Cerca de mil mortes acima do esperado na França, temperaturas recordes em diferentes países e impactos sobre hospitais, infraestrutura e geração de energia reforçam alertas para efeitos das mudanças climáticas
Mais de 1,3 mil mortes acima do esperado foram atribuídas à onda de calor que atinge a Europa, informou neste domingo (28) a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, cerca de 150 milhões de pessoas vivem atualmente sob condições de calor extremo, que já pressionam os sistemas de saúde, afetam a infraestrutura e sobrecarregam as redes elétricas em diferentes países.
OMS atribui mais de 1,3 mil mortes à onda de calor na Europa
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou neste domingo (28) que mais de 1,3 mil mortes acima do esperado foram atribuídas à onda de calor que atinge a Europa. A entidade também estimou que cerca de 150 milhões de pessoas vivem hoje sob condições de calor extremo, em um cenário que pressiona sistemas de saúde, infraestrutura e redes elétricas em vários países.
Nas redes sociais, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização atua em conjunto com países e parceiros para enfrentar os impactos do calor extremo. Ele destacou que a estratégia está centrada em três eixos: preparação, prevenção e fortalecimento das respostas dos sistemas de saúde.
Cientistas apontam que este já é o episódio de calor mais intenso registrado no continente. Desde 20 de junho, o calor extremo também levou vários países a registrar temperaturas recordes.
Na França, os termômetros ultrapassaram os 40°C em diferentes regiões ao longo da semana, e já há registros de mortes associadas às altas temperaturas.

Na Alemanha, a temperatura chegou a 41,5°C no sábado, a maior já medida no país. O serviço meteorológico alemão ainda alertou que os termômetros poderiam se aproximar dos 42°C.
Na República Tcheca, a temperatura chegou a 40,8°C ao norte de Praga, com previsão de ultrapassar os 41°C neste domingo. Em Basileia, na Suíça, os termômetros marcaram 39°C, estabelecendo pelo terceiro dia seguido um novo recorde para o mês de junho.
Já a Dinamarca registrou 37°C, a maior temperatura desde o início das medições no país.
Pressão sobre os serviços públicos
Segundo a OMS, o calor intenso deixou de ser apenas um desconforto climático e passou a representar uma emergência de saúde pública. Hospitais e unidades de atendimento tendem a registrar aumento de casos de desidratação, insolação, agravamento de doenças cardiovasculares e complicações respiratórias. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce com o uso mais intenso de refrigeração, o que amplia o risco de sobrecarga na rede elétrica.
Hospitais, transporte e energia são afetados
Na França, a agência de saúde pública registrou cerca de mil mortes acima do esperado desde 24 de junho. A maior parte das vítimas tinha mais de 65 anos, e houve aumento das mortes em domicílio, principalmente na região de Paris.
A ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, afirmou ao jornal “La Tribune” que os efeitos do calor extremo podem continuar sendo sentidos por até dez dias, mesmo após a queda das temperaturas. Em entrevista à emissora “BFM”, ela alertou que “o episódio ainda não acabou”.
Na Espanha, 212 mortes registradas em um intervalo de quatro dias também foram associadas ao calor extremo.
Em diferentes países, hospitais, serviços de emergência e autoridades locais adotaram medidas para atender ao aumento da demanda e reduzir os riscos à população.
Em Paris e Viena, por exemplo, os atendimentos de emergência aumentaram.
Ao mesmo tempo, festivais, eventos ao ar livre e manifestações foram cancelados, adiados ou adaptados por causa das altas temperaturas e dos alertas meteorológicos.
Os efeitos também chegaram à infraestrutura e ao setor de energia.
O aquecimento das águas do rio Danúbio levou a usina nuclear de Paks, na Hungria, a reduzir a geração de eletricidade para manter a água usada no resfriamento dos reatores dentro dos limites de segurança.
Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram as regras para cancelamento de viagens devido ao risco de deformação dos trilhos. O calor também provocou rachaduras em trechos de rodovias.
Impacto regional
A situação afeta diferentes países europeus de forma desigual, mas com padrão comum: mais calor, mais vulnerabilidade e mais risco para idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol. Em centros urbanos, o efeito costuma ser ainda mais severo por causa das ilhas de calor, que elevam a temperatura em áreas densamente construídas e com pouca vegetação.
Sinal de alerta climático
O número divulgado pela OMS reforça o avanço de episódios extremos associados ao aquecimento global. Além do impacto imediato sobre a saúde, ondas de calor prolongadas tendem a afetar produtividade, abastecimento de água e estabilidade de serviços essenciais. O quadro amplia a pressão sobre governos para adotar medidas de prevenção, adaptação urbana e proteção de populações vulneráveis.






