Desastre administrativo: contas públicas têm rombo de R$ 1,3 trilhão em doze meses

Contas públicas registraram rombo de R$ 1,32 trilh8ão, ou 10% do PIB, em 12 meses até junho deste ano, elevando risco para definição da nota de crédito do país

As contas do setor público consolidadas apresentaram um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (31).

Na comparação com junho do ano passado, houve piora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 47,1 bilhões naquele mês.

Ao incluir no cálculo as despesas com juros, o rombo soma R$ 1,32 em doze meses até junho, ou 10% do PIB.

A sucessão de déficits nos últimos anos, relacionados com a alta de gastos públicos, tem pressionado a dívida pública, que já subiu 10 pontos no atual governo Lula, o maior nível em mais de cinco anos.

A sucessão de déficits nos últimos anos, relacionados com a alta de gastos públicos, tem pressionado a dívida pública, que já subiu 10 pontos no atual governo Lula, o maior nível em mais de cinco anos.

Veja abaixo o desempenho das contas em junho deste ano:

  • governo federal registrou saldo negativo de R$ 47,2 bilhões;
  • estados e municípios tiveram saldo deficitário de R$ 6,6 bilhões;
  • empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,47 bilhão.

Parcial do ano

No acumulado do primeiro semestre deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 80,2 bilhões — o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo positivo de R$ 22 bilhões (0,35% do PIB).

No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 93,4 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 12,3 bilhões nos seis primeiros meses de 2025.

Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.

De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.

Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões

O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).

Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham um déficit de quase R$ 52 bilhões neste ano.

Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).