuízo para a sociedade é imenso. Enquanto esses esquemas lucram com a vulnerabilidade de milhares de pessoas, famílias inteiras arcam com as consequências diretas e indiretas da criminalidade: aumento da violência, desestruturação comunitária, perda de recursos públicos, incentivo à ilegalidade e fortalecimento de organizações que agem como verdadeiros poderes paralelos.

A raiz do problema? Juízes que não aplicam a lei. Sabe-se lá o porque. A soltura de gente do crime organizado, ligadas a facçõesque são na verdade narcoterroristas, ainda que acompanhada de medidas cautelares, como entrega de passaporte e outras restrições, reforça a percepção de que a aplicação da lei não acompanha a dimensão do dano causado pelos criminosos.

Quando o Estado falha em dar resposta firme a crimes dessa natureza, envia à sociedade uma mensagem perigosa: a de que o crime compensa, desde que tenha visibilidade, influência ou dinheiro.

A população brasileira não precisa apenas ver prisões temporárias e decisões técnicas. Precisa de punição efetiva, investigação robusta e responsabilização exemplar para quem participa, lucra ou colabora com esquemas que alimentam o crime organizado e corroem a confiança nas instituições.


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