Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha por suposto tráfico de influência no Ministério da Saúde

Suspeita é que Lulinha tenha atuado em favor do Careca do INSS para vender cannabis medicinal ao governo. Defesa de Lulinha nega irregularidades.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a abrir inquérito para apurar se o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cometeu os supostos crimes de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde por negócios relacionados à cannabis medicinal. A investigação tramita em sigilo.

Na semana passada, a Polícia Federal pediu ao STF a abertura de um inquérito para apurar se Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao atuar para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em negócios com o Ministério da Saúde.

Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme as investigações da PF na Operação Sem Desconto.

Lulinha é filho do presidente Lula (PT). Ele chegou a ser citado no inquérito da Operação Sem Desconto, que investiga a chamada Farra do INSS, por causa de sua relação com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Lulinha é suspeito de ter atuado para que o Careca fosse recebido no ministério.

O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal com o governo federal em favor da empresa World Cannabis, que pertencia ao Careca.

A Polícia Federal também identificou pagamentos do Careca do INSS para Roberta Luchsinger que somam R$ 1,5 milhão. Em uma das transferências, o lobista descreveu a um interlocutor que o repasse tinha como destinatário o “filho do rapaz”, possivelmente se referindo ao filho do presidente Lula.

No início de 2025, o Careca do INSS foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, o Berger, que era secretário-executivo — o número 2 da pasta.

Depois de sair do ministério, em 2025, Berger virou chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente da República.

A PF investiga possível tráfico de influência tanto no Ministério da Saúde como no gabinete presidencial.