Analistas veem a possibilidade de sanções econômicas e danos à troca de informações.
A decisão dos Estados Unidos de classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas passa a valer nesta sexta-feira (5).
A avaliação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que, diferente da guerra tarifária, esse tema envolve segurança, sistema financeiro e soberania nacional e, por isso, tem potencial de produzir consequências muito mais complexas.
Integrantes da área de segurança no Brasil monitoram os próximos passos dos EUA e trabalham com três cenários possíveis.
O primeiro é o mais brando e eleitoreiro com a medida tendo um efeito mais político e simbólico, sem desdobramentos práticos relevantes.
O segundo cenário tem como referência a Venezuela. Quando o enfrentamento ao narcotráfico levou à prisão, o então ditador Nicolas Maduro com apreensão de ativos, bloqueios e até ações contra embarcações apontadas pelos americanos como ligadas ao crime organizado.
O terceiro cenário é o que mais preocupa parte do governo brasileiro.
A preocupação é com a repetição do modelo adotado contra instituições financeiras mexicanas. Naquele caso, os Estados Unidos aplicaram sanções contra bancos acusados de facilitar operações de lavagem de dinheiro para cartéis do narcotráfico.
O temor é que a classificação abra caminho para medidas financeiras contra pessoas físicas, empresas ou estruturas suspeitas de dar suporte econômico a organizações criminosas.
Para integrantes do governo, são “perigos parecidos com a aplicação da Lei Magnitsky” a autoridades brasileiras.
Por isso, o governo brasileiro busca a interlocução com autoridades americanas e canais de diálogo para entender quais serão os efeitos concretos da medida.







