Flávio Bolsonaro levanta suspeitas sobre urnas repetindo Bolsonaro em reunião que o tornou inelegível

Declarações desmentidas pelo TSE se somam a crises internas da pré-candidatura às vésperas das convenções partidárias.

O senador e pré-candidato à presidência da república Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil utiliza urnas fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic e citou um relatório da CIA segundo o qual a companhia estaria envolvida em fraudes nas eleições da Venezuela em 2012. A declaração foi feita em reunião em Brasília, em evento privado, com representantes de cerca de 40 países. 

A associação feita por Flávio Bolsonaro já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que afirma que o Brasil não usa urnas da Smartmatic.

Flávio Bolsonaro em evento com diplomatas — Foto: Divulgação/Raul Spinassé

Flávio Bolsonaro defendeu que os países presentes enviem observadores internacionais para acompanhar as eleições no Brasil.

“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, disse Flávio.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou a inelegibilidade do ex-presidente da República Jair Bolsonaro por oito anos, contados a partir das Eleições 2022.

O então presidente Bolsonaro baseou a apresentação aos diplomatas em um inquérito aberto pela Polícia Federal em 2018, com autorização do STF, sobre a invasão de um hacker ao sistema do TSE. O tribunal informou que esse acesso foi bloqueado e não interferiu em qualquer resultado. Bolsonaro também citou a tese de que o voto impresso seria mais seguro que as urnas eletrônicas.

Segundo o TSE, ficou reconhecida a prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante a reunião realizada no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros no dia 18 de julho de 2022. Apesar do conteúdo de critica às urnas a diferença é que no caso do pai, Jair Bolsonaro, o TSE considerou o abuso de poder político que ocorre quanto agente público usa a estrutura da administração pública para causar interferência em processo eleitoral a favor de determinada candidatura.

Após a repercussão do caso ontem, a campanha de Flávio Bolsonaro soltou uma nota afirmando que “não é verdade” que ele “tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil”.