O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (21) o envio de 5 mil soldados americanos para a Polônia. O anúncio foi feito através da rede social Truth Social e marca uma reversão de decisão após o vice-presidente JD Vance ter dito, na terça-feira (19), que o envio de tropas havia sido adiado.
Base da decisão de Trump
Trump justificou a decisão citando sua relação com o presidente polonês Karol Nawrocki, nacionalista que venceu as eleições em 2025 com seu apoio: “Com base na bem-sucedida eleição do agora presidente da Polônia, Karol Nawrocki, que tive o orgulho de apoiar, e em nossa relação com ele, tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos enviarão mais 5 mil soldados para a Polônia”, publicou Trump.
Trump recebeu Nawrocki na Casa Branca em maio de 2025 e apoiou-o em momento crucial antes da eleição polonesa, na qual Nawrocki derrotou o candidato do partido pró-europeu e centrista do primeiro-ministro polonês, Donald Tusk. Os dois se encontraram novamente na Casa Branca em setembro, quando Trump prometeu garantir a defesa do país.
Reação de Donald Tusk
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk — que perdeu as eleições presidenciais para Nawrocki mas permanece no cargo de premier — comemorou a decisão em postagem na rede social X nesta sexta-feira (22): “Agradeço a todos os envolvidos nesta questão, ao Presidente (da Polónia) Nawrocki, aos ministros, aos congressistas e aos amigos da Polónia nos EUA pela sua eficácia e unidade de ação”, escreveu Tusk.
Na terça-feira (19), Tusk havia feito um alerta contundente: afirmou que a Europa entrou numa “era pré-guerra” e que, se a Ucrânia for derrotada pela Rússia, ninguém na Europa poderá se sentir seguro. Disse que a guerra na Ucrânia pode levar a Otan a “reagir com firmeza”.
Contexto de tensões com aliados europeus
O anúncio ocorre após críticas frequentes de Trump a aliados europeus, principalmente pela avaliação do governo americano de que alguns países da Otan têm dado apoio insuficiente à ofensiva dos EUA contra o Irã.
Os EUA vinham revisando a presença de suas tropas na Europa e há muito tempo se esperava que ela fosse reduzida após as exigências de Trump de que a Otan assumisse um papel maior na defesa da Europa.
Detalhes operacionais
Um funcionário americano ouvido pela Reuters sob condição de anonimato afirmou que a decisão sobre a Polônia pode fazer parte de uma solução temporária para permitir a redução do contingente militar dos EUA na Alemanha, onde há atualmente cerca de 35 mil soldados americanos.
No fim de 2025, havia cerca de 85 mil soldados americanos posicionados em toda a Europa.
Polônia se prepara para possível ataque russo
O governo polonês planeja destinar 4,8% do PIB para defesa neste ano — o maior percentual entre os países da Otan — e costuma destacar que é um aliado fiel dos Estados Unidos. A Polônia diz que se tornou alvo de espionagem e sabotagem russas por causa do papel central no envio de armas e suprimentos militares para a Ucrânia desde o início da invasão em larga escala promovida pela Rússia.
Em entrevista ao Financial Times em abril, Tusk questionou se os EUA continuariam a ser “leais” aos compromissos da Otan e alertou que a Rússia poderá atacar um Estado-membro “dentro de alguns meses” — “curto prazo, de meses e não de anos”, disse.
Reação dentro do governo polonês
A afirmação de JD Vance sobre o adiamento do envio de tropas gerou um alerta dentro do governo polonês. No dia seguinte ao anúncio de Vance, o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, se reuniu com uma autoridade americana. Após o encontro, ele afirmou que os EUA não pretendiam reduzir a presença militar no território polonês.




