Irã amplia ataques no Oriente Médio em retaliação à ofensiva dos EUA

O Irã ampliou nesta sexta-feira (17) sua ofensiva de retaliação contra os Estados Unidos e aliados na região, atingindo alvos em ao menos sete países do Oriente Médio e do Golfo. A escalada ocorre após uma semana de ataques norte-americanos contra Teerã e aumenta o risco de ampliação do conflito.

Teerã afirmou ter mirado bases americanas no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia, além de declarar pela primeira vez um ataque contra uma base dos EUA na Síria e contra estações de radar em Omã. Explosões também foram relatadas em Doha, no Catar, onde o Ministério do Interior informou que uma criança ficou ferida por estilhaços.

Drones iranianos atingem armazém no Kuwait

Escalada regional

Os Estados Unidos intensificaram sua campanha de bombardeios contra o Irã nesta sexta-feira (17), atingindo pontes e um aeroporto, e Teerã respondeu com ataques a bases americanas em todo o Oriente Médio.

No disputado Estreito de Ormuz, onde o conflito retomado interrompeu novamente o fornecimento global de energia do Oriente Médio, fuzileiros navais americanos abordaram um navio-tanque e outro navio teria sido atingido por um projétil.

EUA atacam ponte no Irã

Os anúncios do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica indicam que a retaliação iraniana deixou de se concentrar em poucos pontos e passou a abranger múltiplos países simultaneamente. Além de Kuwait, Bahrein, Jordânia, Síria, Omã e Catar, houve relatos de movimentação militar e explosões em áreas da região associadas à presença de forças americanas.

Autoridades norte-americanas reagiram ao avanço da ofensiva com novo endurecimento no discurso. O chefe do Pentágono afirmou que o Irã “fez uma escolha errada” e que agora “paga por isso”, enquanto o Comando Central dos EUA confirmou novas ordens do presidente Donald Trump para atingir a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais.

Alvos e danos

No Catar, o governo informou que mísseis iranianos foram interceptados e que os destroços provocaram ferimentos em pelo menos uma criança, em Doha. No Bahrein, as forças armadas iranianas disseram ter atingido uma rede de comunicações e uma instalação de radar dos EUA.

No Kuwait, o exército local relatou resposta a ataques aéreos, enquanto a mídia iraniana afirmou que a ofensiva incluiu uma bateria Patriot, um depósito de munição e uma estação de radar. Em Omã, também foram relatados drones e impactos em pontos ligados à logística naval.

Estreito de Ormuz

A crise ganhou novo componente estratégico quando a Guarda Revolucionária anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz “até segunda ordem”, via por onde escoa parcela relevante do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Apesar da declaração iraniana, monitoramento marítimo apontou que a rota sul do estreito ainda permanecia aberta tecnicamente, embora sob alerta de segurança elevado.

A ameaça ao tráfego marítimo acendeu sinal vermelho nos mercados e entre países dependentes da rota. O Corpo da Guarda Revolucionária também informou ter interceptado embarcações que desobedeceram ordens no entorno do estreito, reforçando o clima de incerteza sobre navegação civil e transporte de energia.

Pressão sobre negociações

A nova rodada de ataques coloca em xeque a perspectiva de retomada de diálogo entre Washington e Teerã. Tanto os Estados Unidos quanto o Irã haviam sinalizado espaço para conversas antes da escalada mais recente, mas a sequência de ataques e contra-ataques enfraqueceu as chances de entendimento imediato.

Em meio à ofensiva, o Irã insiste que os EUA são responsáveis pela escalada e condiciona qualquer negociação a garantias sobre o tráfego marítimo e o fim da interferência estrangeira. Washington, por sua vez, sustenta que responderá com mais força caso o Irã mantenha a ameaça a bases e rotas comerciais.

Impacto imediato

Até o momento, os relatos mais consistentes apontam danos limitados em algumas instalações e feridos leves em ao menos um dos episódios, mas a multiplicação de frentes de ataque aumenta o risco de erro de cálculo e de novas baixas civis e militares. A expansão da ofensiva também afeta a segurança de países que não são parte direta do confronto, mas abrigam estruturas americanas.

O conflito, que já vinha pressionando a diplomacia regional, agora avança sobre mais países e amplia o temor de uma guerra ainda mais ampla no Oriente Médio.