Por Victório Dell Pyrro
O Brasil protagonizou um capítulo constrangedor na Copa do Mundo ao sofrer um resultado que jamais havia acontecido em sua história no torneio, e justamente sob direção de um técnico importado, italiano. O que deveria ser mais uma caminhada da seleção mais tradicional do futebol mundial terminou em um episódio de desorganização e ruína esportiva que expôs limites táticos, decisões equivocadas e uma seleção incapaz de reagir quando mais precisava.
A derrota, por 2 x 1 para a Noruega com caráter de vexame inédito, não foi apenas um tropeço em mata-mata ou uma atuação abaixo do esperado. Foi a materialização de uma equipe sem identidade nacional e esportiva clara, vulnerável na marcação, previsível na construção ofensiva e sem resposta quando o jogo exigiu coragem e adaptação.
Sob um comando estrangeiro vindo da escola italiana, que ficou fora deste mundial, o Brasil acabou traído pelas más escolhas de cartolas levados ao comando da CBF, dizem as más línguas por gente do judiciário. A cara do Brasilatual com desequilíbrio total.
O resultado ganha dimensão histórica porque não se trata de uma derrota qualquer. Em Copas, o Brasil construiu ao longo de décadas uma reputação de competitividade, mesmo em eliminações dolorosas. Já havia caído para rivais fortes, sofrido com atuações ruins e acumulado frustrações. Mas o que ocorreu agora ultrapassa a categoria do revés esportivo e entra no campo do colapso simbólico: pela primeira vez, a seleção viu ruir um cenário que até então permanecia fora do seu repertório de derrotas. Toda a CBF tem de cair!
O técnico italiano, contratado e por mim aquicriticado no primeiro dia da contratação, tornou-se o epicentro das críticas. A aposta na “experiência” europeia não se converteu em autoridade técnica suficiente para tocar a equipe.
As escolhas de escalação, o desenho tático inexistente as substituições alimentaram a sensação de um time incapaz de reagir a um adversário mais agressivo e mais preparado para o jogo decisivo. Quando a partida pediu intensidade, o Brasil ofereceu hesitação. Quando pediu criatividade, entregou isolamento. Quando pediu liderança, faltou comando.
Um time sem reação
Em Copas do Mundo, o Brasil costuma ser julgado não só pelo resultado, mas pela maneira como perde. E desta vez a reprovação foi dupla, tripla incluindo quem colocou essa diretoria da CBF.
O resultado amplia o estrago político e esportivo da eliminação, porque a derrota passa a ser vista como consequência de um projeto mal calibrado, e não apenas de uma noite infeliz.
A presença de um treinador italiano aumenta o peso da cobrança porque carrega consigo uma expectativa de controle, leitura tática e competitividade em jogos grandes. O problema é que nada disso apareceu de forma consistente.
Ainda assim, a responsabilidade de um treinador em um momento como esse é central. Ele é quem define a estrutura, quem interpreta o adversário, quem corrige rumos durante a partida e quem dá direção emocional ao elenco. Quando tudo falha ao mesmo tempo, o desgaste inevitavelmente recai sobre o comando. E no caso do Brasil, a contratação de um técnico italiano não produziu o efeito esperado: faltou competência para transformar repertório em resultado.
O vexame também reforça uma pergunta incômoda: até que ponto o Brasil ainda sabe se reconhecer como protagonista em uma Copa? A camisa continua pesada, o talento ainda existe em vários nomes do elenco, mas o ambiente competitivo parece frágil quando submetido à máxima pressão e cartolas aloprados. A queda inédita sob direção italiana não é apenas uma nota estatística. É um aviso sobre a distância entre passado glorioso e presente vulnerável.
A lição é dura. Não basta nome forte no banco, discurso moderno ou promessa de reorganização. Em Copa, é preciso coerência entre planejamento, execução e coragem. O Brasil não teve isso. E pagou o preço em forma de uma eliminação que já entra para a história como um dos capítulos mais constrangedores da seleção no torneio.




